Os preparativos dos embaixadores da União Europeia (UE) para o sétimo pacote serão retomados nesta quinta e sexta-feira (14 e 15), e provavelmente serão aprovados pelos Estados-membros até meados da próxima semana, disseram vários diplomatas do bloco à EURACTIV.

A Europa está tentando prosseguir com uma política de sanções coordenada com seus aliados e com o G7. A principal sanção é a introdução de um teto sobre os preços do petróleo russo. O presidente americano está tentando convencer os países árabes e a OPEP a aumentarem a produção de petróleo, a fim de reduzir seu preço. Se for bem sucedido, pode não ser necessário introduzir um teto de preço.

O pacote incluiria a proibição da importação de ouro russo, que representa a maior exportação não energética do país. Seria uma sanção simbólica, uma vez que as medidas punitivas anteriores impostas a Moscou fecharam os mercados europeus e norte-americanos, incluindo centros comerciais em Londres e Zurique.

Segundo a Casa Branca, a Rússia exportou US$ 19 bilhões em ouro em 2020, cerca de 5% dos embarques globais. Quase US$ 17 bilhões foram de vendas para o Reino Unido. Os Estados Unidos importaram menos de US$ 1 milhão em 2020 e 2021.

Além disso, a principal sanção não se aplicará às joias, informou a edição europeia do jornal Politico na sexta-feira, deixando brechas para contornar a proibição.

O sétimo pacote também ampliará uma lista de bens de uso duplo proibidos para exportação para a Rússia e incluirá mais listas de indivíduos e entidades ligadas ao círculo mais amplo do presidente russo Vladimir Putin, relata a EURACTIV.

Além disso, o novo pacote de sanções teria como objetivo incluir o fechamento de brechas para medidas punitivas previamente aprovadas, como a adição de certos produtos à lista de mercadorias proibidas.

Mas qualquer restrição às importações de gás não virá facilmente.

A maioria dos Estados-membros da UE argumenta que as sanções estão funcionando, mas levará tempo até que o seu impacto total na economia russa apareça. A Hungria defende que a UE deve parar de adicionar sanções e, em vez disso, pressionar por um cessar-fogo e o início das negociações.

O Primeiro-Ministro húngaro, Viktor Orbán, tem criticado a política de sanções, apontando que não está cumprindo o objetivo e está prejudicando os europeus. "Bruxelas pensava que a política de sanções iria prejudicar os russos, mas está a prejudicar-nos mais", afirmou à rádio húngara. "Primeiro pensei, já demos um tiro no pé, mas a economia europeia deu um tiro nos pulmões e está ofegante por ar".

O chefe de gabinete de Orbán, Gergely Guillas, disse na quarta-feira (13) que seu país estava declarando um "estado de emergência no setor de energia". A consequência prática serão restrições à exportação de gás para países vizinhos, em um movimento destinado a garantir o fornecimento de energia da Hungria em meio à diminuição das entregas de gás da Rússia.

Alguns Estados-membros, notadamente da Europa Oriental, continuam a pressionar para adicionar mais medidas sobre a energia aos próximos pacotes.

Outros diplomatas da UE, no entanto, ressaltam que não há chance para tal opção, uma vez que vários países europeus permanecem altamente dependentes das importações russas de energia, especialmente o gás.

Na próxima semana, a Comissão deverá pedir aos 27 países do bloco para que o ar refrigerado dos edifícios públicos não fique abaixo dos 25º C (e o aquecimento acima dos 19º C) objetivando cortar o consumo de gás. "Energia poupada durante o verão é energia que pode ser usada no inverno", segundo documento a que a AFP teve acesso.

Atualização 15/07/2022

Os países europeus pela primeira vez em seis anos superaram a Ásia em termos de consumo de petróleo americano, relata nesta sexta-feira (15) a Bloomberg, citando dados da principal agência de estatísticas dos Estados Unidos – o Census Bureau.

De janeiro a maio, a Europa recebeu cerca de 213 milhões de barris de petróleo, enquanto a Ásia recebeu 191 milhões de barris.

