Elliott argumenta que o recente anúncio dos EUA de enviar lançadores de foguetes para a Ucrânia é a prova de que as sanções não estão funcionando: "A esperança é que a tecnologia militar moderna dos EUA alcance o que as proibições de energia e a apreensão de ativos russos até agora não conseguiram fazer: forçar Putin a retirar suas tropas".

Em um ensaio de 30 de maio, um colega de Elliott do jornal, o colunista Simon Jenkins, disse que os embargos não apenas falharam em forçar uma retirada da Rússia, como as sanções realmente elevaram o preço de suas exportações, entre elas petróleo e grãos – enriquecendo, em vez de empobrecer, Moscou –, deixando os europeus sem gás e os africanos sem comida.

Nesta sexta-feira (3), o Conselho da União Europeia decidiu impor um sexto pacote de sanções contra a Rússia e a Bielorrússia.

Os europeus agora estão buscando ficar sem petróleo e sem combustíveis.

"Com o pacote de hoje, estamos aumentando as limitações à capacidade do Kremlin de financiar a guerra, impondo novas sanções econômicas. Estamos proibindo a importação de petróleo russo para a UE e com isso cortar uma enorme fonte de receita para a Rússia. Estamos cortando mais dos principais bancos russos do sistema internacional de pagamentos SWIFT. Também estamos sancionando os responsáveis pelas atrocidades que ocorreram em Bucha e Mariupol e proibindo mais atores de desinformação contribuindo ativamente para a propaganda de guerra do presidente Putin", disse Josep Borrell, Alto Representante para Assuntos Externos e Política de Segurança da União Europeia.

A UE foi inicialmente projetada para ser um instrumento de integração, mas agora está se transformando em uma organização que busca influenciar processos além de suas fronteiras em termos de seus interesses, utilizando ferramentas econômicas e políticas, com a possibilidade de empregar ações militares no futuro.

Petróleo e derivados

A União Europeia decidiu proibir a compra, importação e transferência de petróleo e certos produtos petrolíferos da Rússia. Os Estados-Membros têm 6 meses para encerrar as importações de petróleo e 8 meses para refinados.

Prevê-se uma exceção temporária para as importações de petróleo por oleoduto para os países do bloco que, devido à sua situação geográfica, não têm alternativas viáveis.

A Bulgária e a Croácia se beneficiarão de derrogações temporárias relativas à importação marítima de petróleo e Vacuum Gas Oil (VGO) russos, respectivamente.

De acordo com os cálculos da Comissão Europeia, as sanções cortarão 92% do comércio de petróleo russo no bloco até o final deste ano.

SWIFT

A UE está estendendo a proibição existente sobre a prestação de serviços de mensagens financeiras (SWIFT) ao Sberbank – o maior banco da Rússia; ao Credit Bank of Moscow; ao Russian Agricultural Bank; e ao Belarusian Bank For Development And Reconstruction.

Radiodifusão

A UE está suspendendo as atividades de radiodifusão no bloco de mais três veículos estatais russos: Rossiya RTR/RTR Planeta, Rossiya 24 / Russia 24 e TV Centre International.

"Essas estruturas têm sido usadas pelo Governo russo como instrumentos para manipular informações e promover desinformação sobre a invasão da Ucrânia, incluindo propaganda, com o objetivo de desestabilizar os países vizinhos da Rússia e a UE e seus Estados-membros", diz nota do Conselho da UE.

Restrições à exportação

A UE está ampliando a lista de pessoas e entidades em causa com as restrições à exportação relativas a bens e tecnologias de uso duplo. Tais adições à lista incluem entidades russas e bielorrussas. A UE também ampliará a lista de bens e tecnologias que podem contribuir para o aprimoramento tecnológico do setor de defesa e segurança da Rússia, incluindo 80 produtos que podem ser usados para produzir armas químicas.

Serviços de consultoria

A UE proibirá a prestação de serviços contábeis, de relações públicas e de consultoria.

Indivíduos e Entidades

O Conselho decidiu sancionar indivíduos e entidades adicionais.

"Os responsáveis pelas atrocidades cometidas pelas tropas russas em Bucha e Mariupol, personalidades que apoiam a guerra, principais empresários e familiares de oligarcas listados e funcionários do Kremlin, bem como empresas da área da defesa e organizações financeiras", diz a nota do Conselho da UE.

Foto: © European Council
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Atualização 04/06/2022

O sexto pacote de sanções contra a Rússia terá um efeito autodestrutivo para a União Europeia, disse o Ministério das Relações Exteriores russo em um comunicado emitido na quinta-feira (2), após o anúncio da aprovação das novas medidas pelo Conselho da UE.

"Obviamente, os principais componentes do próximo pacote de restrições unilaterais anti-russas, acordadas sob o slogan de combater a dependência da Rússia, terão um efeito autodestrutivo para a União Europeia. Não é à toa que Bruxelas levou quase um mês para forçar os países membros a esta demonstração 'decisiva' de solidariedade", diz o documento.

O Ministério observou que uma rejeição parcial do petróleo russo, bem como a proibição do seguro de navios mercantes, desencadeará novos aumentos de preços, desestabilizará os mercados de energia e interromperá as cadeias de fornecimento.

"Os próximos obstáculos no caminho das mercadorias russas afetarão, em particular, o fornecimento de produtos agrícolas. Em última análise, tais ações alcançarão o resultado oposto – prejudicarão a economia e a segurança energética da UE, acelerarão a iminente crise alimentar global, que Bruxelas verbalmente busca evitar", afirmou o Ministério das Relações Exteriores.

"Toda a responsabilidade pelos riscos de exacerbação das questões globais de alimentos e energia provocadas pelas ações ilegítimas da União Europeia será unicamente de Bruxelas e seus patrocinadores políticos em Washington", diz o documento.

Em sua declaração, o Ministério destaca que as repressões contra jornalistas e mídia russas nos países da UE são mais um exemplo de duplo padrão.

"Uma nova proibição da transmissão de mais três canais de TV russos foi aprovada. Isso, infelizmente, já se tornou a norma para o 'farol' da democracia e do pluralismo. Em outras palavras, o espaço de informação ocidental está finalmente sendo limpo de dissidências e sinais de liberdade de expressão".

O comunicado apontou também para o fato de que, em 30 de maio, os líderes da UE novamente não disseram uma única palavra sobre o cenário para uma solução negociada pacificamente da situação na Ucrânia.

"Pelo contrário, a União Europeia está propositalmente empurrando Kiev para cada vez mais perto da beira do abismo".

Moscou afirmou que as restrições unilaterais de Bruxelas não são apenas fúteis, mas também prejudicam principalmente os próprios residentes dos países da UE, agravando sua já difícil situação socioeconômica.

"Nesta situação, a UE pedir que países terceiros apoiem as sanções anti-russas, independentemente dos interesses de sua população, soa francamente cínico", enfatizou o Ministério das Relações Exteriores.

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