Em 1º de junho, as autoridades americanas anunciaram que estavam alocando um novo pacote de 700 milhões de dólares de assistência militar à Ucrânia, que inclui o lançador de foguetes e mísseis HIMARS e sua munição.

Mais de 20 tipos de munição foram desenvolvidas para o HIMARS, com o alcance de disparo variando de 30-80 km no modo MLRS (Multiple Launch Rocket System), a 300 km ou mais como um sistema de mísseis.

Em 13 de julho, o Deputado Fedor Venislavsky, membro do Comitê Parlamentar de Segurança Nacional, Defesa e Inteligência, disse a jornalistas que a Ucrânia "em todos os níveis" está negociando com os Estados Unidos sobre a necessidade de fornecer mísseis ao país para o HIMARS com um alcance de 300 km.

Washington disse anteriormente que não forneceria à Ucrânia mísseis com um alcance de 300 km por receio de que pudessem ser usados para atacar territórios russos, escalando consideravelmente o conflito em curso entre Kiev e Moscou.

O Ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksiy Reznikov, por sua vez, disse que tais pedidos foram enviados há muito tempo, "a conversa continua", mas ressaltou que os membros do Parlamento não são participantes das negociações.

Reznikov disse ao The Wall Street Journal na semana passada que os mísseis HIMARS deram à Ucrânia a capacidade de disparar profundamente em território controlado pelas tropas da Rússia e atacar dois pontos fracos: centros logísticos e instalações de comando e controle.

No entanto, a Ucrânia precisaria de mísseis com um alcance de mais de 150 km, disse Reznikov, nesta terça-feira (19), falando remotamente no "Atlantic Council".

"Começamos a usar mísseis para HIMARS e MLRS M270 com um alcance de 80 km, mas provamos aos nossos parceiros que podemos usá-los economicamente e com precisão. As tropas russas começaram a se retirar longe de nossas posições, por isso precisamos de mísseis de longo alcance – mais de 100, mais de 150 km – para bombardeá-los e ser mais eficazes", disse Reznikov.

Segundo o ministro, "para uma contraofensiva eficaz" a Ucrânia precisará de "pelo menos 100 [HIMARS e MLRS M270], o que pode mudar significativamente o quadro no campo de batalha".

De acordo com o Pentágono, os EUA forneceram a Kiev doze sistemas HIMARS desde o início do conflito. Na semana passada, o país recebeu seu primeiro M270 MLRS.

Também nesta terça-feira, o Secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia (NSDC), Alexei Danilov, confirmou que "há algum entendimento de que já começamos a receber projéteis que são enviados muito mais longe do que era no início. E esperamos que o que precisamos, o alcance, apareça em breve no território do nosso país".

Para Eduard Basurin, porta-voz da Milícia Popular da DPR, os mísseis para HIMARS com alcance de 300 km já foram entregues à Ucrânia.

"Esta declaração foi feita, o que significa que posso dizer com certeza que esse tipo de arma já existe na Ucrânia", disse Basurin ao canal de TV Russia-1 nesta terça-feira, comentando a declaração de Danilov sobre projéteis com alcance de 300 km.

Basurin disse que, após declarações sobre o fornecimento do HIMARS com alcance de até 70 km, eles encontraram detritos de mísseis com alcance de 120 km. "Assim, se eles agora declaram 150-180 km, e talvez 300 km, eles já existem".

O Ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, disse a seus generais que aniquilar os mísseis de longo alcance da Ucrânia fornecidos pelos EUA e outros aliados da OTAN deve ser sua prioridade.

Durante uma inspeção recente, Shoigu disse ao comandante do grupo de batalha Vostok da Rússia para usar "ataques cirúrgicos e esmagar os meios de mísseis e artilharia de longo alcance do inimigo".

A Rússia acusa Kiev de usar mísseis de longo alcance como o HIMARS para bombardear áreas residenciais e depósitos de grãos, além de incendiar campos de trigo, em áreas agora sob o controle de Moscou.

Crimea

O Vice-Ministro da Defesa da Ucrânia, Volodymyr Havrylov, disse em Londres que Kiev está se preparando para afundar a frota russa do Mar Negro e tomar a Crimea com a ajuda de armas ocidentais.

Havrylov disse que a Ucrânia espera receber armas de longo alcance de outros países antes de lançar um ataque. “Estamos recebendo armas antinavio e mais cedo ou mais tarde atacaremos a frota”, disse ao The Times na segunda-feira (18).

O vice-ministro explicou ainda que Kiev está discutindo com os países ocidentais a possibilidade de usar as armas que eles forneceram para atacar a Crimea.

Volodymyr Havrylov disse ao jornal britânico que atacar a frota poderá ajudar a Ucrânia a retomar a Crimea, que a Rússia anexou em 2014.

"A Rússia terá que deixar a Crimea se quiser existir como um país", desafiou.

"Temos uma ameaça permanente da frota russa do Mar Negro. Dadas as novas tecnologias e capacidades que recebemos, temos que enfrentar essa ameaça", continuou. "Estamos prontos para alcançá-los em todo o Mar Negro se tivermos essa capacidade".

Havrylov não é a primeira autoridade ucraniana a sugerir que a frota russa poderia ser alvo do armamento vendido pelo Ocidente. Faltou combinar com os russos.

O Mar Negro toca as fronteiras da Rússia, Ucrânia, Turquia, Bulgária, Geórgia e Romênia.
O Mar Negro toca as fronteiras da Rússia, Ucrânia, Turquia, Bulgária, Geórgia e Romênia.

Em meados de julho, Vadim Skibitsky, porta-voz da Diretoria Principal de Inteligência do Ministério da Defesa ucraniano, disse que Kiev poderia usar mísseis americanos para atacar a Crimea.

