Atualização 07/02 - A África do Sul irá suspender o uso da vacina covid AstraZeneca/Oxford em seu programa de imunizações, informou o Ministro da Saúde Zweli Mkhize neste domingo (7), após o jornal britânico Financial Times adiantar resultados de um estudo clínico conduzido pela Universidade de Witwatersrand que será divulgado na segunda-feira (8).

Cientistas do Ministério da Saúde sul-africano vão analisar os dados e decidir a melhor forma de proceder.
Atualização 10/02 - Entre 350.000 e 500.000 profissionais de saúde na África do Sul devem ser inoculados com uma dose da vacina covid da Johnson & Johnson (J&J), em meio a questionamentos sobre a eficácia da vacina AstraZeneca/Oxford.

Na quarta-feira (10), o Ministro da Saúde da África do Sul, Zweli Mkhize, confirmou que na próxima semana começará a imunização com a vacina experimental da J&J, ainda não aprovada.

O governo espera receber cerca de 80.000 doses a cada 7 a 14 dias como parte de um "estudo de implementação" global da J&J, disse a presidente do Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul, Glenda Gray, à Reuters.

Gray é co-investigadora principal da parte da África do Sul do estudo, que examinará o imunizante da J&J de maneira semelhante aos estudos de Fase IIIB, que reúnem mais dados sobre a eficácia de novos medicamentos enquanto os reguladores tomam sua decisão sobre a aprovação.

A vacina foi testada em dose única em 6.500 pessoas na África do Sul, onde foi considerada 57% eficaz e também protegeu contra a mutação 501Y.V2 do vírus SARS-CoV-2, dominante no país.
Atualização 15/02 -   A Agência Coreana de Controle e Prevenção de Doenças (KDCA) anunciou nesta segunda-feira (15) que não administrará a vacina da AstraZeneca / Oxford em indivíduos com mais de 65 anos devido à falta de dados.

A decisão marca uma reversão da declaração da semana passada do Vice-Ministro da Saúde sul-coreano Kim Gang-lip, que disse que maiores de 65 anos receberiam a vacina da AstraZeneca, a primeira a ser aprovada no país. A incapacidade de ser usada em maiores de 65 anos leva o programa de vacinação sul-coreano ao caos, já que profissionais de saúde e residentes idosos são os primeiros na fila.

Recentemente, Áustria e Portugal também decidiram não administrar a vacina da AstraZeneca / Oxford em pessoas com mais de 65 anos, somando 11 países (Suiça, África do Sul, Eswatini [Suazilândia], Polônia, Suécia, Alemanha, França, Itália, Áustria, Portugal e Coreia do Sul) com restrição total ou parcial ao uso do imunizante britânico.
Atualização 17/02 - O presidente da África do Sul foi vacinado com o imunizante covid-19 da Johnson & Johnson, juntando-se a milhares de profissionais de saúde que participam de um ensaio clínico para testar a eficácia da vacina de dose única contra a variante local do SARS-CoV-2.

O presidente Cyril Ramaphosa instou os sul-africanos a tomarem a vacina em um vídeo onde está recebendo a imunização na quarta-feira (17).

"Tomar a vacina foi rápido, fácil e não tão doloroso. Exorto todos os nossos profissionais de saúde a se registrarem para receber suas vacinas, pois são nossa primeira linha de defesa contra a pandemia", disse Ramaphosa em rede social.

A África do Sul recebeu 1 milhão de doses da vacina da AstraZeneca na semana passada, como parte de um pedido de 1,5 milhão de doses do Serum Institute.

Contudo, a vacina covid AstraZeneca/Oxford não parece oferecer proteção contra doenças covid-19 leves e moderadas causadas pela variante viral identificada na África do Sul.

“Um regime de duas doses não mostrou proteção contra covid-19 leve-moderada”, diz o estudo.

A variante 501Y.V2, dominante na África do Sul, foi recentemente descoberta em países de todo o mundo, incluindo os Estados Unidos e o Reino Unido.

Liderado pela Universidade de Witwatersrand da África do Sul, o estudo recrutou 2.026 indivíduos HIV negativos, com idade média de 31 anos. Metade do grupo recebeu pelo menos uma dose de placebo, com a outra metade recebendo pelo menos uma dose da vacina AstraZeneca/Oxford.

Não foram observados sintomas severos de covid entre os participantes, não sendo possível determinar a eficácia da vacina em casos graves da doença.

Oxford se recusou a comentar os resultados do estudo, dizendo apenas que está trabalhando com parceiros em todo o mundo, incluindo na África do Sul, para avaliar os efeitos de novas variantes na primeira geração de sua vacina covid.

A AstraZeneca observou que começou a adaptar a vacina contra esta variante de modo que esteja pronta no outono se necessário.

Tulio de Oliveira, que dirige a Rede de Vigilância Genômica na África do Sul, disse ao Financial Times que as descobertas foram um “alerta para controlar o vírus e aumentar a resposta à covid-19 no mundo”.

Embora todas as vacinas covid até o momento tenham obtido sucesso contra a variante viral que surgiu no Reino Unido (B.1.1.7), tanto a Johnson & Johnson quanto a Novavax disseram que suas vacinas foram menos eficazes em ensaios realizados na África do Sul.

A BioNTech / Pfizer disse que sua vacina foi ligeiramente menos eficaz em um estudo de laboratório usando um pseudovírus com algumas mutações da variante 501Y.V2, mas não publicou os resultados dos testes.

A Moderna disse que vai testar uma injeção de reforço e uma vacina reformulada para atingir a variante sul-africana, depois que estudos mostraram que sua vacina era significativamente menos eficaz.

* Com informações do The Financial Times, Reuters

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