A Universidade de Oxford e a AstraZeneca injetarão em dezenas de crianças um produto experimental – uma perspectiva que deixa muitos pais nervosos, em um momento de crescente desafio às imunizações em massa.

A vacina de Oxford foi testada primeiro em adultos, com efeitos colaterais leves, como estado febril e braço dolorido.

Agora será administrada a 10.260 pessoas, entre adultos e crianças.

O recrutamento para testes de vacinação infantil no Reino Unido geralmente é feito nos consultórios médicos.

Uma vantagem de participar pode ser que a equipe de ensaios clínicos dê à criança outras imunizações de rotina em visitas domiciliares durante o estudo. Não há incentivo financeiro e os pais podem retirar seus filhos a qualquer momento.

À medida que as escolas e os berçários começam a reabrir em vários países, o comitê de consultores científicos do governo do Reino Unido diz que há "uma incerteza substancial" sobre o impacto na pandemia.

Alguns pais se perguntam se não deveriam deixar para mais tarde a vacinação de seus filhos, depois que outras pessoas contribuiram para torná-la segura, considerando que existem evidências de que as crianças não contraem o vírus tão facilmente quanto os adultos e sofrem sintomas mais leves.

De acordo com Shamez Ladhani, consultor pediátrico de doenças infecciosas do St. George's Hospital em Londres e epidemiologista consultor da Public Health England, embora existam riscos, as reações adversas são raras – tanto que nem sempre são notadas até que a vacina seja colocada à venda e seja dada a muitos outros pacientes, disse Ladhani.

"Alguns efeitos colaterais você não descobre até que tenham sido dadas 100.000 doses – isso é sempre uma preocupação", disse Ladhani. "Mas não há um ensaio clínico grande o suficiente que possa captar esses efeitos".

* Com informações da Bloomberg

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