“A vacinação não impede a terceira onda, a terceira onda está crescendo”, disse o Ministro ao visitar um dos centros de vacinação em Berlim na segunda-feira (5).

Spahn descreveu a situação nas unidades de terapia intensiva (UTI) da Alemanha como "preocupante" e disse que o número de pessoas em tratamento em UTIs aumentou para mais de 4.000 no fim de semana da Páscoa.

Mais da metade dos pacientes internados está em ventilação invasiva.

Spahn pediu que a Alemanha “quebrasse essa terceira onda juntos”, limitando os contatos mais uma vez.

O Ministro da Saúde disse que os contatos devem ser restritos principalmente “no setor privado, nas escolas, no trabalho sempre que possível”. Ele também citou Reino Unido, Chile e Estados Unidos ao afirmar que mesmo as nações com maior índice de vacinação ainda recorrem às restrições de contato quando necessário.

Spahn pediu aos estados alemães que lutem contra a terceira onda com lockdowns. As regiões que teriam sua taxa média de infecção de sete dias ultrapassando 100 deveriam usar o chamado “freio de emergência” e reintroduzir algumas restrições.

As projeções alarmistas de Spahn foram criticadas pelo chefe do Health Research Institute de Berlim, Bertram Haeussler.

Haeussler disse ao jornal Die Welt no início desta semana que a Alemanha não está assistindo uma terceira onda nacional de Covid-19, mas sim vários grupos de infecção localizados principalmente perto da fronteira com a República Tcheca e a Polônia, bem como em torno de grandes fábricas de carne.

“Os problemas da onda atual são os mesmos da primeira e da segunda”, disse Haeussler. “Se houver incidências tão altas nessas regiões de fronteira que aumentem significativamente a média nacional [taxa de infecção], então o lockdown em toda a Alemanha não parece uma [decisão] particularmente inteligente”.

Quando os modelos que prevêem a terceira onda mostram crescimento exponencial, “sempre parece que foi exclusivamente trabalho do assustador mutante B.117; como se a humanidade fosse indefesa ”, disse Haeussler, referindo-se à variante britânica.

“No entanto, tudo o que vejo são clusters regionais e hotspots; condados que não conseguiram controlar seus problemas desde o início da pandemia”, disse Haeussler, conclamando o governo a desenvolver uma abordagem “feita sob medida” em vez de apenas forçar as regiões ao lockdown.

Atualização

Duas doses da vacina AstraZeneca Covid-19 apresentaram eficácia de apenas 10% contra infecções leves a moderadas causadas pela variante B.1.351 da África do Sul, de acordo com um ensaio clínico de fase 1b-2 publicado na terça-feira (13) no New England Journal of Medicine. Este é um motivo de grande preocupação, pois as variantes sul-africanas compartilham mutações semelhantes às outras variantes, deixando os vacinados com a vacina AstraZeneca potencialmente expostos a múltiplas variantes.

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