O Dr. Anthony Fauci, o principal conselheiro científico do governo americano, explicou durante uma reunião nesta quinta-feira à equipe de resposta à pandemia da Casa Branca, que a situação global não pode ser comparada à dos Estados Unidos.

As taxas de vacinação são “drasticamente diferentes”, disse Fauci, mostrando um gráfico que tornou a grande lacuna aparente – 47% da população americana já está imunizada comparada a apenas 11% da mundial.

"As boas vacinas protegem cerca de 88% contra infecções sintomáticas e mais de 90% contra infecções graves", disse Fauci em entrevista na terça-feira (29) à Judy Woodruff, na PBS.

"Existem vacinas que estão sendo usadas globalmente que não são tão boas assim. E há aqueles que receberam apenas uma dose por causa da falta de vacinas", ponderou Fauci.

"E sabemos que, em certas situações, uma dose, a eficácia cai de cerca de 88% para cerca de 30%", acrescentou.

"Portanto, não é à toa que a OMS está dizendo que, mesmo que você esteja vacinado, e está em uma área com alta densidade de vírus, você, de fato, ainda deve usar máscara em lugares fechados".

Fauci disse que a vacina da Pfizer é 60% efetiva contra a infecção pela variante Delta do coronavírus e seria 96% efetiva na prevenção de infectados serem hospitalizados.

“Se você está vacinado, você tem um alto grau de proteção”, disse Fauci na reunião de hoje. “Portanto, você não precisa usar uma máscara, seja interna ou externa”.

No dia anterior, a Diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) Rochelle Walensky fez a mesma observação em uma entrevista na televisão. “Se você está vacinado, você está protegido das variantes que estão circulando aqui nos Estados Unidos”.

Reconhecendo a preocupação com a variante indiana, o governo americano saturou as redes de TV com autoridades federais de saúde do alto escalão para esclarecer as dúvidas da população antes do fim de semana de 4 de julho.

"Queremos ser o mais claros possível", disse a Secretária de Imprensa Jen Psaki nesta quinta-feira. “Então, se você foi vacinado, a mensagem que passamos é: Você está seguro ... Se você ainda não foi vacinado, não está seguro e protegido. Por isso você deve ir se vacinar".

Acredita-se que a variante Delta seja cerca de 60% mais transmissível do que a cepa SARS-CoV-2 original e causaria mais hospitalizações – porém não doenças mais graves. Assim, por exemplo, enquanto a variante indiana está se tornando mais prevalente em Israel e as infecções estão aumentando, apenas uma pessoa morreu de covid-19 durante a segunda quinzena de junho.

Atualização 02/07

Delta Plus

Autoridades governamentais da Índia anunciaram nesta sexta-feira (2) que dentro de 7 a 10 dias serão divulgados os resultados dos experimentos realizados para avaliar a eficácia das vacinas Covid existentes contra a variante Delta Plus do coronavírus SARS-CoV-2.

A variante Delta Plus é a variante Delta (B1.617.2) com mutação K1417N.

O anúncio vem em meio a preocupações de que esta variante, agora detectada em quase 50 amostras em 11 estados – Maharashtra, Madhya Pradesh, Punjab, Gujarat, Kerala, Andhra Pradesh, Tamil Nadu, Odisha, Rajasthan, Jammu e Karnataka – pode ter propriedades imunes evasivas e também pode ser capaz de causar doenças mais graves.

Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira sobre a situação da Covid-19 no país, autoridades indianas disseram que as vacinas Covaxin e Covishield  têm efetividade reduzida contra a variante Delta, dominante na Índia em quase 90% das amostras.

A Covishield mostrou uma redução de duas vezes nos anticorpos neutralizantes, enquanto diminuiu três vezes na Covaxin.

A Covishield utiliza métodos de terapia gênica aplicados a vacinas. É produzida pelo Serum Institute of India (SII) sob licença da AstraZeneca/Oxford e importada pela Fiocruz para uso na campanha brasileira de vacinação contra o coronavírus.

