Documentos e outras evidências de laboratórios financiados pelos EUA na Ucrânia sugerem que Kiev planeja usar drones para implantar patógenos contra o Donbass, bem como a própria Rússia, afirmou Moscou nesta quarta-feira (30).

Fatos na posse dos militares russos "provam que o regime de Kiev estava considerando seriamente a possibilidade de usar armas biológicas contra a população de Donbass e da Federação Russa", disse Konashenkov.

O Ministério da Defesa disse ainda que identificou funcionários do governo americano envolvidos no desenvolvimento de armas biológicas na Ucrânia.

A Rússia identificou "funcionários que participaram na criação de componentes de armas biológicas", informou o general sem citar nomes, dizendo apenas que são "chefes de divisão e funcionários do Departamento de Defesa dos EUA, bem como seus principais empreiteiros".

Os desenvolvimentos estão "diretamente relacionados com o filho do atual presidente dos EUA, Hunter Biden", acrescentou Konashenkov.

Na semana passada, o Daily Mail publicou e-mails mostrando os laços de Biden com a empreiteira do Pentágono Metabiota, especializada em pesquisar potenciais patógenos causadores de pandemias que poderiam ser usados como armas biológicas.

O envolvimento de Biden no financiamento dos EUA de biolabs ucranianos foi trazido pelo Tenente-General Igor Kirillov, comandante das Forças russas de Proteção Nuclear, Biológica e Química, na última quinta-feira (24).

Os resultados da análise de documentos e outras evidências obtidas em biolabs ucranianos serão compartilhados com detalhes "em um futuro próximo" com a imprensa, afirmou Konashenkov.

N.E.: Em 31 de março, o Kremlin divulgou os documentos e evidências. Ver atualização abaixo.

Mentiras

"O Kremlin está intencionalmente espalhando mentiras de que os Estados Unidos e a Ucrânia estão conduzindo atividades de armas químicas e biológicas na Ucrânia.  Também vimos autoridades da China ecoarem essas teorias conspiratórias.  Esta desinformação russa é um total absurdo e não é a primeira vez que a Rússia inventa tais falsas alegações contra outro país.  Além disso, essas alegações foram desmascaradas conclusivamente e repetidamente ao longo de muitos anos", diz nota de 9 de março da Secretária de Estado dos EUA.

"Os Estados Unidos não possuem ou operam nenhum laboratório químico ou biológico na Ucrânia", afirma o comunicado.

No dia anterior, a Subsecretária de Estado Victoria Nuland, quando questionada se a Ucrânia possui “armas químicas ou biológicas” no Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, testemunhou que a Ucrânia possui laboratórios de pesquisa biológica e os EUA estão trabalhando com Kiev para evitar que "qualquer um desses materiais de pesquisa caia nas mãos das forças russas".

“Uh, a Ucrânia tem, uh, instalações de pesquisa biológica. Estamos agora de fato bastante preocupados que as tropas russas, as forças russas, podem estar procurando, uh, tomar o controle [desses laboratórios]. Então estamos trabalhando com os ucranianos sobre como eles podem evitar que qualquer um desses materiais de pesquisa caia nas mãos das forças russas caso eles se aproximem”, respondeu Nuland.

Glenn Greenwald comentou o depoimento de Nuland no Senado:

"A única razão para estar 'bastante preocupado' com as 'instalações de pesquisa biológica' caindo em mãos russas é se elas contiverem materiais sofisticados que os cientistas russos ainda não desenvolveram por conta própria e que poderiam ser usados para fins nefastos", especula Greenwald.

"O que há nesses laboratórios biológicos ucranianos que os tornam tão preocupantes e perigosos? A Ucrânia, que não é conhecida por ser uma grande potência com pesquisa biológica avançada, teve a assistência de qualquer outro país no desenvolvimento dessas substâncias perigosas? A assistência americana está confinada ao que Nuland descreveu na audiência [...] ou se estendeu à construção e operação das próprias 'instalações de pesquisa biológica'?", questiona Greenwald.

Há muito encarregada da política dos EUA na Ucrânia, Nuland é uma das principais autoridades americanas envolvidas no golpe de estado de 2014 que derrubou o governo ucraniano eleito democraticamente. Ela foi gravada planejando o golpe e decidindo quem seria instalado como líder da Ucrânia, abrindo a crise no Donbass que resultou nas duas repúblicas separatistas.

O Ministério das Relações Exteriores da China publicou este mês que “os EUA têm 336 laboratórios em 30 países sob seu controle, incluindo 26 somente na Ucrânia“.

"A realidade indiscutível é que – apesar das longas convenções internacionais que proíbem o desenvolvimento de armas biológicas – todos os países grandes e poderosos realizam pesquisas que, no mínimo, têm a capacidade de serem convertidas em armas biológicas. O trabalho realizado sob o disfarce de pesquisa defensiva pode ser, e às vezes é, facilmente convertido nas próprias armas proibidas", observa Greenwald.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia também comentou o depoimento de Nuland, pedindo que Washington explique à comunidade internacional o objetivo dos laboratórios biológicos financiados pelos EUA na Ucrânia.

