Após cerca de 24 horas da confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil, um brasileiro que esteve na Itália e na França, o Ministério da Saúde recebeu mais de 350 notificações dos Estados até a tarde de hoje (27).

Até o momento, o Ministério somente analisou parte das notificações. O número de pessoas oficialmente classificadas como suspeitas de ter o vírus saltou para 132, segundo o Secretário-Executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo.

“Esse número não é definitivo. É muito maior que 132. Ficamos com 213 notificações ainda não analisadas.  Elas podem ser todas consideradas suspeitas ou apenas uma parte, mas dá para a gente avaliar que, na verdade, temos perto de 300 casos  suspeitos”, disse Gabbardo.

Segundo o Secretário, esse aumento se explica em virtude do aumento do número de países com fluxo migratório intenso com o Brasil, e que têm pessoas com o COVID-19.

Os 16 países considerados na classificação de caso suspeito são: Austrália, China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Camboja, Filipinas, Japão, Malásia, Vietnã, Cingapura, Tailândia, Itália, Alemanha, França, Irã e Emirados Árabes Unidos.

Internação hospitalar

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que os doentes com coronavírus no Brasil somente serão internados em hospital caso estejam em situação grave ou com dificuldade respiratória. Nos demais casos, permanecerão em isolamento em casa.

“O indivíduo vai para o hospital quando está doente e precisa de cuidado hospitalar. Não se interna indivíduo no hospital porque ele está com síndrome gripal conversando, falando, se alimentando. A China iniciou dessa maneira [isolando pessoas dentro do hospital]. Teve que fazer aquele hospital, e isso foi uma medida equivocada que levou a um colapso do sistema hospitalar porque não se coloca pessoas com síndromes respiratórias leves dentro de um hospital. Fico imaginando as outras pessoas, com outras doenças, e que necessitam de leito hospitalar”,  criticou Mandetta. “O isolamento domiciliar tem eficácia tão alta quanto no hospital”.

Centro de contingência em SP

O infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Covid-19 em São Paulo, disse que as pessoas com suspeita de coronavírus só devem buscar um centro de atenção primária caso apresentem dificuldade para respirar. Caso os sintomas sejam apenas tosse e febre, a recomendação é para permanecer em casa. “Paciente com tosse e febre, fique em casa para ser hidratado, com repouso e boa alimentação. Devem procurar os serviços de saúde aqueles que apresentarem algum desconforto respiratório”, disse Uip.

* Com dados e informações do Ministério da Saúde

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