O Twitter já teve a missão de "dar a todos o poder de criar e compartilhar ideias e informações instantaneamente, sem barreiras", lembra Bari Weiss, fundadora e editora do site The Free Press.

Ao longo do caminho, barreiras, no entanto, foram erguidas, não apenas por decisões que continuam mantidas em segredo pelo Twitter, mas também pela implementação de funcionalidades de sofware desenvolvidas para suportar os mais variados e sórdidos tipos de manipulação.

A demissão de funcionários, mais de 3.500 deles até agora, alegadamente afastando aqueles com agendas indesejadas, é uma cortina de fumaça, na tentativa de fabricar credibilidade para uma corporação que se estruturou para exercer poder em todas as esferas, apontando quem a sociedade deve ouvir e calando os demais. É disso que se trata o Twitter. Não é árbitro da verdade, mas de quem pode ser ouvido.

Bari Weiss realizou um extenso levantamento do que pode ser observado no Twitter Papers e comentou os achados na própria rede social.

Ela ressalta que o Twitter negava o uso de expedientes como colocar pessoas e empresas secretamente em listas de “Trends Blacklist”, impedindo qualquer tweet do usuário de aparecer como tendência; “Search Blacklist”, suprimindo os tweets dos resultados de busca; ou ainda não permitir a amplificação da postagem.

Em 2018, Vijaya Gadde (então Chefe de Política Jurídica e Confiança) do Twitter e Kayvon Beykpour (Chefe de Produto) negavam também o banimento oculto ('We do not shadow ban'), e enfatizaram que certamente não o faziam "com base em pontos de vista políticos ou ideologia".

O “shadow banning”, onde as publicações da pessoa ou empresa não são vistas por mais ninguém, é chamado no Twitter de “Visibility Filtering” (“VF”), ou filtragem de visibilidade.

"Pense na filtragem de visibilidade como sendo uma maneira de suprimirmos o que as pessoas veem em diferentes níveis. É uma ferramenta muito poderosa", disse um funcionário sênior do Twitter à Weiss.

"O Twitter usa VF para bloquear pesquisas de usuários individuais; para limitar o escopo da capacidade de descoberta de um determinado tweet; para impedir que postagens de usuários selecionados apareçam na página de tendências; e da inclusão em buscas de hashtags", explica Weiss.

"Tudo sem o conhecimento dos usuários", acrescenta.

"Controlamos bastante a visibilidade. E nós controlamos bastante a amplificação do seu conteúdo. E as pessoas normais não sabem o quanto fazemos", confirmou um engenheiro do Twitter à Bari Weiss.

"A hipótese subjacente a grande parte do que implementamos é que, se a exposição a, por exemplo, desinformação causa danos diretamente, devemos usar remediações que reduzam a exposição, e limitar a disseminação / viralidade do conteúdo é uma boa maneira de fazer isso", justificou em 2021 Yoel Roth, então Chefe Global de Confiança e Segurança do Twitter.

"Colocamos Jack [Dorsey] a bordo com a implementação disso para a integridade cívica no curto prazo, mas precisaremos fazer um caso mais robusto para colocar isso em nosso repertório de remediações políticas – especialmente para outros domínios políticos", acrescentou Roth, relata o post de Bari Weiss.

Novos donos, políticas antigas
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