"Lembramos por quantos anos e com que resultados sangrentos os Estados Unidos procuraram vários tipos de armas químicas, biológicas, bacteriológicas e assim por diante em todo o mundo, ocupando terras e matando pessoas", disse a porta-voz do ministério, Maria Zakharova. Ela disse que Kiev começou recentemente a apagar os vestígios desses programas biológicos.

"Recebemos documentação de funcionários ucranianos dos laboratórios biológicos sobre a destruição urgente de patógenos especialmente perigosos, peste, antraz, cólera e outras doenças mortais em 24 de fevereiro".

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a questão é de grande importância e que o mundo inteiro gostaria de saber o propósito desses laboratórios.

Receita para a guerra

O Senador Rand Paul (R-Kentucky) disse na segunda-feira (28) que as faculdades mentais em declínio do presidente Joe Biden representam um "risco à segurança nacional" que poderão arrastar os EUA para uma guerra com a Rússia. Biden apareceu mais cedo para recuar do seu pedido de remoção do presidente Vladimir Putin do poder e, em seguida, pediu novamente a queda do líder russo.

Biden disse a repórteres que "não estava articulando uma mudança na política" quando chamou Putin de um "carniceiro" que "não pode permanecer no poder" durante visita à Polônia no fim de semana. Apesar de assegurar à imprensa que não estava demandando mudança de regime em Moscou, Biden reafirmou que Putin "não deveria estar no poder".

"Na verdade, é um risco para a segurança nacional, porque ele está enviando sinais que ninguém em seu juízo perfeito gostaria de enviar para a Rússia neste momento", disse Paul. "Não estamos tentando substituir Putin na Rússia. Não estamos tentando mudar de regime. Não vamos enviar tropas para a Ucrânia, e não vamos responder na mesma moeda com armas químicas", afirmou, referindo-se a duas outras declarações que Biden fez e a Casa Branca recuou.

Essas declarações envolveram Biden dizendo a soldados dos EUA estacionados na Polônia que eles seriam enviados para a Ucrânia, e que os Estados Unidos "responderiam na mesma moeda" a um hipotético uso russo de armas químicas no campo de batalha. Ambas as ações resultariam em uma guerra aberta entre os EUA e a Rússia, algo que Biden disse repetidamente que queria evitar.

Embora Paul tenha condenado a ofensiva militar russa na Ucrânia, o senador da oposição se opõe a qualquer envolvimento dos Estados Unidos no conflito. Antes da intervenção da Rússia, Paul insistiu que a Ucrânia "não deveria e não pode ser nosso problema resolver", e que a adesão do país à aliança da OTAN – que os EUA e seus aliados insistem ser seu direito – seria "uma receita para a guerra e o desastre".

O apelo de Paul pela temperança ecoa o do presidente francês Emmanuel Macron, que disse no domingo (27) que "não usaria tais palavras" [carniceiro, entre outras] para descrever Putin, e que seu principal objetivo em relação à Ucrânia é "alcançar primeiro um cessar-fogo e depois a retirada total das tropas [russas] por meios diplomáticos".

"Se quisermos fazer isso, não podemos escalar, seja em palavras ou ações", disse Macron à emissora France 3.

Atualização 31/03/2022 (via RT)

Os militares russos apresentaram documentos que mostram o interesse da Ucrânia em usar drones para espalhar patógenos desenvolvidos em laboratórios ucranianos financiados pelos EUA.

Os nomes de funcionários americanos envolvidos nos projetos dos biolabs e o papel de Hunter Biden foram tornados públicos nesta quinta-feira (31).

Uma das principais evidências foi uma carta da empresa ucraniana Motor Sich ao fabricante turco de drones Baykar Makina – fabricantes dos UAVs Bayraktar TB2 e Akinci – com data de 15 de dezembro de 2021. Os ucranianos perguntaram especificamente se os drones poderiam transportar 20 litros de carga aerossolizada para um alcance de 300 quilômetros – colocando-os ao alcance de uma dúzia de grandes cidades russas e quase toda a Bielorrússia.

"Estamos falando do desenvolvimento pelo regime de Kiev de meios técnicos de entrega e uso de armas biológicas com a possibilidade de seu uso contra a Federação Russa", disse o Tenente-General Igor Kirillov, Comandante das Forças Russas de Proteção Nuclear, Biológica e Química.

Kirillov também fez referência a uma patente dos EUA (nº 8.967.029) para um mecanismo para lançar patógenos aerossolizados de um drone. A resposta dos EUA a um inquérito russo de 2018 sobre essa patente não negou sua existência, mas alegou que tecnicamente não violou as obrigações de Washington sob os tratados que proíbem armas químicas e biológicas, apontou.

