Atualização 09/07

A Anvisa divulgou nesta sexta-feira (9) comunicado datado de 2 de julho (COMUNICADO GGMON 007/2021) sobre o risco de miocardite e pericardite após vacinação com o produto da Pfizer/BioNTech.

- Casos de miocardite e pericardite têm sido reportados em outras partes do mundo após vacinação com imunizantes da Pfizer e Moderna. No Brasil, está em uso a vacina Comirnaty, importada pela Wyeth/Pfizer, com registro definitivo no País concedido pela Anvisa.

- Análise da FDA, agência reguladora americana, mostra riscos aumentados de ocorrência de miocardite e pericardite, com início dos sintomas alguns dias após a vacinação.

- A Anvisa alerta para que os vacinados procurem assistência médica imediata se tiverem dor no peito, falta de ar, palpitações ou alterações dos batimentos cardíacos após a imunização com a vacina da Pfizer.

Enfrentando um suprimento limitado de vacinas, o Reino Unido embarcou em um ousado experimento de saúde pública no final de 2020, quando o Comitê Conjunto de Vacinação e Imunização (JCVI) aprovou diretriz determinando que a segunda dose da vacina covid da Pfizer seria aplicada até três meses após a 1ª inoculação.

A mudança, sem base em ensaios clínicos, tinha o objetivo de possibilitar administrar a primeira dose da vacina a uma maior parcela da população.

A parlamentar Claudia Webbe chamou a decisão de "perigosamente anticientífica".

As novas diretrizes foram controversas porque os reguladores de medicamentos aprovaram as vacinas da Pfizer/BioNTech e da AstraZeneca com base em resultados de ensaios clínicos que espaçaram as doses em três ou quatro semanas.

Depois que a Grã-Bretanha decidiu estender o intervalo entre as doses, a Pfizer e a BioNTech disseram que não havia dados para apoiar a mudança.

A Pfizer enfatizou que a "segurança e eficácia" do novo regime de aplicações não foi avaliada em ensaio clínico.

“[Nosso] estudo. . . foi projetado para avaliar a segurança e eficácia da vacina após um esquema de duas doses, separadas por 21 dias”, defendeu a empresa.

“A segurança e eficácia da vacina não foram avaliadas em esquemas de dosagem diferentes, pois a maioria dos participantes do ensaio recebeu a segunda dose dentro da janela especificada no desenho do estudo”, explicou a Pfizer.

Crucialmente, disse: “Não há dados que demonstrem que a proteção após a primeira dose é mantida após 21 dias”.

A farmacêutica disse que decisões sobre os regimes posológicos alternativos estão nas mãos das autoridades de saúde, mas ressaltou que cada pessoa deve receber a máxima proteção, “o que significa imunização com duas doses da vacina”.

A Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido confirmou a alteração da posologia.

A Dra. Helen Salisbury, médica em Oxford, questionou o julgamento e a modelagem de dados por trás da decisão. “O que diz a ciência? Não sabemos”.

A posologia de 12 semanas foi adotada pelo Ministério da Saúde no regime de aplicação da vacina da Pfizer no Brasil. Na justificativa, a pasta citou as diretrizes britânicas.
A posologia de 12 semanas foi adotada pelo Ministério da Saúde no regime de aplicação da vacina da Pfizer no Brasil. Na justificativa, a pasta citou as diretrizes britânicas.

Variantes

Em fevereiro, o estudo Vaccine-induced immunity provides more robust heterotypic immunity than natural infection to emerging SARS-CoV-2 variants of concern, realizado pelo Professor de Virologia da Universidade de Oxford William James e colegas, mostrou que os anticorpos das pessoas foram moderadamente eficazes contra o coronavírus SARS-CoV-2 chinês após a primeira dose da vacina da Pfizer/BioNTech, menos eficazes contra a variante inglesa (Kent) e incapazes de neutralizar a variante sul-africana.

"Após uma única vacinação, que induziu apenas títulos de anticorpos homotípicos neutralizantes modestos, a neutralização contra as VOCs [variants of concern] foi completamente anulada na maioria dos vacinados", escrevem os pesquisadores.