As declarações do Ministério da Defesa da Ucrânia sobre a intenção de destruir a Frota do Mar Negro da Rússia e retomar a Crimea apenas confirmam a justificativa da operação militar especial russa, disse à TASS nesta terça-feira o Secretário de Imprensa do Presidente da Federação Russa, Dmitry Peskov.

"Tais declarações, que contêm reivindicações ao território russo, mais uma vez falam da correção e da justificativa absoluta da operação militar especial, porque somente por esses meios a Ucrânia pode se livrar de tais representantes da liderança", disse Peskov.

Atualização 20/07/2022

O Secretário de Defesa dos EUA Lloyd Austin, falando nesta quarta-feira (20) em uma coletiva de imprensa, após uma reunião regular do grupo criado pelos países ocidentais para coordenar a assistência militar a Kiev, afirmou que os Estados Unidos estão transferindo para a Ucrânia foguetes para o HIMARS com 80 km de alcance, e não estão inclinados a começar a fornecer projéteis com alcance maior.

"O alcance é de 80 km. Portanto, este é um alcance bastante bom", disse Lloyd Austin, respondendo a perguntas sobre se os Estados Unidos pretendem fornecer munição à Ucrânia para o HIMARS com um alcance maior.

"Acreditamos o seguinte: o que eles têm é com o que eles trabalham, realmente lhes dá grande potencial", enfatizou, referindo-se aos suprimentos militares enviados do Ocidente para Kiev.

Segundo Austin, os projéteis para o HIMARS que os Estados Unidos estão atualmente enviando para as Forças Armadas da Ucrânia, permitem-lhes "atacar alvos mais distantes" que antes estavam fora do alcance. "Acredito que eles agiram de forma muito eficaz em termos de atingir alvos, criando um efeito que, eu acho, nos mostrará dividendos no futuro", argumentou o Secretário.

"Tomamos conhecimento dos combates e de suas análises e, em seguida, fornecemos recursos conforme necessário. Fornecer um sistema de armas é uma coisa. Ao mesmo tempo, é necessário fornecer treinamento [para seu uso] e fornecer munição", disse Austin.

"Como você o aplica, como o integra com outros sistemas no campo de batalha, é fundamental [...] Vamos nos concentrar no que eles acham que são suas necessidades, com base em como o combate está se desenvolvendo", acrescentou.

Atualização 25/07/2022

As obrigações da Rússia nos termos dos acordos de grãos em Istambul não a proíbem de continuar a operação especial na Ucrânia, destruindo a infraestrutura militar, como confirmado pela ONU, declarou nesta segunda-feira (25) o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, após uma visita à República do Congo.

Lavrov destacou que os mísseis Harpoon anti-navio (RPC) em poder da Ucrânia não mais representam uma ameaça para a Rússia após o ataque das Forças Armadas russas à infraestrutura militar do porto marítimo de Odessa.

"Quanto aos alvos em que foram infligidos ataques de alta precisão, eles estão localizados em uma parte separada do Porto de Odessa, na chamada unidade militar, e esses alvos eram um navio de combate da Marinha ucraniana e um depósito de munição, onde mísseis Harpoon anti-navio foram recentemente entregues. Eles foram entregues com o objetivo de criar ameaças à Frota do Mar Negro da Rússia. Agora esses Harpoons não representam ameaças para nós", disse o diplomata.

O Harpoon é um míssil anti-navio desenvolvido e fabricado pela americana McDonnell Douglas (agora Boeing Defense, Space & Security), que pode ser lançado de embarcações, submarinos, aviões e de plataformas terrestres.

O representante oficial do Ministério da Defesa da Federação Russa, tenente-general Igor Konashenkov, disse a repórteres mais cedo que as Forças Armadas russas atingiram a área do estaleiro em Odessa com mísseis de alta precisão, destruindo um navio no cais e um depósito de mísseis Harpoon entregues pelos Estados Unidos. De acordo com Konashenkov, as instalações para o reparo e modernização de navios das Forças Navais da Ucrânia foram "desativadas".

Atualização 31/07/2022

Na manhã deste domingo (31), um dispositivo explosivo de baixa potência montado em um drone improvisado explodiu na sede da Frota do Mar Negro em Sevastopol, na República da Crimea.

O governador de Sevastopol, Mikhail Razvozhaev, relatou que seis pessoas ficaram feridas como resultado da explosão. As celebrações planejadas na cidade federal para o Dia da Marinha Russa foram canceladas devido a preocupações com a segurança.

Atualização 05/07/2022

Segundo fontes da Reuters, o próximo pacote de assistência de segurança do governo Biden para a Ucrânia deverá ser de US$ 1 bilhão, um dos maiores até agora, e inclui munições para armas de longo alcance.

O novo pacote também permite que os ucranianos recebam tratamento médico em um hospital militar dos EUA na Alemanha, perto da base aérea de Ramstein.

Espera-se que o auxílio seja anunciado na segunda-feira (8), somando cerca de US$ 8,8 bilhões em ajuda que os Estados Unidos deram à Ucrânia desde  24 de fevereiro.

Na segunda-feira passada, o Pentágono anunciou um pacote separado de assistência de segurança para a Ucrânia avaliado em US$ 550 milhões, incluindo munição adicional para sistemas de foguetes de artilharia de alta mobilidade (HIMARS).

Até agora, os Estados Unidos enviaram 16 HIMARS para a Ucrânia e, em 1º de julho, prometeram enviar dois sistemas National Advanced de mísseis terra-ar (NASAMS).

Não está claro se os lançadores NASAMS, fabricados em conjunto pela Raytheon Technologies e pela norueguesa Kongsberg, já estão na Ucrânia e se as munições serão fornecidas por outro país.

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