Chebabo, que também é diretor da Divisão Médica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ), veio a São Paulo à convite da XXIII Jornada Nacional de Imunizações (09 a 11/09/2021), onde falou sobre a Duração da Imunidade pós vacinas, no ciclo de palestras que abordou o que se conhece até agora sobre as vacinas contra o SARS-CoV-2, o vírus da covid-19.

"Ainda não estou convencido de que uma terceira dose vai ser necessária para toda a população. Neste momento, não tenho dúvida de que vai ser importante para a população com mais de 60 anos e imunossuprimidos. Para os demais, precisa de evidências, precisa de dados, para a gente poder tomar uma decisão melhor", disse Chebabo, acrescentando que a dose extra poderia ser estendida aos profissionais de saúde para reduzir as infecções hospitalares e afastamentos do trabalho.

O infectologista explicou que as vacinas covid atuais têm reduzido a mortalidade e as internações por covid-19, mas ainda não conseguiram interromper a circulação do vírus, principalmente diante do surgimento de novas variantes.

Chebabo apresentou dados do Reino Unido e de Israel que indicam que a proteção das vacinas contra casos leves na população em geral tende a diminuir seis meses após a segunda dose, enquanto a proteção contra casos graves e hospitalizações é aparentemente mais duradoura.

O médico ressaltou que há dúvidas se uma terceira dose conseguirá produzir imunidade duradoura contra casos leves ou se a queda da proteção contra a covid-19 leve voltará a ocorrer meses depois da dose extra.

Israel aplicou a vacina da Pfizer com o intervalo recomendado pelo laboratório de três semanas entre as doses. Ao observar alta significativa na taxa de testes positivos para o vírus, as autoridades sanitárias decidiram administrar uma dose extra às pessoas vacinadas há mais de seis meses, independente da faixa etária.

Por sua vez, o Reino Unido ampliou o intervalo de administração do imunizante da Pfizer de três para doze semanas. Segundo um estudo em preprint, a efetividade da vacina foi maior contra casos leves da variante Delta em comparação a Israel. Especialistas estão investigando se a diferença na proteção pode ser explicada pelo intervalo entre doses.

* Com informações da Agência Brasil

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