A vistoria foi confirmada pela Siemens Energy.

"Ele [Scholz], juntamente com nosso CEO Christian Bruch, inspecionará uma turbina reparada no Canadá para o gasoduto Nord Stream, que está pronta para seguir transporte para a Rússia", relatou a Reuters citando a empresa alemã.

Desde 27 de julho, o gasoduto Nord Stream opera com cerca de 20% de sua capacidade máxima devido ao desligamento de turbinas.

Um delas – fabricada no Canadá pela Siemens Energy – foi enviada para Montreal para reparos. Devido às sanções de Ottawa contra Moscou, o fabricante se recusou a devolver o equipamento reparado à Rússia. Após numerosos pedidos de Berlim, o governo canadense decidiu, em 9 de julho, permitir o envio da turbina para a Alemanha, contornando as sanções do Canadá contra a Rússia.

A turbina chegou na Alemanha em 18 de julho.

Devido a atrasos com a documentação, a turbina perdeu a balsa de 23 de julho da Alemanha para Helsinque. A expectativa era que o equipamento seria remetido rapidamente para a estação compressora de Portovaya, na Rússia, o que não aconteceu.

A Alemanha se recusou a informar sobre a localização da turbina reparada, e os documentos enviados pela Siemens sobre o retorno da turbina não eliminaram os riscos de sanções, observou a Gazprom. A Siemens Energy alegou que não havia documentos alfandegários suficientes da Gazprom para importá-la para a Rússia.

Fontes familiarizadas com a posição da Gazprom explicaram ao jornal russo Kommersant que a empresa insistia em eliminar completamente quaisquer riscos de sanções que pudessem afetar a devolução de turbinas para a Rússia.

A Comissão Europeia afirmou que o retorno da turbina do Canadá para o Nord Stream não viola as sanções da UE contra a Rússia, uma vez que não se aplicam a equipamentos para o trânsito de gás.

No dia 28 de julho, o Vice-Chanceler da Alemanha e Ministro da Economia e Proteção Climática Robert Habeck afirmou que Berlim, por sua vez, forneceu todos os documentos necessários para o envio da turbina.

"Esta turbina está na Alemanha desde segunda-feira da semana passada. Todos os documentos estão lá, eles foram preparados pelo meu ministério, eu mesmo os segurei em minhas mãos. Eles dizem que a turbina pode ser enviada para a Rússia", disse na noite de quinta-feira (28) na cidade de Bayreuth.

Nesta segunda-feira (1º), o Secretário de Imprensa do Presidente da Federação Russa, Dmitry Peskov, disse a jornalistas que as dificuldades na situação com as turbinas do Nord Stream foram introduzidas artificialmente, são causadas por sanções ocidentais, e o lado russo pode fazer pouco.

"Não há mais comentários. A Gazprom esboçou a situação real, o verdadeiro estado das coisas. Há defeitos que requerem reparos urgentes, e há certas dificuldades artificiais que foram introduzidas pelas chamadas sanções, restrições ilegais. Essa situação precisa ser desfeita, e há pouco que o lado russo possa fazer aqui", disse Peskov.

Atualização 03/08/2022

Ao lado da turbina do Nord Stream em uma visita à fábrica da Siemens Energy em Muelheim an der Ruhr, Scholz disse que ela está totalmente operacional e poderá ser enviada de volta para a Rússia a qualquer momento – desde que Moscou estivesse disposta a levá-la de volta.

"A turbina funciona", disse Scholz, dizendo aos repórteres que o objetivo de sua visita era mostrar ao mundo que a turbina funcionava e "não havia nada místico para observar aqui".

"É bastante claro e simples: a turbina está lá e pode ser entregue, mas alguém precisa dizer 'eu quero tê-la'".

Nesta quarta-feira, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, desarmou a perspectiva da Europa receber gás através do gasoduto Nord Stream 2.

Scholz vistoria turbina do Nord Stream, armazenada na instalação da Siemens Energy na cidade de Mülheim an der Ruhr, na Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha. Reprodução Disclose TV
Scholz (esq) vistoria turbina do Nord Stream armazenada na instalação da Siemens Energy na cidade de Mülheim an der Ruhr, Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha. Reprodução Disclose TV
Reprodução Disclose TV
Reprodução Disclose TV
Chanceler alemão Olaf Scholz
Chanceler alemão Olaf Scholz 

Atualização 04/08/2022

A Gazprom receia que o transporte da turbina para a Rússia através da Alemanha possa levar à revogação da permissão do governo do Canadá e à impossibilidade de revisar outras turbinas do Nord Stream no futuro.