A polêmica Covaxin, produzida pela indiana Bharat Biotech, utiliza vírus SARS-CoV-2 inativados e adjuvantes, a mesma tecnologia da chinesa CoronaVac. A vacina experimental foi autorizada pelo regulador indiano sem dados de fase 3.

Atualização 07/07

O Secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou nesta quarta-feira (7) que a variante indiana (Delta) está circulando no Estado.

"Temos uma variante que já é autóctone, ou seja, ela já está circulando no nosso meio em pessoas que não tiveram histórico de viagens ou que tiveram contato com alguém que esteve, por exemplo, na Índia, e, dessa forma, temos que ter uma atenção especial", disse o gestor.

O anúncio ocorre após ter sido detectado o primeiro caso de infecção comunitária com a variante no Estado, um morador da Capital.

A Coordenaria de Vigilância em Saúde (Covisa) informou que o caso positivo foi identificado em um homem de 45 anos que não viajou ao exterior e que não teve contato com pessoas que viajaram recentemente para fora do País.

"No entanto, ele mora com outras três pessoas, que podem ter feito contato com alguém que esteve no exterior e pode ter transmitido o vírus", acrescentou a Covisa.

Com a prevalência da variante P.1 (Gama), a tendência é de que a Delta encontre dificuldade para se disseminar, avalia Sandra Vessoni, diretora do Centro de Desenvolvimento Científico (CDC) do Instituto Butantan.

No último balanço da Rede de Alertas das Variantes do SARS-CoV-2, com dados até 26 de junho, a P.1 corresponde a 90% das variantes em circulação no Estado. Ao todo, 21 variantes já foram identificadas em circulação.

O Secretário de Saúde não forneceu projeções de quando a variante indiana se tornaria relevante ou dominante em São Paulo.

No mesmo dia, o governo paulista anunciou o relaxamento de medidas restritivas no Estado, entre elas, a ampliação do horário de funcionamento do comércio e dos serviços a partir da próxima sexta-feira (9).

A flexibilização atinge todas as atividades comerciais, incluindo shoppings, padarias, bares, restaurantes, salões de beleza, barbearias e academias. Com as novas regras, os estabelecimentos poderão funcionar de 6h até as 23h e a capacidade de atendimento sobe de 40% para 60%.

O toque de recolher continuará nos 645 municípios paulistas, porém com período reduzido, entre 23h e 5h. Apenas 80 cidades do Estado de São Paulo possuem população superior a 100 mil habitantes.

Também foi anunciada nesta quarta-feira a retomada das aulas presenciais em universidades públicas e privadas e escolas técnicas a partir de 2 de agosto, com 60% de ocupação – 100% de ocupação para cursos da área de Saúde.

As novas regras valem para todo o Estado, incluindo as regiões que estão com mais de 80% de ocupação dos leitos de UTI com pacientes de covid-19. Anteriormente, o funcionamento de estabelecimentos até as 23h seria liberado apenas com taxas de ocupação de UTI abaixo de 60%.

O número de pacientes com covid-19 atualmente internados no Estado de São Paulo é 40% maior do que o recorde de 2020.

A média móvel diária de novas mortes é de 465 nesta quarta. No pior momento de 2020, o recorde na média móvel de óbitos havia sido de 289.

O governo estadual anunciou também um calendário com 14 eventos sociais, 12 eventos de economia criativa, dois eventos esportivos e dois eventos de negócios, programados a partir de 17 de julho.

Entre os grandes eventos, estão a Oktoberfest, de 25 de novembro a 12 de dezembro, e o GP do Brasil de Fórmula 1, previsto para 21 de novembro.

O jornal O Estado de São Paulo publicou na terça-feira (6) que a proteção da vacina experimental CoronaVac "deve ser de cerca de oito meses", segundo o Diretor do Instituto Butantan Dimas Covas.

A infectologista da Unicamp Raquel Stucchi apontou que brevemente haverá um contigente populacional com mais de oito meses de imunização pela Coronavac.

"Se a ideia é chegar em outubro ou novembro com 80% da população vacinada, eles já não serão 80%, serão menos porque parte das pessoas já terá ultrapassado esse período", Stucchi disse ao jornal paulistano.

* Com informações da PBS, White House, Indian Express

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