"Os dados indicam que as VOCs podem evitar as respostas neutralizantes protetoras induzidas por infecção anterior e, em menor grau, pela imunização, particularmente após uma única dose, mas o impacto das VOCs nas respostas das células T parece menos acentuado".

Para o Professor Paul Morgan, Diretor do Instituto de Pesquisa de Imunidade da Universidade de Cardiff, a mensagem do estudo é fazer com que as segundas doses sejam administradas o mais rápido possível – "talvez assim que todos os grupos de alto risco tenham tomado as primeiras doses", disse à BBC em fevereiro.

“Apoiei a decisão pragmática de adiar as segundas doses para imunizar mais pessoas o mais rápido possível e ainda apoio. No entanto, este estudo mostra que a ampla resposta imunológica necessária para lidar com as variantes atuais e futuras depende realmente da dose de reforço", disse Morgan.

Os países precisarão considerar se as variantes que estão circulando em sua região podem aumentar o risco de infecção após apenas uma dose da vacina.

“As pessoas são teoricamente vulneráveis entre a primeira e a segunda dose”, disse à Nature Stephen Griffin, virologista da Universidade de Leeds. “O que funcionou no Reino Unido foi manter as restrições ao mesmo tempo que a vacinação”.

A bula brasileira da vacina covid da Pfizer/BioNTech mantém a recomendação de intervalo de 21 dias entre as doses e ressalta que "os indivíduos podem não estar protegidos até pelo menos 7 dias após a segunda dose da vacina".
Bula da vacina da Pfizer/BioNTech
Bula da vacina da Pfizer/BioNTech
Atualização 04/06

A vacina Pfizer-BioNTech induz uma resposta mais fraca de anticorpos contra a variante Delta, concluiu o estudo Neutralising antibody activity against SARS-CoV-2 VOCs B.1.617.2 and B.1.351 by BNT162b2 vaccination.

Anticorpo neutralizante (nAbs) em resposta a B.1.617.2 (delta) após a vacinação de mRNA em 250 pessoas (idade média de 42 anos, saudável):

- A evasão imunológica é semelhante a B.1.351 (alta)
- 2 doses de vacina -> altos níveis de nAbs

Os dados de pesquisadores do Instituto Francis Crick e do Centro de Pesquisa Biomédica UCLH mostraram uma redução na eficácia da vacinação, especialmente após a primeira injeção, sugerindo a reversão da orientação do governo britânico de estender o intervalo, devendo ser aplicada a 2ª dose o mais rápido possível decorridas 3 semanas após a 1ª dose.

"Esses dados, portanto, sugerem que os benefícios de adiar a segunda dose, em termos de cobertura populacional mais ampla e NAbTs individuais aumentados após a segunda dose, devem agora ser pesados contra a eficácia diminuída em curto prazo, no contexto da disseminação de B .1.617.2. Em todo o mundo, nossos dados destacam a necessidade contínua de aumentar o fornecimento de vacinas para permitir que todos os países estendam a proteção da segunda dose o mais rápido possível", diz o texto.

Eleanor Riley, professora de imunologia e doenças infecciosas da Universidade de Edimburgo, advertiu que a resposta de anticorpo não foi o único fator que ditou a eficácia de uma inoculação.

"Esses dados não podem nos dizer se a vacina será menos eficaz na prevenção de doenças graves, hospitalização e morte; precisamos esperar pelos dados reais sobre esses resultados'”  (The Financial Times)

Atualização 21/06

Apenas uma dose de vacina de mRNA seria suficiente

A partir de dados de vacinação em Israel, pesquisadores da Norwich Medical School, University of East Anglia, Reino Unido, observaram que uma única dose da vacina Pfizer/BioNTech foi altamente eficaz. A efetividade da vacina alcançou 90% no 21º dia após a primeira dose, onde se estabilizou.

