O estudo Comparative immunogenicity of mRNA and inactivated vaccines against COVID-19, divulgado na quinta-feira (15), descobriu que os níveis de anticorpos entre os profissionais de saúde de Hong Kong que foram totalmente vacinados com o imunizante de mRNA da Pfizer/BioNTech são cerca de 10 vezes maiores do que aqueles observados nos recipientes da vacina de vírus inativados da chinesa Sinovac.

Foram investigadas amostras de sangue de 1.442 profissionais de saúde de hospitais públicos e privados e clínicas médicas em Hong Kong.

Os testes laboratoriais preliminares envolveram 93 participantes para os quais existem dados completos sobre as concentrações de anticorpos antes da vacinação, após a primeira dose e após a segunda. Estes incluíram 63 participantes (56% do sexo masculino, idade mediana de 37 anos, intervalo de 26-60 anos) que foram totalmente imunizados com a vacina de mRNA BNT162b2 (Comirnaty) e 30 participantes (23% do sexo masculino, idade mediana de 47 anos, intervalo de 31-65 anos ) que receberam as duas doses da vacina inativada CoronaVac.

Em profissionais de saúde que receberam a vacina da Pfizer, as concentrações de anticorpos aumentaram substancialmente após a primeira dose e aumentaram novamente após a segunda dose de vacinação. Em um subconjunto de 12 participantes para os quais foram obtidos resultados de PRNT (plaque-reduction neutralization), após a segunda dose, a concentração (titre) de PRNT50 (50% plaque-reduction neutralization) médio geométrico foi de 269 e o titre de PRNT90 médio geométrico foi de 113, informa o estudo.

Em contraste, os profissionais de saúde que receberam a vacina CoronaVac tinham baixas concentrações de anticorpos após a primeira dose, aumentando para concentrações moderadas após a segunda dose.  Em um subconjunto de 12 participantes, após a segunda dose, a média geométrica do titre de PRNT50 foi de 27 e a média geométrica do titre de PRNT90 foi de 8.

A diferença nas concentrações de anticorpos neutralizantes pode se traduzir em diferenças substanciais na efetividade da vacina, destacam os autores.

O estudo não incluiu dados sobre outros potenciais correlatos de proteção, como células T ou anticorpos de citotoxicidade celular dependente de anticorpos.

"Estudos futuros podem investigar estratégias alternativas para aumentar as concentrações de anticorpos e proteção clínica em recipientes de vacinas inativadas, incluindo a administração de doses de reforço", sugere o artigo.

Países que têm confiado principalmente em vacinas mRNA da Pfizer/BioNTech e da Moderna, viram uma redução acentuada das infecções, enquanto aqueles que usam principalmente vacinas de vírus inativados das farmacêuticas chinesas Sinovac e Sinopharm não lograram sucesso em reduzir significativamente o número de infecções.

No Brasil, o governo paulista promove a CoronaVac como "a vacina do Butantan".

Turquia, Tailândia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, entre outros, já estão oferecendo doses de reforço à população vacinada com CoronaVac (Sinovac) e BBIBP-CorV (Sinopharm).

A Tailândia e a Indonésia anunciaram suas políticas de doses de reforço em meio a preocupações crescentes sobre a eficácia da vacina CoronaVac depois que pessoas nesses países morreram de covid-19, apesar de terem sido inoculadas com duas doses da vacina da Sinovac.

Na segunda-feira (12), o governo da Tailândia disse que planeja utilizar a vacina da AstraZeneca para aqueles que receberam a vacina CoronaVac como sua primeira dose. A decisão foi tomada após relatos não confirmados sobre a baixa eficácia da CoronaVac e a morte de uma enfermeira que recebeu as duas doses do imunizante chinês.

Já a Indonésia, planeja uma terceira dose para a maioria dos 1,47 milhão de trabalhadores médicos inoculados com CoronaVac, usando a vacina de mRNA da Moderna para protegê-los da variante indiana (Delta), altamente contagiosa.

Um grupo de voluntários da Indonésia que acompanha os dados da pandemia, o LaporCOVID-19, disse que mais de 1.100 profissionais de saúde sucumbiram ao vírus desde o início da pandemia. Pelo menos 85 morreram neste mês, embora alguns tenham sido totalmente vacinados com CoronaVac.

Dias depois que a Tailândia e a Indonésia anunciaram que seus cidadãos vacinados com CoronaVac receberão a 2ª dose ou dose de reforço de um outro imunizante, o Ministro da Saúde da Malásia, Adham Baba, disse na quinta-feira (15) que o país deixará de usar a vacina CoronaVac, sem especificar o motivo,

“Então, começou em Kelantan e logo outros estados seguirão. Como um substituto para o resto da população que será vacinada, daremos [a vacina] da Pfizer”, disse Adham em coletiva de imprensa.

O Diretor-Geral de Saúde Noor Hisham disse a repórteres no mesmo encontro que a principal vacina para o programa de vacinação covid-19 do país seria agora a vacina da Pfizer.

O anúncio coincidiu com a quebra do recorde diário de casos de covid-19 na Malásia pelo terceiro dia consecutivo, com 13.215 novas infecções e 110 novas mortes relacionadas ao vírus SARS-CoV-2.

Hisham disse que a variante Delta foi a causa do aumento da infecção e atualmente é a mutação dominante na Malásia.

A variante Delta pode infectar após apenas 15 segundos de contato próximo com um caso positivo, em comparação com os 15 minutos que as variantes anteriores haviam mostrado, disse Noor Hisham.

Com mais de 880.000 testes positivos e 6.600 mortes por covid-19 até agora, a Malásia tem uma das maiores taxas de infecção per capita do Sudeste Asiático, mas também uma das maiores taxas de vacinação, com cerca de 26% de sua população de 32 milhões de habitantes tendo recebido pelo menos uma dose de um imunizante, segundo o The Sydney Morning Herald.

Atualização 19/07

O Secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou nesta segunda-feira (19) que a partir de janeiro de 2022 será iniciada a revacinação contra coronavírus para toda a população do Estado.

"Isto não é um reforço. Isto é uma necessidade que nós temos de estar sempre, anualmente, fazendo uma proteção. Nós chamamos de reforço vacinal quando eu uso uma terceira ou quarta dose. Nós estamos seguindo a prerrogativa das vacinas pra vírus respiratórios como da gripe, que anualmente recebem uma imunização", explicou Gorinchteyn.

“O Estado de São Paulo vai iniciar seguramente uma nova campanha a partir do dia 17 de janeiro do próximo ano. Nós entendemos que nessa articulação junto com o próprio Ministério da Saúde e o Conass, também terão esse entendimento, para que possamos expandir essa nova fase da vacinação não apenas para São Paulo, mas para todo o País”, acrescentou o Secretário.

O Ministério da Saúde afirmou, porém, que não há evidência científica sobre a necessidade de uma campanha anual de vacinação contra o vírus.

Além da CoronaVac, o Butantan está fabricando uma outra vacina experimental, licenciada dos EUA e que está sendo testada no Vietnã e na Tailândia. Segundo Gorinchteyn, já existem 20 milhões de doses produzidas aguardando envase.

O governo paulista está promovendo a vacina americana com o nome de ButanVac.

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