Um dos centros de investigação mais renomados do mundo, este grupo proeminente, liderado pelo Dr. Peter Horby, conduziu o estudo RECOVERY, que demonstrou e encontrou os benefícios dos corticosteroides em casos mais graves de covid-19.

Agora o estudo PRINCIPLE (Platform Randomised trial of INterventions against covid-19 In older people), apoiado pelo governo do Reino Unido, busca tratamentos precoces com drogas de baixo custo e fáceis de administrar, como a ivermectina e o favipiradir, que possam ser usadas em casa logo após o aparecimento dos sintomas de covid-19. O objetivo é encontrar um medicamento que tenha impacto nos estágios iniciais da infecção, prevenindo doenças graves.

A ivermectina há décadas é usada no tratamento de animais e pessoas infestadas com parasitas. O ensaio procura confirmar se pode realmente inibir o coronavírus.

Os defensores chamam a ivermectina de "droga milagrosa", mas outros dizem que sua eficácia no tratamento de covid-19 não foi devidamente avaliada.

Embora a droga tenha propriedades antivirais e antiinflamatórias potenciais, “há uma lacuna nos dados”, disse ao Times Chris Butler, professor de cuidados primários da Universidade de Oxford e co-chefe do ensaio. “Não houve um teste realmente rigoroso".

O estudo empregará uma série de canais para recrutar voluntários, de médicos até sistemas de rastreamento de contatos no Reino Unido, para encontrar pacientes com mais de 65 anos e aqueles com mais de 50 anos com problemas de saúde que possam representar um risco maior.

O Times relata que alguns especialistas, como Penny Ward, professora visitante de medicina farmacêutica no King's College London, criticam o protocolo do estudo.

“Eles estão permitindo uma janela de recrutamento de 14 dias a partir do início dos sintomas, mas o pico do vírus ocorre no terceiro dia – e é tarde demais para usar um antiviral após o pico de replicação do vírus”, disse Ward.

"Se você não intervir muito rapidamente com um antiviral, você terá um teste fracassado – embora o medicamento poderia, de fato, ter sido eficaz se administrado corretamente”, acrescentou.

Antivirais

Um crescente clamor por drogas que podem ser usadas no início da doença, para impedir a progressão da gravidade infecciosa, não se refletiu nas pesquisas realizadas até o momento.

O estudo PRINCIPLE descobriu que os antibióticos azitromicina e doxiciclina não são tratamentos eficazes para covid-19. Ambas as drogas estão sendo usadas por alguns médicos na esperança de tratar covid-19 nos estágios iniciais da doença.

"Azitromicina e doxiciclina têm efeitos antiinflamatórios, antibacterianos e possivelmente antivirais e, portanto, foram considerados como potenciais tratamentos para covid-19 na comunidade. Enquanto estamos completando a análise de toda a gama de resultados do estudo, e em diferentes grupos de pacientes, nossos resultados mostram que um curso de azitromicina de três dias ou um curso de sete dias de doxiciclina não tem benefício clínico importante em termos de tempo decorrido a se sentir recuperado e, portanto, não ajudará a maioria dos pacientes com covid-19 nos estágios iniciais da doença. Esses são dois achados importantes, já que tanto a azitromicina quanto a doxiciclina têm sido usadas para tratar covid-19 na comunidade, mesmo na ausência de suspeita de pneumonia bacteriana, então essa prática deve ser agora reconsiderada - particularmente porque o uso excessivo de antibióticos na comunidade pode alimentar o surgimento de resistência antimicrobiana", explicou Chris Butler.

O Times falou com Nick Cammack, da Wellcome Trust, que compartilhou que há apenas dois novos candidatos fortes a antivirais em preparação.

Um é chamado Molunpiravir (EIDD-2801) da Merck. Na forma de comprimido, aparentemente foi projetado para interferir com uma enzima da qual o vírus depende para se replicar. Cammack disse que, se os testes clínicos forem bem sucedidos, o medicamento poderá estar disponível no terceiro trimestre de 2021.

A outra droga antiviral que está sendo desenvolvida é a AT-527 da Roche.

Atualização 30/01 - O governo de Tóquio planeja realizar testes clínicos do medicamento antiparasitário ivermectina para avaliar sua eficácia contra a covid-19 em possível uso doméstico.

Os ensaios serão realizados em infectados com sintomas leves. A resposta à ivermectina será comparada com aqueles que receberam um placebo.

O Hospital Universitário Kitasato administrará a droga a 240 pacientes até o final de março para ver se encurta o tempo para obter resultado negativo em testes PCR.

A ivermectina foi desenvolvida pelo professor emérito da Universidade Kitasato Satoshi Omura, pelo qual ele ganhou o Prêmio Nobel de 2015. A droga provou ser eficaz na erradicação de infecções parasitárias na África e em outras regiões. Foi administrado a bilhões de pessoas e nenhum efeito adverso sério foi relatado.

Atualização 04/02 - A Merck Sharp & Dohme, fabricante do medicamento STROMECTOL® (ivermectina), declarou em nota que "os cientistas da empresa continuam a examinar cuidadosamente as descobertas de todos os estudos disponíveis e emergentes de ivermectina para o tratamento de covid-19 para evidências de eficácia e segurança".

De acordo com análise da farmacêutica, "os dados disponíveis não suportam a segurança e eficácia da ivermectina além das doses e populações indicadas nas informações de prescrição aprovadas pela agência reguladora":

  • Não há base científica para um efeito terapêutico potencial contra covid-19 de estudos pré-clínicos;
  • Não existe evidência significativa para atividade clínica ou eficácia clínica em pacientes com doença covid-19, e;
  • Faltam dados de segurança na maioria dos estudos, o que é preocupante.

STROMECTOL é indicado para o tratamento de estrongiloidíase intestinal devido ao parasita nematóide Strongyloides stercoralis e para o tratamento da oncocercose causada pelo parasita nematóide Onchocerca volvulus.

* Com informações do The Times, University of Oxford, Nikkei, Merck Sharp & Dohme

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