De acordo com o cronograma estabelecido pelo fabricante para a manutenção das turbinas a gás do gasoduto russo, é necessária revisão obrigatória na fábrica.

Como a Gazprom observou, o contrato foi assinado com a British Industrial Turbine Company (parte do grupo Siemens Energy) para o reparo de turbinas na fábrica no Canadá, segundo o qual o reparo da turbina nº 073 deveria ser concluído em maio deste ano, e imediatamente após o reparo, o equipamento deveria ser retornado diretamente para a Gazprom na Rússia. Contrariando os termos ajustados, a turbina foi enviada à Alemanha para remessa à Helsinque e posterior entrega em solo russo.

"Sem o consentimento da Gazprom, a turbina foi enviada para a Alemanha em vez da Rússia, não cumprindo os termos do contrato. As autoridades canadenses emitiram documentos para exportação da turbina, que não estão de forma alguma ligados ao contrato existente, à Siemens Energy Canada Limited, que não é a empresa do contrato. No caso de transportar a turbina para a Rússia, há o risco de que as autoridades canadenses possam considerar uma violação ou evasão das condições da licença emitida. Por sua vez, isso pode levar à revogação da licença e à impossibilidade de reparar as outras turbinas da estação compressora de Portovaya no Canadá", explicou a Gazprom em comunicado.

A companhia avalia que o envio da turbina para a Alemanha a partir do Canadá também cria riscos associados à aplicação de sanções da União Europeia.

"Em particular, as disposições do Regulamento 833/2014 da UE (com todas as alterações e adições) estipulam o fornecimento, a transferência, a venda ou a exportação, direta ou indiretamente, de turbinas a gás, tecnologias e outros bens especificados nas listas de sanções, independentemente dos bens ou tecnologias especificados serem produzidos na UE, para qualquer pessoa física ou jurídica na Rússia ou para uso na Rússia", destaca o comunicado.

Uma vez que a empresa de turbinas industriais faz parte do contrato, ela se enquadra nos requisitos da legislação britânica, incluindo as restrições de sanções impostas pelo Reino Unido.

"Na ausência de explicações oficiais da UE e do Reino Unido sobre a aplicação de sanções, não está claro que o reparo e o transporte da turbina a gás para Portovaya não se enquadrarão em restrições de exportação. Riscos semelhantes permanecem em relação às turbinas nº 072, nº 074 e nº 121 a serem revisadas", disse a Gazprom.

"Assim, os regimes de sanções do Canadá, da UE, do Reino Unido e do descumprimento da situação existente com as obrigações contratuais existentes por parte da Siemens impossibilitam a instalação do motor nº 073 na estação compressora de Portovaya", resumiu a empresa.

Atualização 05/08/2022

O navio de assalto anfíbio transportador de helicópteros da Marinha dos EUA Kearsarge atracou no porto de Helsinque como parte de exercícios no Mar Báltico, informou o jornal Helsingin Sanomat (HS) nesta sexta-feira (5).

"O navio chegou pela manhã ao porto de Hernesaari da capital e atracou no cais de Munkkisaari, onde ficará até segunda-feira", relatou o HS. “Não serão realizados eventos públicos a bordo e será estabelecida uma zona de exclusão aérea temporária na área portuária durante a visita”, acrescentou.

O Kearsarge  leva a bordo helicópteros AH-1Z Viper e UH-1Y Venom. Segundo os militares finlandeses, após a parada no porto de Helsinque, o navio “continuará os exercícios na parte norte do mar Báltico e na área da península de Hanko”. Seu objetivo seria "desenvolver a interoperabilidade da Marinha e Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e da Finlândia" no contexto da adesão deste último à OTAN.

O exercício será acompanhado pelos navios americanos de desembarque de tropas Arlington e Gunston Hall, helicópteros Chinook e Black Hawk, helicópteros de transporte finlandeses NH90 e caças Hornet.

A manobra militar americana acontece no período em que a Alemanha deveria estar devolvendo a turbina do Nord Stream para a Rússia através de Helsinque, fortalecendo as dúvidas da Gazprom sobre as isenções de sanções no transporte.

Não se pode descartar a hipótese que a Alemanha atrasou a devoluçãoda turbina à espera da chegada de forças navais americanas à região da Finlândia.

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