Atualizado em 24/08/2021

Em uma coletiva de imprensa no domingo, os diretores de sete hospitais públicos anunciaram que não podiam mais admitir nenhum paciente com coronavírus.

Os hospitais estão operando com a capacidade total, após um aumento acentuado no número de infecções pela variante Delta do vírus SARS-CoV-2.

Na terça-feira (24), foram diagnosticadas 9.831 novas infecções, número diário próximo ao maior já registrado no país – 10.000 – no pico da terceira onda.

Israel lançou sua campanha nacional de vacinação em dezembro do ano passado e tem uma das taxas de vacinação mais altas do mundo.

O país vacinou sua população quase exclusivamente com o imunizante da Pfizer / BioNTech, que recebeu aprovação total da FDA na segunda-feira (23) e continua sendo o padrão ouro para a prevenção de doenças graves devido ao coronavírus.

Pacientes hospitalizados com covid-19 em estado severo/crítico. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health
Pacientes hospitalizados com covid-19 em estado severo/crítico. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health

As autoridades de saúde alertaram que pode haver até 2.400 pacientes gravemente enfermos até meados do próximo mês. Elas sustentam que a grande maioria dos que continuam sofrendo doenças sérias não foram vacinados, ainda que os dados oficiais mostrem que os casos graves também estão crescendo entre os vacinados.

Pacientes hospitalizados com covid-19 em estado severo/crítico. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health
Pacientes hospitalizados com covid-19 em estado severo/crítico. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health

Israel está tentando conter o surto com uma campanha de reforço de vacinação.

A meta inicial era aplicar a dose extra apenas em pessoas dos grupos de risco, porém o governo israelense agora planeja oferecer o reforço a toda a população.

A campanha começou em 1º de agosto, com pessoas com mais de 60 anos, e desde então se expandiu para aquelas com mais de 40 anos, bem como profissionais de saúde, professores e grávidas.

Pacientes com mais de 60 anos hospitalizados com covid-19 em estado severo/crítico. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health
Pacientes com mais de 60 anos hospitalizados com covid-19 em estado severo/crítico. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health

Mais de 1,4 milhão de residentes já receberam uma terceira dose da vacina de mRNA da Pfizer, de acordo com dados do governo.

Na noite de domingo (horário local), 75% da população da faixa etária entre 70-79 anos tinha recebido uma terceira dose; 60% entre 60-69; 36% entre 50-59; e 10% entre 40-49 – faixa que se tornou elegível na sexta-feira (20).

Israel lançou sua campanha nacional de vacinação em dezembro do ano passado e tem uma das taxas de vacinação mais altas do mundo. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health
Israel lançou sua campanha nacional de vacinação em dezembro do ano passado e tem uma das taxas de vacinação mais altas do mundo. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health (23/08/2021)

Os primeiros dados do Ministério da Saúde, veiculados por noticiários do Canal 12 no domingo à noite, parecem indicar que aqueles que receberam a terceira dose da vacina estão melhor protegidos contra os casos graves de covid-19.

De acordo com o noticiário local, apenas 0,2% dos 1,1 milhão que já receberam dose de reforço há mais de sete dias foram infectados com o vírus.

Em termos absolutos, o número de portadores do vírus que receberam a terceira dose é de 2.790. Destes, apenas 187 foram hospitalizados e 88 desenvolveram sintomas graves. Menos de 15 teriam morrido.

A partir de segunda-feira, todos com mais de 30 anos estarão elegíveis para receber doses de reforço. Até o final do mês, espera-se que estejam universalmente disponíveis para qualquer pessoa com mais de 12 anos que recebeu sua segunda dose há cinco meses ou mais.

Israel irá então reconfigurar o Green Passport, concedendo-os apenas aos vacinados triplamente e limitando sua validade a seis meses.

Lockdown

As autoridades esperam que as doses de reforço possam interromper a progressão atual, tanto em novos casos quanto em complicações graves da covid-19, evitando a decretação de medidas restritivas adicionais, incluindo um lockdown nacional.

Porcentual de testes positivos para infecção por SARS-CoV-2, o vírus da covid-19. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health
Porcentual de testes positivos para infecção por SARS-CoV-2, o vírus da covid-19. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health
Óbitos diários por covid-19. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health
Óbitos diários por covid-19. Fonte/arte: © Israel Ministry of Health

O Primeiro-Ministro Naftali Bennett está considerando a possibilidade de impor lockdown, o quarto de Israel, durante os feriados judaicos em setembro, mas encontra resistência de alguns ministros.

Em reunião do gabinete, no dia 8, a Ministra da Educação, Yifat Shasha-Biton, disse que esse tipo de conversa está levando à instabilidade econômica e “as pessoas estão ansiosas por seu sustento”.

“Vimos os gráficos – não importa se os países impuseram lockdown ou não, os gráficos de morbidade são semelhantes”, disse Yifat Shasha-Biton.

O Ministro da Inteligência, Elazar Stern, concordou: “Precisamos eliminar a palavra ‘lockdown’ de nosso léxico. Estamos fazendo com que as pessoas vivam sob ameaça”.

Já Hamad Amar, Ministro das Finanças, comentou a situação da Austrália e enfatizou: "o lockdown não é uma solução".

* Com informações do The Times of Israel

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