Os novos estudos usaram métodos diferentes.

O estudo Genomic characteristics and clinical effect of the emergent SARS-CoV-2 B.1.1.7 lineage in London, UK: a whole-genome sequencing and hospital-based cohort study, publicado nesta segunda-feira (12) na revista científica The Lancet Infectious Diseases, comparou a gravidade da doença em pacientes infectados com B.1.1.7 e outras variantes em dois hospitais de Londres: University College London Hospital e North Middlesex Hospital.

Um segundo estudo, Changes in symptomatology, reinfection, and transmissibility associated with the SARS-CoV-2 variant B.1.1.7: an ecological study, publicado nesta segunda-feira na revista científica The Lancet Public Health, combinou dados coletados pelo aplicativo móvel Zoe Covid Symptom Study do Reino Unido com registros de vigilância do Consórcio Covid-19 Genomics UK e Public Health England.

Ambos os estudos confirmaram descobertas anteriores de que B.1.1.7 é pelo menos 35% mais transmissível. Mas, uma vez que os dados foram ajustados para fatores demográficos e epidemiológicos, nenhum estudo encontrou uma associação entre a variante e os sintomas mais graves da doença.

“Um dos verdadeiros pontos fortes de nosso estudo é que ele foi executado ao mesmo tempo que o B.1.1.7 estava emergindo e se espalhando por Londres e no sul da Inglaterra”, disse a Dra. Eleni Nastouli, autora principal do estudo da UCL, ao Financial Times.

“Analisar a variante antes do pico de internações hospitalares e quaisquer tensões associadas no serviço de saúde nos deu uma janela de tempo crucial para obter insights vitais sobre como o B.1.1.7 difere em gravidade ou morte em pacientes hospitalizados na primeira onda”, acrescentou.

O estudo UCL é o primeiro no Reino Unido a usar dados de sequenciamento completo do genoma gerados em tempo real para confirmar casos de B.1.1.7.

Em contraste, estudos anteriores foram realizados entre grupos de pessoas com diagnóstico de covid-19 na comunidade, e não no hospital.

O Dr. Nicholas Davies, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, autor de um dos estudos anteriores, argumentou que a nova pesquisa "não refuta" as conclusões de seu grupo de que a infecção B.1.1.7 tem maior probabilidade de resultar em sintomas graves e internação hospitalar.

“No geral, a evidência sugere que o B.1.1.7 tem mais probabilidade de levá-lo ao hospital do que variantes pré-existentes de Sars-Cov-2”, disse Davies. “Mas, uma vez no hospital, não há diferenças substanciais nos resultados – ou pelo menos nenhuma que seja estatisticamente significante por enquanto, dada a limitação de tamanhos pequenos de amostra”.

A discussão sobre a virulência do B.1.1.7 espelhou o debate no início da pandemia, quando a chamada mutação D614G substituiu a versão original do vírus Sars-Cov-2 como cepa dominante.

“Dados iniciais em nível de população sugeriram que [D614G] estava associado ao aumento da mortalidade de covid-19, mas estudos posteriores não encontraram nenhum efeito na gravidade da doença”, escreveram os pesquisadores Sean Wei Xiang Ong, Barnaby Young e David Chien Lye na The Lancet Infectious Diseases. “Uma avaliação epidemiológica e clínica cuidadosa, juntamente com um ceticismo saudável, é importante ao avaliar as alegações do efeito dessas variantes”.

Atualização 14/04

Duas doses da vacina AstraZeneca Covid-19 apresentaram eficácia de apenas 10% contra infecções leves a moderadas causadas pela variante B.1.351 da África do Sul, de acordo com um ensaio clínico de fase 1b-2 publicado na terça-feira (13) no New England Journal of Medicine. Este é um motivo de grande preocupação, pois as variantes sul-africanas compartilham mutações semelhantes às outras variantes, deixando os vacinados com a vacina AstraZeneca potencialmente expostos a múltiplas variantes.

* Com informações do Financial Times

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