Os símbolos azuis representam casos de voluntários que receberam placebo. Os símbolos vermelhos representam casos de participantes vacinados. Os dois divergem a partir do dia 12, revelando quando a primeira dose começa a fornecer proteção. A imunidade aumenta rapidamente e os casos adicionais se achatam após 14 dias. Eles continuam em um traçado horizontal, mesmo após a segunda dose ser administrada no 21º dia.

"É claro a partir desses dados da Pfizer que a eficácia da dose única é semelhante à dose dupla após 14 dias", dizem os pesquisadores.

A eficácia divulgada pela Pfizer – de 52,4% do regime de dose única – foi calculada considerando todos os casos que ocorreram após o dia em que a primeira dose foi administrada até o dia em que a segunda dose foi administrada (dia 21). Portanto, não foram atribuídos dias para o desenvolvimento de imunidade antes da contagem dos casos positivos contra o regime de dose única.

"O que nossa análise mostra é que uma única dose da vacina é altamente protetora, embora possa levar até 21 dias para alcançá-la. Os primeiros resultados vindos de Israel apóiam a política do Reino Unido de estender a lacuna entre as doses, mostrando que uma única dose pode fornecer um alto nível de proteção", afirma o artigo em pre-print Estimating the effectiveness of the Pfizer COVID-19 BNT162b2 vaccine after a single dose. A reanalysis of a study of ‘real-world’ vaccination outcomes from Israel.

Estudo realizado por pesquisadores do VA Boston Healthcare System (VABHS) mostrou eficácia semelhante para a primeira dose da vacina mRNA da Moderna.

O relatório de pesquisa Incidence of SARS-CoV-2 Infection in Health Care Workers After a Single Dose of mRNA-1273 Vaccine, publicado no JAMA Network Open no dia 16 de junho, demonstrou redução do risco da primeira dose de 95% após o dia 14 da inoculação do imunizante mRNA-1273.

"O Modelo 1 é semelhante à abordagem que a Pfizer adotou ao medir a dose única a partir do dia em que foi administrada (não permitindo tempo para que a imunidade aumentasse). O modelo 2 começa a medir a eficácia da vacina no 8º dia. Ainda é muito cedo, pois a proteção não começa a se construir antes do 12º dia. O modelo 3 mostra a eficácia da vacina com uma dose usando a medição inicial do 15º dia. Observe que mesmo usando dia 15 como ponto de partida, a eficácia da vacina ainda era de 95%, mesmo com apenas uma dose", diz o relatório.

Atualização 01/07

De acordo com o Daily Sabah, o Ministro da Saúde da Turquia, Fahrettin Koca, disse em coletiva de imprensa virtual nesta quinta-feira (1), que o intervalo entre doses da vacina Comirnaty será reduzido de 6 para 4 semanas.

"Seguindo novas descobertas científicas, o período de tempo entre as duas doses da vacina Pfizer / BioNTech foi reduzido de seis para quatro semanas", disse Koca.

A Turquia também liberou a população com mais de 50 anos e profissionais de saúde para receber uma terceira dose de um imunizante para covid-19.

“Nossos cidadãos com 50 anos ou mais que foram vacinados com duas doses, assim como nossos profissionais de saúde, poderão agendar com a vacina que desejarem. A vacinação da 3ª dose começa amanhã”, disse Koca em rede social.

O país já vacinou totalmente mais de 15 milhões de pessoas, o que corresponde a 25% da população.

Cerca de 35 milhões receberam a primeira dose até o momento, com um número total de doses administradas no país chegando a 50 milhões.

A Turquia lançou seu programa de vacinação em meados de janeiro, contratando 50 milhões de doses da CoronaVac, da chinesa Sinovac, e posteriormente incluiu 4,5 milhões de doses da Comirnaty, da Pfizer/BioNTech. A vacina russa Sputnik V foi autorizada no país mas não está claro se faz parte do programa de vacinação.

No início de junho, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, revelou que recebeu três doses de imunizantes contra o coronavírus. Ele recebeu sua primeira dose da vacina CoronaVac em 14 de janeiro, uma das primeiras pessoas na Turquia a ser vacinada. Recebeu uma segunda dose de CoronaVac em 11 de fevereiro e uma terceira dose, de imunizante não revelado, em 10 de março.

