Todos os dez setores pesquisados tiveram resultados negativos na comparação com março de 2020. Com isso, o patamar de vendas atingiu seu ponto mais baixo da série, registrando os maiores distanciamentos dos recordes históricos: 23% abaixo do nível recorde (outubro de 2014) para o varejo e 34% abaixo do recorde (agosto de 2012) para o varejo ampliado.

No confronto com abril de 2019, na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista teve queda de 16,8%, a mais acentuada da série histórica, intensificando o recuo observado em março (-1,1%). No acumulado em 12 meses, ao passar de 2,2% em março para 0,7% em abril, o indicador sinaliza forte perda no ritmo de vendas.

O comércio varejista ampliado, frente a abril de 2019, teve recuo recorde (-27%), intensificando queda registrada em março (-6,4%). No acumulando do ano, registrou recuo de 7%, após estabilidade em março. No acumulado nos últimos doze meses, passou de 3,3% até março para 0,8% até abril, com perda no ritmo de vendas.

Receita nominal

 Varejo (%)Varejo Ampliado (%)
Abril / Março*-17,0-16,3
Abril 2020 / Abril 2019-13,7-23,5
Acumulado 2020+0,7-3,6
Acumulado 12 meses+3,6+3,3
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria
*Série com ajuste sazonal

Na série com ajuste sazonal, na passagem de março para abril de 2020, houve quedas em todas as oito atividades pesquisadas:

  • Tecidos, vestuário e calçados (-60%)
  • Livros, jornais, revistas e papelaria (-43%)
  • Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-30%)
  • Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-30%)
  • Móveis e eletrodomésticos (-20%)
  • Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos (-17%)
  • Combustíveis e lubrificantes (-15%)
  • Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-12%)

Volume de vendas

ATIVIDADES MÊS/MÊS ANTERIOR (1) MÊS/IGUAL MÊS DO ANO ANTERIOR ACUMULADO
Variação (%) Variação (%) Variação (%)
FEV MAR ABR FEV MAR ABR NO ANO 12 MESES
COMÉRCIO VAREJISTA (2) +0,5 -2,1 -16,8 +4,7 -1,2 -16,8 -3,0 +0,7
1 - Combustíveis e lubrificantes -0,5 -11,2 -15,0 +0,4 -9,9 -25,2 -8,9 -2,1
2 - Hiper, supermercados, prods. alimentícios, bebidas e fumo +1,3 +14,2 -11,8 +4,0 +11,0 +4,7 +4,2 +1,8
2.1 - Super e hipermercados +1,2 +15,4 -11,7 +4,1 +12,0 +5,8 +4,7 +2,1
3 - Tecidos, vest. e calçados +1,5 -42,3 -60,6 +0,8 -39,7 -75,6 -28,5 -7,6
4 - Móveis e eletrodomésticos +2,0 -26,1 -20,3 +11,8 -12,2 -35,9 -6,0 +2,2
4.1 - Móveis - - - +7,7 -10,7 -40,6 -8,2 +2,8
4.2 - Eletrodomésticos - - - +12,1 -12,5 -33,5 -5,1 +1,9
5 - Artigos farmaceuticos, med., ortop. e de perfumaria +0,7 +1,4 -17,0 +7,8 +12,0 -9,7 +4,3 +6,2
6 - Livros, jornais, rev. e papelaria -4,0 -37,0 -43,4 -7,5 -33,6 -65,6 -19,1 -16,0
7 - Equip. e mat. para escritório, informatica e comunicação -2,3 -14,3 -29,5 -12,8 -23,2 -45,4 -21,9 -7,0
8 - Outros arts. de uso pessoal e doméstico +1,5 -27,4 -29,5 +8,7 -18,0 -45,6 -12,3 +0,4
COMÉRCIO VAREJISTA AMPLIADO (3) +0,5 -13,7 -17,5 +3,0 -6,4 -27,1 -6,9 +0,8
9 - Veículos e motos, partes e peças +0,0 -36,7 -36,2 +0,0 -21,2 -57,8 -17,8 +1,3
10- Material de construção +0,0 -17,3 -1,8 -1,9 -7,5 -20,8 -7,1 +0,7
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Indústria
(1) Séries com ajuste sazonal.
(2) O indicador do comércio varejista é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 8.
(3) O indicador do comércio varejista ampliado é composto pelos resultados das atividades numeradas de 1 a 10

Principais atividades

Tecidos, vestuário e calçados, com recuo de -75,5% em relação a abril de 2019, a segunda variação negativa consecutiva (-40% em março de 2020 com relação a março de 2019), o setor foi um dos que mais sofreram efeitos das medidas de isolamento social.

Outros artigos de uso pessoal e doméstico - lojas de departamentos, óticas, joalherias, artigos esportivos, brinquedos etc - recuou de 46% em relação a abril de 2019, intensificando trajetória negativa iniciada em março (-18%).

Móveis e eletrodomésticos, com recuo de 36% em relação a abril de 2019, o setor foi o terceiro maior impacto negativo, após recuo de 12% registrado em março. No acumulado nos últimos 12 meses, ao passar de 5,0% até março para 2,2% em abril, o setor interrompe uma série de recuperação, iniciada em outubro de 2019 com pico em fevereiro (5,5%).

Combustíveis e lubrificantes, com recuo de 25% em relação a abril de 2019, foi a quarta maior contribuição negativa, refletindo a diminuição de pessoas e veículos, com consequente queda nas vendas de combustíveis.

Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria com queda de 10% ante abril de 2019, o setor interrompe série de 35 meses no campo positivo para o indicador interanual.

Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, tiveram recuo de 45% em relação a abril de 2019.

Livros, jornais, revistas e papelaria caiu 66% frente a abril de 2019, com recorde no campo negativo para toda a série do setor no indicador interanual. No acumulado no ano, ao passar de -9% até março para -19% até abril atingiu novo recorde. No acumulado nos últimos 12 meses (-16%), o indicador permanece negativo desde março de 2014 (-0,2%).

Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com aumento de 4,7% frente a abril de 2019, registrou a única taxa positiva. O resultado do acumulado no ano, até abril (4,2%), comparado a março (4,0%), mostrou estabilidade no ritmo. No acumulado nos últimos 12 meses ficou estável, 1,8%, em abril ante 1,6% em março.

Varejo ampliado

Veículos, motos, partes e peças teve recuo de 58% em relação a abril de 2019, recorde de variação negativa para atividade. O acumulado no ano até abril caiu 18% ante mesmo período do ano anterior seguindo a trajetória de março no campo negativo (-4%).

Material de Construção, com recuo de 21% em relação a abril de 2019, o setor contabiliza terceira taxa negativa consecutiva, (-2% em fevereiro e -8% em março).

* Com informações do IBGE

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