Em um comunicado na terça-feira (10), o Gas Transmission System Operator of Ukraine (GTSOU) notificou que não era mais capaz de continuar o trânsito de gás russo em Sokhranovka para a Europa por motivo de "força maior" (force majeure).

A empresa disse que perdeu o controle da estação compressora Novopskov e pararia de aceitar gás no ponto de conexão de Sokhranovka.

A estação movimenta até 32,6 milhões de metros cúbicos por dia, ou cerca de um terço do gás russo que flui via Ucrânia para a Europa, de acordo com o operador.

A Ucrânia sugeriu que o ponto de conexão Sudzha fosse usado.

Sokhranovka está localizada no norte da região de Rostov, na Rússia, e Novopskov está situada na parte da República Popular de Lugansk (LPR) que costumava ser controlada pelos militares ucranianos antes do início da operação militar especial da Rússia. A LPR mantém o controle de Novopskov desde 4 de março.

Sudzha está localizada mais ao norte, na região de Kursk, na Rússia, perto da Região Sumy da Ucrânia (as tropas russas se retiraram daquela área fronteiriça da Ucrânia no final da primeira fase da operação).

Existem algumas restrições técnicas que não tornam possível redirecionar rapidamente os fluxos de gás para outras rotas, observou o vice-diretor-geral do Instituto Nacional de Energia, Alexander Frolov. Ele apontou que o sistema de transmissão de gás da Ucrânia foi estabelecido na era soviética com o objetivo de abastecer a República com base na capacidade de exportação.

"É por isso que, além dos consumidores na União Europeia, a medida para suspender o trânsito de gás também prejudicará os consumidores das Repúblicas Donetsk e Lugansk e da Ucrânia", alertou o especialista.

"Na situação atual, a Ucrânia terá que cumprir escrupulosamente suas obrigações para evitar colocar em risco o trânsito de gás para a Europa", enfatizou o vice-diretor-geral do Fundo Nacional de Segurança Energética da Rússia, Alexey Grivach, acrescentando que, dada a situação política, nenhuma concessão deve ser esperada nesse sentido.

Da Ucrânia, o gasoduto atravessa a República Tcheca e a Eslováquia e entra na Alemanha via Waidhaus, na Baviera.

A gigante russa de energia Gazprom disse que não vê razão para a interrupção.

"O trânsito através de Sokhranovka foi fornecido na íntegra. Não houve e não há nenhuma reclamação de contrapartes", disse a Gazprom em rede social.

"A Gazprom cumpre integralmente todas as suas obrigações com os consumidores europeus, fornecendo gás para trânsito observando o contrato e acordos com o operador. Os serviços de trânsito estão totalmente pagos".

O porta-voz da Gazprom, Sergey Kupriyanov, disse nesta quarta-feira (11) que a Ucrânia deixou apenas um ponto de entrada para o trânsito de gás russo para a Europa, o que reduz significativamente a confiabilidade das entregas.

"Com base no esquema de fluxo russo, a transferência de volumes para Sudzha é tecnologicamente impossível. Isso está claramente escrito no acordo de cooperação, e o lado ucraniano está bem ciente disso", disse Kupriyanov ao canal Rossiya 24.

Os pedidos para trânsito de gás russo para 11 de maio pela estação de distribuição de gás Sokhranovka estão ausentes, enquanto as candidaturas para trânsito pela estação Sudzha totalizaram cerca de 72 milhões de metros cúbicos. Comparado com o total de pedidos confirmados de consumidores europeus de 95,8 milhões de metros cúbicos no dia anterior, o trânsito de gás natural russo na Ucrânia pode cair quase 25%.

Os pedidos europeus atingiram o nível mais alto de 109,6 milhões de metros cúbicos no início de março.

Os embarques através da Ucrânia para Velke Kapusany da Eslováquia, a principal rota de trânsito para a Europa, também devem cair para o nível mais baixo desde 30 de abril.

O governo alemão assegurou que o fornecimento geral para a Alemanha está garantido, com os “volumes afetados compensados ​​​​por fluxos mais altos da Noruega e da Holanda”.

É improvável que a Noruega tenha capacidade ociosa para atender regularmente esse aumento de demanda.

Em março, o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Stoere disse à Reuters que os gasodutos da Noruega para a Europa estão operando em plena capacidade, e a adição de um novo duto à Polônia ainda este ano não levará automaticamente a um aumento nas exportações.

"As empresas norueguesas que operam os gasodutos estão fazendo o possível para entregar com capacidade máxima. Posso confirmar isso aos meus colegas europeus", disse Stoere à Reuters. "A informação que recebo das empresas é que elas estão entregando com a capacidade máxima".

"O Baltic Pipe significa que a expansão da rede de gás norueguês na Europa se expandirá, mas não expandirá automaticamente a capacidade", disse Stoere.

O corte ucraniano ocorre em meio a Alemanha estar quebrando suas próprias regras de 1945 de não enviar armas letais para zonas em conflito, remetendo armamento pesado para a Ucrânia, país com uma história de corrupção e vendas ilegais de armas; à decisão da Rússia de destinar 50% da capacidade do Nord Stream 2 ao mercado interno; e à pressão dos grandes produtores alemães de lignite para o país continuar a queima de um dos combustíveis fósseis mais poluentes do planeta.

* Com informações da TASS

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