A empresa se manifestou após o Secretário Municipal da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, ter afirmado que a White Martins atrasou a entrega de oxigênio na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, levando o município a transferir pacientes "por precaução e segurança”.

"Nossa equipe, por precaução e segurança, decidiu fazer a transferência. Felizmente, deu tempo. E não houve maiores problemas. Depois de uma hora em que os pacientes já haviam sido transferidos, o oxigênio chegou", disse Aparecido.

Na tarde de sexta-feira (19), a UPA Ermelino Matarazzo começou a usar a central reserva de cilindros, enquanto o tanque de oxigênio não era reabastecido.

“As equipes médicas fizeram o monitoramento do estoque e tomaram decisões rápidas e adequadas ao transferir os pacientes”, defendeu o Secretário.

Dez pacientes foram transferidos na madrugada deste sábado (20).

Outros 50 pacientes permaneceram na UPA sendo atendidos por nebulização.

A urgência cenográfica, com filas de ambulâncias partindo em disparada, lembrou outra operação produzida pela pasta, em abril de 2020, envolvendo a transferência de pessoas com casos não confirmados e sintomas leves para um hospital de campanha subutilizado.

Edson Aparecido, disse neste sábado que não vai faltar oxigênio para pacientes da capital paulista e que a Prefeitura está "mudando toda a logística" e concentrando pacientes com covid-19 em "hospitais-catástrofe" da cidade, para "ter um abastecimento constante de oxigênio".

"Estamos conversando com as empresas responsáveis (White Martins e outras) para resolver as questões de logística, como a possibilidade de concentrar os pacientes em algumas unidades", disse o Secretário.

Segundo Aparecido, "nestas duas últimas semanas, a evolução das internações aumentou muito. Os pacientes mais jovens demandam muito mais oxigênio. Ainda não trabalhamos com a possibilidade de falta de oxigênio na cidade, mas estamos em uma operação de guerra para dar conta de tudo".

A UPA Ermelino Matarazzo foi inaugurada em janeiro de 2020 com 27 leitos:  7 leitos de urgência, 14 leitos de observação adulto, 4 leitos de observação infantil e 2 leitos de observação de isolamento, além de salas de inalação.

Factoide

A White Martins rebateu o Secretário dizendo que não faltou oxigênio na unidade de Ermelino Matarazzo, mas sim “planejamento adequado” de UPA em São Paulo.

"O sistema de abastecimento de oxigênio na unidade funcionou para que o produto continuasse sendo fornecido ininterruptamente, conforme as normas vigentes no país (NBR-12188 da ABNT e RDC 50 da Anvisa)", disse a empresa em nota.

"Durante o uso do suprimento secundário, o suprimento primário (tanque) foi abastecido, não ocorrendo falta de produto".

Na avaliação da White Martins, o problema seria de inadequação da infraestrutura da UPA, que não foi adaptada para o aumento de consumo de oxigênio medicinal.

"Muitas unidades não possuem redes centralizadas com a dimensão adequada para expansão do consumo, agravando demasiadamente a condição de fornecimento de gás para suportar ventiladores, inaladores e outras práticas terapêuticas. Essas condições interferem na pressão necessária para alimentar os ventiladores utilizados em pacientes críticos, o que leva à percepção equivocada de que há falta de gás", explica a nota.

A White Martins disse ainda que a UPA Ermelino Matarazzo foi notificada formalmente sobre a necessidade de informar previamente qualquer incremento de consumo do produto à fornecedora, visando que a mesma pudesse avaliar e adequar seus equipamentos instalados (tanque e cilindros) e malha logística.

"Até o momento, a White Martins não recebeu nenhum retorno desta unidade sobre a previsão de demanda ou necessidades de acréscimo no consumo de oxigênio mesmo diante do cenário acima narrado", afirma a empresa.

Na tarde deste sábado, a Secretaria da Saúde voltou atrás ao garantir, por meio de uma nota, que o oxigênio não chegou a acabar.

Íntegra da nota da White Martins

A White Martins informa que não faltou oxigênio para a UPA Ermelino Matarazzo, mesmo com o consumo do produto na unidade tendo aumentado de forma exponencial (16 vezes), saindo de 89 metros cúbicos por dia em dezembro de 2020 para 1.453 metros cúbicos por dia no dia 18 de março. O sistema de abastecimento de oxigênio na unidade funcionou para que o produto continuasse sendo fornecido ininterruptamente, conforme as normas vigentes no país (NBR-12188 da ABNT e RDC 50 da Anvisa). No dia 19 de março de 2021, a UPA consumiu todo o produto do tanque de oxigênio (suprimento primário) e o sistema iniciou automaticamente o uso da central reserva de cilindros (suprimento secundário). Esta central reserva (dotada de duas baterias independentes de cilindros) entrou em operação como estabelece a referida norma. Durante o uso do suprimento secundário, o suprimento primário (tanque) foi abastecido, não ocorrendo falta de produto.

A rede interna de distribuição do oxigênio para uso terapêutico é de responsabilidade dos estabelecimentos assistenciais de saúde, e a White Martins tem alertado exaustivamente seus clientes sobre os riscos envolvidos na transformação de unidades de pronto atendimento em unidades de internação para pacientes com Covid-19 sem um planejamento adequado. Muitas unidades não possuem redes centralizadas com a dimensão adequada para expansão do consumo, agravando demasiadamente a condição de fornecimento de gás para suportar ventiladores, inaladores e outras práticas terapêuticas. Essas condições interferem na pressão necessária para alimentar os ventiladores utilizados em pacientes críticos, o que leva à percepção equivocada de que há falta de gás.

Vale reforçar que esta adaptação de unidades de pronto atendimento só deve ser realizada depois de um estudo de viabilidade, a fim de permitir a adequação da infraestrutura, a avaliação da acessibilidade dos veículos de transporte e, consequentemente, a garantia e a confiabilidade para entrega, armazenamento e uso de um produto essencial como o oxigênio.

No caso específico desta UPA, a unidade já foi notificada formalmente sobre a necessidade de informar previamente qualquer incremento de consumo do produto à fornecedora, visando que a mesma pudesse avaliar e adequar seus equipamentos instalados (tanque e cilindros) e malha logística. Até o momento, a White Martins não recebeu nenhum retorno desta unidade sobre a previsão de demanda ou necessidades de acréscimo no consumo de oxigênio mesmo diante do cenário acima narrado.

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