Executivos das duas companhias, ambas ligadas à gigante Fuji Media Holdings Inc, atribuíram o problema à terceirização do tratamento da pesquisa.

As empresas contrataram a Adams Communications para realizar as pesquisas de opinião, com uma cláusula de que qualquer terceirização da Adams seria feita somente após consulta à Fuji Television.

No entanto, a Adams subcontratou a Nippon Telenet, para consultar cerca de metade dos participantes em cada pesquisa, sem informar a Fuji Televison.

Um funcionário em posição de supervisão na Nippon Telenet desempenhou um papel de liderança na falsificação das respostas. Foram feitas alterações nos endereços e idades dos entrevistados – para transmitir a impressão de que a amostragem era aleatória e tinha validade estatística – e foram fabricados milhares de participantes e de respostas.

O funcionário disse que as irregularidades foram cometidas devido a dificuldades em garantir o pessoal necessário para fazer as ligações telefônicas para a pesquisa. Reduzir os custos da empresa teria sido também um motivo. O funcionário disse que outros empregados da Nippon Telenet ajudaram a falsificar os dados, preenchendo os formulários sem realmente fazer as ligações.

Para cada levantamento, deveriam ser contatados cerca de 1.000 eleitores em todo o país.

Segundo a Fuji Television, a Nippon Telenet fabricou em média 180 eleitores para cada levantamento, falsificando mais de 2.500 respondentes em 14 pesquisas.

As pesquisas de opinião pública da Fuji News Network (FNN)/Sankei, realizadas entre maio de 2019 e maio de 2020, incluíram perguntas sobre o apoio da população ao gabinete do Primeiro-Ministro Shinzo Abe e sobre a condução da pandemia de coronavírus no país.

A Fuji Television disse que a empresa sente um forte senso de responsabilidade por não ter verificado os dados ilícitos e também por transmitir as informações.

O Sankei Shimbun comentou: "Lamentamos profundamente por fornecer informações equivocadas em nossas reportagens sobre pesquisas de opinião, que é um papel importante das organizações de notícias".

"Os japoneses estão divididos com a resposta do governo à nova crise de coronavírus, mostrou uma pesquisa de opinião conjunta realizada pelo Sankei Shimbun e pela Fuji News Network (FNN) nos dias 22 e 23 de fevereiro. 46,3% dos entrevistados "a favor da administração do governo" da crise dos coronavírus e quase o mesmo número - cerca de 45,3% - "não a favor das respostas do governo" à crise do vírus. A pesquisa nacional também descobriu que a taxa de aprovação do gabinete do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe caiu 8,4 pontos percentuais e a reprovação aumentou 7,8 pontos, para 46,7". Fonte: The Sankei Shimbun  26/02/2020
"Os japoneses estão divididos com a resposta do governo à nova crise de coronavírus, mostrou uma pesquisa de opinião conjunta realizada pelo Sankei Shimbun e pela Fuji News Network (FNN) nos dias 22 e 23 de fevereiro. 46,3% dos entrevistados "a favor da administração do governo" da crise dos coronavírus e quase o mesmo número - cerca de 45,3% - "não a favor das respostas do governo" à crise do vírus. A pesquisa nacional também descobriu que a taxa de aprovação do gabinete do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe caiu 8,4 pontos percentuais e a reprovação aumentou 7,8 pontos, para 46,7". Fonte: © The Sankei Shimbun 26/02/2020 / Japan Forward

A Fuji News Network suspendeu o comissionamento de novas pesquisas de opinião pública até a criação de um sistema para evitar que os problemas se repitam. Os executivos não explicaram como descobriram as irregularidades.

A Nippon Telenet disse estar conduzindo uma investigação sobre o ocorrido.

* Com informações do The Asahi Shimbun, The Japan Times, The Mainichi, Japan Forward, Sankei Shimbun

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