Kirillov mostrou contratos assinados entre agências do governo dos EUA – Agência de Redução de Ameaças de Defesa (DTRA), Pentágono, Departamento de Estado – e o Ministério da Saúde ucraniano, bem como as instalações específicas dentro da Ucrânia. O Pentágono gastou mais de US$ 30 milhões para pesquisa biológica em apenas uma instalação ucraniana, o Centro de Saúde Pública do Ministério da Saúde, de acordo com os militares russos.

O funcionário da DTRA Robert Pope foi "uma das figuras-chave" no programa, e "o autor da ideia de criar um depósito central de microrganismos especialmente perigosos em Kiev", disse Kirillov. Os projetos biológicos do Pentágono na Ucrânia foram coordenados por Joanna Wintrol, chefe do escritório da DTRA em Kiev, até que ela saiu em agosto de 2020. Ela supervisionou diretamente os projetos UP-4, UP-6 e UP-8 para estudar patógenos mortais, incluindo antraz, febre congo-crimisana e leptospirose, segundo Kirillov.

O ponto de contato da agência norte-americana foi a Ministra da Saúde da Ucrânia (2016-2019) Ulyana Suprun, ela mesma cidadã dos EUA, observou Kirillov, enquanto um dos principais intermediários foi a empreiteira privada Black & Veatch, cujo escritório em Kiev era chefiado por Lance Lippencott. Outro empreiteiro do Pentágono, Metabiota, também teve um papel no projeto.

Kirillov disse que Hunter Biden – filho do atual presidente dos EUA Joe Biden – desempenhou "um papel importante na criação de uma oportunidade financeira para trabalhar com patógenos no território da Ucrânia", apontando para vários e-mails entre ele e executivos da Metabiota e da Black & Veatch. Em particular, ele descreveu o Vice-Presidente da Metabiota como "um confidente de Hunter Biden", com base em sua correspondência. De acordo com o general, a "imprensa ocidental" confirmou a autenticidade desses e-mails.

Até Kiev estava preocupado com os biolabs, de acordo com um memorando que Kirillov mostrou. Uma carta de 2017 do departamento de Kherson do Serviço de Segurança ucraniano (SBU) disse que a DTRA e a Black & Veach pretendem "estabelecer o controle sobre o funcionamento de laboratórios microbiológicos na Ucrânia realizando pesquisas sobre patógenos de infecções particularmente perigosas que podem ser usadas para criar ou modernizar novos tipos de armas biológicas".

Apontando para um documento de junho de 2019 do Centro de Saúde Pública do Ministério da Saúde da Ucrânia, Kirillov se perguntou por que insistia em sigilo e exigia que incidentes "graves" "incluindo a morte dos sujeitos" tivessem que ser reportados às autoridades de bioética dos EUA dentro de 24 horas – quando outros documentos sobre esse programa específico apenas referenciam o trabalho padrão de amostragem de sangue.

"Não excluímos que o programa oficial de pesquisa seja apenas a 'parte visível do iceberg', enquanto, na prática, os voluntários foram infectados pelo vírus da febre congo-crimeia, hantavírus e o agente causador da leptospirose", disse o general, acusando os EUA de "uma atitude desrespeitosa em relação aos cidadãos da Ucrânia", e tratando-os como cobaias para experimentação biológica e médica.

Os EUA dizem há muito tempo que as alegações sobre biolaboratórios financiados pelo Pentágono na Ucrânia eram "desinformação russa". No início deste mês, no entanto, a diplomata norte-americana Victoria Nuland testemunhou perante o Senado que "laboratórios de pesquisa biológica na Ucrânia" existiam, e que Washington estava trabalhando com Kiev "para garantir que os materiais da pesquisa biológica não caiam nas mãos das forças russas".

Segundo Kirillov, todos os biomateriais patogênicos armazenados na Ucrânia foram "transportados por aeronaves de transporte militar para os Estados Unidos via Odessa", no início de fevereiro de 2022. Em 24 de fevereiro, quando as tropas russas entraram na Ucrânia, o Ministério da Saúde em Kiev ordenou que as cepas restantes fossem destruídas, disse o general.

Kirillov disse que a intervenção russa interrompeu as atividades em cinco biolabs ucranianos que estavam trabalhando com antraz, tularemia, brucelose, cólera, leptospirose e peste suína africana.

© RT. Texto original Russia presents new evidence on Ukraine biolabs

Atualização 16/04/2022

"Um dos jornalistas mais proeminentes da Polônia, Konstanty Gebert, disse que está deixando o que muitos consideram como o jornal de registro do país depois que exigiu que Gebert descrevesse o controverso Batalhão Azov da Ucrânia como 'extrema-direita' em vez de 'neonazista'", escreveu neste sábado (16) Glenn Greenwald.

Leitura recomendada:

Veja também: