A imunidade de rebanho, também chamada de imunidade de grupo ou coletiva, depende da maioria de uma comunidade ganhar imunidade – seja por vacinação ou infecção natural – fornecendo proteção indireta para aqueles sem imunidade.

Contudo, as vacinas existentes não impedem que uma pessoa totalmente vacinada seja infectada por mutações do coronavírus SARS-CoV-2, como a variante Delta, e transmita o vírus para outras pessoas.

Em reunião com parlamentares britânicos, Pollard, que preside o Joint Committee on Vaccination and Immunisation (JCVI), disse que suspeita que surgirão variantes talvez ainda melhores na transmissão em populações vacinadas, o que seria um motivo decisivo para não fazer programas de vacinação com objetivo de alcançar imunidade de grupo – "não há como impedir o surgimento de novas variantes, elas vão acontecer", alertou o cientista da Universidade de Oxford.

"Antes de mais nada, precisamos nos concentrar agora, não no que pode impedir novas variantes, porque não acho que tenhamos qualquer forma de controlar isso", disse Pollard. "Precisamos nos concentrar em pensar sobre como evitar que as pessoas morram ou sejam hospitalizadas".

"E eu acho que isso é uma coisa extremamente importante para se pensar hoje, porque, durante o curso desta semana, haverá cerca de 65.000 mortes no mundo", destacou.

O cientista ponderou que "mais de quatro bilhões de doses de vacinas" já foram administradas em todo o mundo, uma quantidade "suficiente para evitar quase todas essas mortes e, ainda assim, elas continuam".

"Então, quando você pensa sobre qual deveria ser a estratégia do Reino Unido em torno das variantes, não acho que haja nada que possamos fazer. Mas o que podemos fazer é desempenhar um papel mais ativo no imperativo global, que é impedir que as pessoas morram", disse Pollard. "Isso significa ter certeza de que as doses estão indo para as pessoas certas".

Com o tempo, haverá uma mudança de testes comunitários de infecções leves para testes clínicos de pessoas que não se sentem bem – o foco deve ser a melhoria do tratamento para as pessoas gravemente doentes no hospital, defendeu Pollard.

"Acho que à medida que olhamos para a população adulta daqui para frente, se continuarmos a perseguir os testes da comunidade e estivermos preocupados com esses resultados, vamos acabar em uma situação em que estaremos constantemente aplicando doses de reforço para tentar lidar com algo que não é administrável", disse.

"É preciso passar para testes conduzidos clinicamente, nos quais as pessoas desejam ser testadas, tratadas e gerenciadas, em vez de muitos testes comunitários. Se alguém não está bem, deve ser testado, mas para seus contatos, se estiverem bem, faz sentido eles estarem na escola e sendo educados".

"Pandemia de casos"

Até recentemente, esperava-se que o aumento do número de vacinados no Reino Unido traria imunidade de grupo à população. Ainda na semana passada, o JCVI disse que um dos motivos pelos quais recomendou a vacinação de jovens de 16 e 17 anos foi porque poderia ajudar a prevenir uma nova onda de infecções no inverno europeu.

No entanto, uma análise da Public Health England sugere que quando as pessoas vacinadas contraem o vírus, elas têm uma carga viral semelhante à dos indivíduos não vacinados.

Paul Hunter, professor da Universidade de East Anglia e especialista em doenças infecciosas, disse ao comitê: "O conceito de imunidade de rebanho é inatingível porque sabemos que a infecção se espalhará em populações não vacinadas e os dados mais recentes sugerem que duas doses é provavelmente apenas 50 por cento protetor contra infecções".

Hunter, que assessora a Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que é hora de mudar a forma como os dados são coletados e registrados.

"Precisamos começar a deixar de apenas relatar infecções, ou apenas relatar casos positivos admitidos no hospital, para realmente começar a relatar o número de pessoas que estão doentes por causa do vírus", disse o especialista.

"Caso contrário, estaremos nos assustando com números muito altos que, na verdade, não se traduzem em carga de doenças", acrescentou Hunter.

Um número crescente de cientistas diz que é hora de aceitar que não há maneira de impedir a propagação do vírus por toda a população, e monitorar pessoas com sintomas leves não ajuda mais.

Angela Merkel se tornou a primeira líder mundial a anunciar o fim dos testes gratuitos, previstos para serem encerrados na Alemanha a partir de 11 de outubro.

Atualização 21/08/2021

Aumenta no Rio número de mortes de idosos com duas doses de vacina

Segundo a Agência Brasil, "sem divulgar estatísticas, a Secretaria Estadual de Saúde observou aumento na morte de idosos com esquema vacinal completo na semana epidemiológica de 30 de maio e 5 de junho de 2021".

"O tipo de imunizante não foi relevante no resultado da análise, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde", acrescentou a agência estatal de notícias.

"Segundo a Secretaria, os técnicos estão avaliando se os óbitos estão ocorrendo devido à redução da imunidade provocada pelo tempo, já que os idosos foram os primeiros a serem vacinados, por isso, está sendo avaliada a necessidade de se aplicar uma terceira dose na população da faixa etária".

É uma hipótese notável para vacinas que começaram a ser aplicadas em fevereiro, com intervalo de várias semanas entre as doses, e cujo esquema vacinal só é considerado "completo" após duas semanas da 2ª dose.  

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