No domingo (28), autoridades britânicas divulgaram que foram detectadas pela primeira vez no Reino Unido infecções por coronavírus da variante P1.

A variante P1 (20J/501Y.V3) foi detectada pela primeira vez no Japão, mas é mais associada à segunda onda na cidade brasileira de Manaus, no Amazonas. A P1 é descendente da variante B.1.1.28 – identificada no Brasil, e foi designada como "preocupante", pois compartilha algumas mutações importantes com a variante identificada pela primeira vez na África do Sul (B.1.351), como E484K e N501Y.

Existem alguns dados que sugerem que esta variante pode ser mais provável de causar infecções em pessoas que foram vacinadas ou que foram anteriormente infectadas com o coronavírus de Wuhan.

Na Europa, a variante P1 já foi encontrada na Bélgica, Itália e Suíça.

No Reino Unido, a P1 foi detectada em 6 casos de infecção por coronavírus: 3 na Inglaterra e 3 na Escócia.

As autoridades de saúde não tem dúvidas que há mais casos dessa variante ou de outras circulando com a mutação E484 – que reduz a eficácia das vacinas atuais –, porque nem todos os casos positivos podem ser verificados quanto a variantes e nem todo infectado se apresenta para um teste.

"Vamos enfrentar essas [variantes] nos próximos seis meses, à medida que avançamos em direção a medidas de relaxamento. Haverá desafios no caminho e sempre há o risco de ter que retroceder, e é isso que ninguém quer", disse Medley no Today.

Há exatamente uma semana Boris Johnson revelou seu "roteiro" para o Reino Unido sair do lockdown e os britânicos já estão reservando acomodações em feriados e mesas em seus restaurantes favoritos.

Questionado sobre o comentário de Medley, Johnson afirmou que a descoberta da variante P1 no Reino Unido não altera os planos do seu governo.

"Toda a nossa estratégia é seguir em frente de uma forma cautelosa, mas irreversível. E não achamos que haja qualquer razão para mudar isso agora".

O Primeiro-Ministro disse ainda que está sendo feito um “esforço massivo” para conter a variante P1, como aconteceu com a sul-africana.

"Se você olhar o que fizemos no caso da variante sul-africana, um esforço enorme foi feito lá. O mesmo está acontecendo agora para conter qualquer propagação da variante brasileira", afirmou Johnson.

Dos três casos na Inglaterra de infecção pela variante P1, dois foram descobertos no rastreamento dos passageiros do voo LX318 da Swiss Air de São Paulo para Heathrow, via Zurique, que pousou em 10 de fevereiro. Ambos ocorreram em uma família residente na área de South Gloucestershire depois que alguém voltou do Brasil.

Sara Blackmore, diretora de saúde pública de South Gloucestershire, disse que a "ação rápida" de sua equipe local resultou numa "situação muito contida".

Desde então, duas outras pessoas na mesma casa também testaram positivo para covid – mas os testes ainda estão em andamento para verificar se é a mesma variante.

Blackmore disse no programa Today que todos em cinco áreas com código postal de South Gloucestershire estavam sendo convidados a fazer um teste de covid, mesmo que não apresentassem sintomas. Ela disse que o teste extra é uma "medida de precaução" e que o risco para a comunidade é "baixo".

O portador do terceiro caso na Inglaterra ainda não foi identificado. A pessoa supostamente usou um kit de autocoleta, mas o cartão de registro do teste está incompleto.

Os três casos na Escócia foram encontrados entre passageiros assintomáticos que voaram em 29 de janeiro de Londres para Aberdeen no vôo BA1312. Eles estavam voltando do Brasil, via Paris e Londres, e o teste foi positivo enquanto se isolavam.

Outros passageiros que estavam no mesmo voo para Aberdeen estão sendo contatados em um esforço para confirmar que não houve transmissão comunitária da variante P1.

A Secretária de Saúde Jeane Freeman disse nesta segunda-feira que "não há razão" para acreditar que a variante está em circulação comunitária na Escócia.

"Quero enfatizar que atualmente não há razão para acreditar que a variante P1 do vírus esteja em circulação na Escócia", disse Freeman.

"Esses três casos nos lembram mais uma vez o quão cuidadosos precisamos ser ao nos proteger contra novas variantes. É por isso que o governo escocês implementou restrições de viagens tão fortes", acrescentou.

* Com informações da BBC, The Guardian, Edinburgh News

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