“Em lares de idosos noruegueses, uma média de 350 a 400 pessoas morrem por semana. Muitos dos que vivem em lares de idosos têm doenças subjacentes graves, como insuficiência cardíaca, demência, derrame", explicou o diretor médico da Agência Norueguesa de Medicamentos, Steinar Madsen.

"Enquanto você estiver vacinando os mais fracos e vulneráveis é provável que haja mortes próximas ao momento da vacinação em si", disse Madsen, objetivando afastar possíveis dúvidas de parentes sobre a causa dos falecimentos.

Nas duas primeiras semanas da campanha de vacinação 23 idosos morreram após receber as injeções. Até agora, foram vacinadas 33.000 pessoas.

A Agência Norueguesa de Medicamentos e o Instituto Norueguês de Saúde Pública (NIPH) estão investigando todos esses óbitos e já relacionaram 13 deles aos efeitos colaterais da vacina da Pfizer-BioNtech.

Todos eram residentes de lares de idosos que estavam muito doentes ou frágeis e tiveram reações excepcionalmente fortes à vacina.

"Os relatórios sugerem que reações adversas comuns às vacinas de mRNA, como febre e náusea, podem ter contribuído para um desfecho fatal em alguns pacientes frágeis", disse Sigurd Hortemo, médico-chefe da Agência Norueguesa de Medicamentos.

Os estudos sobre a vacina da Pfizer-BioNtech (Comirnaty) não incluíram voluntários com doença instável ou aguda.

Além das mortes, foram registrados casos de imunizados que desenvolveram efeitos colaterais significativos, incluindo nove casos graves.

"Deve ser feita uma avaliação para determinar se é apropriado administrar a vacina a residentes de asilos que estão muito doentes ou frágeis. Não porque a vacina seja perigosa, mas porque pode-se esperar que morram em breve de causas naturais", disse Stuwitz Berg, diretor médico do NIPH.

O NIPH atualizou seu guia de vacinação na segunda-feira (11). O documento agora instrui os médicos a avaliar cuidadosamente os residentes de asilos antes de lhes dar a vacina.

"Para aqueles com fragilidade mais grave, no entanto, mesmo os efeitos colaterais da vacina relativamente leves podem ter consequências graves. Para aqueles que têm um tempo de vida restante muito curto, o benefício da vacina pode ser marginal ou irrelevante", diz o guia.

Madsen concorda com o NIPH que as avaliações de cada indivíduo devem ser feitas antes da vacinação.

"Há duas razões para a avaliação. Uma, é a expectativa de vida do paciente, e muitos em asilos têm uma perspectiva curta de vida. A segunda, é que alguns dos pacientes mais velhos podem ter os mesmos efeitos colaterais dos mais jovens – febre, vômitos, mal-estar e falta de apetite, o que pode levá-los a beber muito pouco", diz Madsen. "É sobre perspectivas de vida e riscos para o paciente".

“É uma avaliação individual. É difícil dar conselhos muito específicos sobre como fazer, é algo que precisa ser considerado pelo médico que conhece o paciente, em consulta com a enfermeira e familiares”, acrescenta Madsen.

Efeitos colaterais entre os mais velhos

Os estudos para aprovação temporária da vacina presumem que quaisquer efeitos colaterais serão os mesmos nos grupos mais velhos ou mais jovens, escreveu a Agência Norueguesa de Medicamentos em um comunicado à imprensa.

Portanto, pouco se sabe sobre como os efeitos colaterais afetarão os mais velhos.

"O que emergiu do que foi revisto até agora é que os efeitos colaterais comuns e geralmente leves podem ter um impacto mais sério nos mais doentes", disse Madsen.

"Se uma pessoa muito frágil e com uma doença subjacente for vacinada e ocorrer uma forte reação com febre, náuseas e diminuição do apetite, a evolução da doença subjacente pode ser mais grave", acrescentou.

Diversos relatórios de suspeitas de reações adversas são recebidos diariamente e estão sendo avaliados continuamente pela agência reguladora e pelo NIPH.

"A maioria das pessoas vacinadas deve esperar efeitos colaterais leves e transitórios, como dor no local da injeção, dor de cabeça ou febre. Na maioria dos casos, esses efeitos colaterais são completamente inofensivos e passam em um curto período de tempo", assegurou Madsen.

Atualização 17/01 - O número de óbitos após a inoculação aumentou de 23 para 30. A idade do paciente menos idoso caiu de 80 anos para 75 anos.

“Estamos cientes de que mortes também foram relatadas em outros países, mas não temos detalhes completos sobre isso ainda”, disse a agência de medicamentos da Noruega. “Também há diferenças entre os países em quem é priorizado para vacinação, e isso também pode afetar a notificação de efeitos colaterais, incluindo morte”. (Bloomberg)

* Com informações do VG, Legemiddelverket, Folkehelseinstituttet

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