Como os EUA e seus aliados impuseram sanções às importações de petróleo russo, a Europa tornou-se mais ativa na importação dos Estados Unidos, explica a agência.

O embargo imposto pela União Europeia e pelos Estados Unidos sobre a compra de petróleo russo levou a Rússia a redirecionar grandes volumes para outros mercados, principalmente para a Índia e a China.

No encontro de cúpula do Grupo dos Sete, os líderes prometeram considerar a possibilidade de limitar o preço do petróleo russo, proibindo a prestação de serviços para seu transporte por mar se o valor exceder um teto "acordado pelos parceiros internacionais".

O vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak considera limitar os preços do petróleo da Rússia outra tentativa de interferir nos mecanismos de mercado, o que só pode levar a desequilíbrio de mercado, escassez de energia e aumento de preços.

Atualização 15/07/2022

Como antecipado, a Comissão Europeia (CE) ofereceu um novo pacote de sanções contra Moscou, incluindo o embargo às importações russas de ouro, e estendeu-as até janeiro próximo, disse a CE em comunicado esta sexta-feira (15).

"Portanto, estamos propondo hoje endurecer nossas duras sanções da UE contra o Kremlin, aplicá-las de forma mais eficaz e prorrogá-las até janeiro de 2023", disse Ursula von der Leyen, presidente da CE.

"O pacote de hoje introduzirá uma nova proibição de importação do ouro russo, ao mesmo tempo em que reforça nossos controles de exportação de tecnologia dupla e avançada. Ao fazê-lo, reforçará o alinhamento das sanções da UE com as dos nossos parceiros do G7. Também reforçará os requisitos de relatórios para endurecer o congelamento de ativos da UE", observou a Comissão Europeia.

"O pacote também reitera que as sanções da UE não visam de forma alguma o comércio de produtos agrícolas entre países terceiros e a Rússia, Da mesma forma, o texto esclarece o escopo exato de algumas sanções financeiras e econômicas", disse a CE.

"Finalmente, propõe-se estender as atuais sanções da UE por seis meses, até a próxima revisão no final de janeiro de 2023", acrescentou.

A decisão deve agora ser aprovada pelo Conselho da União Europeia.

Atualização 18/07/2022

Os ministros das Relações Exteriores dos países da UE em uma reunião planejada em Bruxelas nesta segunda-feira (18) concordaram com o novo pacote de sanções contra a Rússia, que não contém restrições adicionais ao fornecimento de energia. O anúncio foi feito a jornalistas durante uma pausa na reunião pelo Ministro das Relações Exteriores da Hungria Peter Szijjártó.

"Foram acordadas novas sanções da UE contra a Rússia, que até agora dizem respeito principalmente ao esclarecimento das regras e não contêm restrições ao transporte de energia", disse a agência de notícias MTI. Szijjártó também observou que, "apesar dos esforços de alguns Estados-membros da UE", o novo pacote não inclui sanções contra o Gazprombank, através dos quais passam os pagamentos de fornecimento de gás russo para a Europa.

O novo pacote de sanções inclui 48 indivíduos.

"Outros 48 indivíduos serão adicionados à lista de sanções da UE, incluindo o vice-primeiro-ministro russo e vários líderes políticos regionais, bem como nove organizações", disse Szijjártó. Ele observou que o pacote será finalizado ainda nesta segunda-feira pelos representantes permanentes dos países da UE em uma reunião em Bruxelas.

As sanções incluirão a proibição da comercialização de bens de uso duplo e ouro, e também incluem restrições às compras públicas e aceitação de depósitos, proibição de serviços contábeis e auditorias.

Szijjártó confirmou que, segundo o governo húngaro, a União Europeia deve dar prioridade para alcançar a paz na Ucrânia, e não para desenvolver novas sanções contra a Rússia. No entanto, a Hungria decidiu apoiar em Bruxelas as propostas de seus parceiros da UE para "não violar a unidade da comunidade".

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