Médici descreve o espetáculo como “uma declaração de amor ao teatro”.

“Brincamos que o teatro está acabando, porque a gente vive uma grande crise econômica e claro que a bilheteria está refletindo esse problema. Já passamos pelas inovações do rádio, cinema, TV e agora outras plataformas, como a Internet. O público sempre fica. O teatro persiste, é eterno. E aí a gente conta a história do teatro. De uma forma cômica, claro”, explica Marcelo Médici.

“Tem muita gente que não costuma frequentar o teatro, mas vem atraído pelo título (risos)", conta Ricardo Rathsam. "Pretendemos contar a história do teatro, porém sem didatismo. Tem gente que vem apenas para rir e diz que esse objetivo é alcançado. E tem gente que agradece pela aula”, brinca Ricardo.

“A ideia da peça surgiu quando assisti ao Jô Soares falando de um comediante italiano, o Vittorio Gassman, que fazia a história do teatro em uma hora. Era um solo. Fiquei com isso na cabeça, durante uns dez anos. E agora, eu e Ricardo, responsável por 90% do texto, estamos em cena”, revela Marcelo.

Os atores recontam a tragédia Édipo Rei, de Sófocles, encenam Romeu e Julieta, de William Shakespeare, e O Doente Imaginário, de Molière, brincam com o surgimento do teatro moderno, satirizam os musicais e celebram o teatro de revista.

Diferente de “Eu era tudo pra ela… E ela me deixou“, que também trazia a dupla de atores ocupando o palco do Teatro FAAP, é Rathsam que protagoniza as cenas vestido de mulher. Sua Julieta (Romeu e Julieta) e sua Margarida (A Dama das Camélias) são impagáveis, no deboche, na acidez e na desconstrução, escreve Rodolfo Lima em Ilusões na Sala Escura

A cena do balcão entre Romeu e Julieta ganha uma releitura provocativa, ao trazer o casal vivido por duas mulheres. Julieta fuma maconha, é emponderada, e se recusa a acreditar que precisa morrer por outra pessoa por uma paixão adolescente.

Os atores se vestem de personagens femininos, mas não deixam de evidenciar os períodos e as práticas artísticas, onde as mulheres eram proibidas de estar no palco.

"Outro momento emblemático é a crítica explicita ao encenador Gerald Thomas e a mítica da falta de compreensão de seus trabalhos. É praticamente uma piada interna para os profissionais das artes cênicas, já que pressupõe que se tenha um repertório cênico para entender a piada. Não é a única (Parem de aprovar o Tiago Abravanel – em testes de musicais –  ele já é rico e eu to devendo meu aluguel), porém é mais afiada. O teatro infantil também tem um espaço interessante. Médici surge como uma Ariel (A pequena Sereia) para falar sobre musicais, ecologia, o politicamente correto, e claro…debochar de tudo. A 'criança demônia' que em vez de assistir a peça de teatro, interage e atrapalha os atores também é lembrada", destaca Rodolfo Lima.

A peça estreou em agosto de 2018, em São Paulo, e recebeu o Prêmio do Humor, de Fábio Porchat, na categoria Melhor Comédia do Ano. Foi indicada, também como Melhor Comédia, ao Prêmio Risadaria.

A produção é de Rodrigo Velloni, figurinos de Fábio Namatame, trilha sonora composta por Ricardo Severo, cenário e supervisão de direção de Kleber Montanheiro.

Teatro FAAP
Teatro para Quem Não Gosta
Classificação etária: 14 anos
Temporada: de 11 de março a 1º de maio de 2022
Sessões: sextas, 21h; sábados, 20h; domingos, 18h
Duração: 90 minutos
Endereço: Rua Alagoas 903, Higienópolis, São Paulo/SP
Ingressos: R$ 100,00 (inteira) e R$ 50,00 (meia-entrada) na bilheteria do teatro, de quarta a sábado, das 14h às 20h, domingo das 14h às 17h. Em dias de espetáculo até o início da sessão. Televendas: 11 3662-7233 e 11 3662-7234. Vendas pela Internet: https://teatrofaap.showare.com.br

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