A GBS afeta cerca de 1.500 pessoas a cada ano no Reino Unido. Cerca de 30 a 40% dos casos não têm causas conhecidas.

De acordo com o National Health System (NHS), os pacientes com Síndrome de Guillain-Barré geralmente necessitam de seis a 12 meses de tratamento hospitalar e cerca de um em cada 20 morrerá da doença.

A síndrome é comumente causada pela bactéria Campylobacter jejuni.

As pessoas podem adoecer com campilobacteriose ingerindo alimentos ou água contaminados, ou tendo contato com animais infectados. Geralmente é uma gastroenterite com diarreia (frequentemente com sangue), febre, dores abdominais e câimbra.

Quando o sistema imunológico de uma pessoa não funciona bem, a infecção por Campylobacter jejuni pode se espalhar para o coração ou cérebro. Outros problemas que podem ocorrer são uma forma de artrite chamada artrite reativa e um efeito auto-imune latente sobre os nervos das pernas, conhecido como polirradiculoneurite aguda ou Síndrome de Guillain-Barré, no qual ocorre paralisia ascendente, enfraquecimento ou alteração na sensibilidade – geralmente abaixo da cintura, e, nas fases posteriores, insuficiência respiratória.

Os cientistas especulam que o adenovírus de chimpanzé utilizado na vacina da AstroZeneca pode causar efeito semelhante à Campylobacter jejuni, confundindo o sistema imunológico para atacar o corpo.

Eles lembram que durante a campanha de vacinação contra a gripe suína de 1976 nos Estados Unidos, houve um aumento de casos de Síndrome de Guillain-Barré associado ao imunizante.

A GBS foi adicionada à lista de possíveis efeitos colaterais da vacina da AstraZeneca em outubro de 2021.

Para testar a hipótese, os pesquisadores da UCL realizaram um estudo com dados do sistema público de saúde da Inglaterra.

Entre janeiro e outubro do ano passado, 996 casos de GBS foram registrados no Banco de Dados Nacional de Imunoglobulinas do Reino Unido, mas houve um aumento incomum nos relatórios de GBS entre março e abril.

Para estes dois meses houve cerca de 140 casos por mês em comparação com taxas históricas de cerca de 100 por mês.

A análise mostrou que 198 casos de GBS (20%) ocorreram dentro de seis semanas após a primeira dose de vacinação na Inglaterra – 176 ChAdOx1 nCoV-19 (Vaxzevria®/AstraZeneca), 21 tozinameran (Comirnaty®/Pfizer), 1 mRNA-1273 (Spikevax®/Moderna).

O estudo sugere que a primeira dose da vacina AstraZeneca é associada a um risco de excesso de GBS de 0,576 (IC95%; 0,481-0,691) por 100.000 doses – cerca de 6 pacientes a mais com GBS por milhão de vacinados.

A taxa é muito abaixo de 1:1000 casos de GBS em gastroenterite bacteriana (por C. jejuni) ou zika-vírus.

A primeira dose de Comirnaty®/Pfizer e segunda de qualquer vacina não mostrou risco de excesso de GBS.

"A causa para a associação permanece incerta, e o excesso de risco permanece comparável a casos de GBS anteriormente associados a vacinas", concluem os autores.

O artigo COVID-19 vaccination and Guillain-Barré syndrome: analyses using the National Immunoglobulin Database foi publicado na revista Brain em 18 de fevereiro.

Dados recentes dos EUA sugerem que a vacina covid da Janssen / Johnson & Johnson, que também utiliza adenovírus, porém humano, aumenta o risco de GBS para níveis semelhantes aos da vacina da AstraZeneca.

Um porta-voz da AstraZeneca comentou os achados.

“A síndrome de Guillain-Barré foi relatada muito raramente após a vacinação com Vaxzevria [nome comercial da vacina covid da AstraZeneca na Europa].

A vacinação de qualquer tipo é um fator de risco conhecido para GBS e observa-se no artigo que o pequeno número de casos de GBS parece semelhante aos aumentos observados anteriormente em outras campanhas de vacinação em massa".

Até 18 de maio de 2022, inclusive, o regulador britânico de medicamentos recebeu 497 notificações de suspeita de Síndrome de Guillain-Barré com a vacina da AstraZeneca e 29 notificações de uma doença relacionada chamada Síndrome de Miller Fisher.

Foram recebidas ainda 105 notificações de Síndrome de Guillain-Barré após o uso da vacina da Pfizer/BioNTech e 5 notificações de Síndrome de Miller Fisher. Para a vacina da Moderna houve 18 notificações de Síndrome de Guillain-Barré.

Sintomas

A Síndrome de Guillain-Barré é uma forma de polineuropatia – afeta muitos nervos periféricos por todo o corpo – que causa fraqueza muscular.

Em aproximadamente dois terços das pessoas com Síndrome de Guillain-Barré, os sintomas começam cerca de cinco dias a três semanas após uma infecção leve, cirurgia ou após uma imunização.

Os sintomas geralmente começam nas duas pernas, depois sobem para os braços – ocasionalmente, começam nos braços ou na cabeça e desce –, e incluem fraqueza e uma sensação de formigamento ou perda da sensibilidade.

A fraqueza é mais evidente do que a sensibilidade anômala. Os reflexos diminuem ou estão ausentes.

Em 90% das pessoas com Síndrome de Guillain-Barré, a fraqueza é mais grave três a quatro semanas após o início dos sintomas. Em 5% a 10%, os músculos que controlam a respiração ficam tão enfraquecidos que é necessário recorrer à ventilação mecânica.

Quando a doença é grave, os músculos da face e da deglutição se tornam fracos em mais da metade das pessoas afetadas. Quando esses músculos estão fracos, as pessoas podem engasgar ao se alimentar ou se tornam desidratadas e desnutridas.

Se a doença for muito grave, as funções internas controladas pelo sistema nervoso autônomo podem ser prejudicadas. Por exemplo, a pressão arterial pode flutuar amplamente, o ritmo cardíaco pode ficar anormal, a pessoa pode reter urina e pode ocorrer obstipação grave.

* Com informações do The Telegraph

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