Atualização 07/07

O Secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou nesta quarta-feira (7) que a variante indiana (Delta) está circulando no Estado.

"Temos uma variante que já é autóctone, ou seja, ela já está circulando no nosso meio em pessoas que não tiveram histórico de viagens ou que tiveram contato com alguém que esteve, por exemplo, na Índia, e, dessa forma, temos que ter uma atenção especial", disse o gestor.

O anúncio ocorre após ter sido detectado o primeiro caso de infecção comunitária com a variante no Estado, um morador da Capital.

A Coordenaria de Vigilância em Saúde (Covisa) informou que o caso positivo foi identificado em um homem de 45 anos que não viajou ao exterior e que não teve contato com pessoas que viajaram recentemente para fora do País.

"No entanto, ele mora com outras três pessoas, que podem ter feito contato com alguém que esteve no exterior e pode ter transmitido o vírus", acrescentou a Covisa.

Com a prevalência da variante P.1 (Gama), a tendência é de que a Delta encontre dificuldade para se disseminar, avalia Sandra Vessoni, diretora do Centro de Desenvolvimento Científico (CDC) do Instituto Butantan.

No último balanço da Rede de Alertas das Variantes do SARS-CoV-2, com dados até 26 de junho, a P.1 corresponde a 90% das variantes em circulação no Estado. Ao todo, 21 variantes já foram identificadas em circulação.

O Secretário de Saúde não forneceu projeções de quando a variante indiana se tornaria relevante ou dominante em São Paulo.

No mesmo dia, o governo paulista anunciou o relaxamento de medidas restritivas no Estado, entre elas, a ampliação do horário de funcionamento do comércio e dos serviços a partir da próxima sexta-feira (9).

A flexibilização atinge todas as atividades comerciais, incluindo shoppings, padarias, bares, restaurantes, salões de beleza, barbearias e academias. Com as novas regras, os estabelecimentos poderão funcionar de 6h até as 23h e a capacidade de atendimento sobe de 40% para 60%.

O toque de recolher continuará nos 645 municípios paulistas, porém com período reduzido, entre 23h e 5h. Apenas 80 cidades do Estado de São Paulo possuem população superior a 100 mil habitantes.

Também foi anunciada nesta quarta-feira a retomada das aulas presenciais em universidades públicas e privadas e escolas técnicas a partir de 2 de agosto, com 60% de ocupação – 100% de ocupação para cursos da área de Saúde.

As novas regras valem para todo o Estado, incluindo as regiões que estão com mais de 80% de ocupação dos leitos de UTI com pacientes de covid-19. Anteriormente, o funcionamento de estabelecimentos até as 23h seria liberado apenas com taxas de ocupação de UTI abaixo de 60%.

O número de pacientes com covid-19 atualmente internados no Estado de São Paulo é 40% maior do que o recorde de 2020.

A média móvel diária de novas mortes por covid-19 é de 465 nesta quarta. No pior momento de 2020, o recorde na média móvel de óbitos havia sido de 289.

Em janeiro, o estado respondia por 21,4% das mortes no País, mas o percentual começou a subir em março e chegou a 29,5% em junho.

No total da pandemia, São Paulo responde por quase 25% das mortes, embora a participação do estado na população brasileira seja de 21,9%.

O governo estadual anunciou também um calendário com 14 eventos sociais, 12 eventos de economia criativa, dois eventos esportivos e dois eventos de negócios, programados a partir de 17 de julho.

Entre os grandes eventos, estão a Oktoberfest, de 25 de novembro a 12 de dezembro, e o GP do Brasil de Fórmula 1, previsto para 21 de novembro.

O jornal O Estado de São Paulo publicou na terça-feira (6) que a proteção da vacina experimental CoronaVac "deve ser de cerca de oito meses", segundo o Diretor do Instituto Butantan Dimas Covas.

A infectologista da Unicamp Raquel Stucchi apontou que brevemente haverá um contigente populacional com mais de oito meses de imunização pela Coronavac.

"Se a ideia é chegar em outubro ou novembro com 80% da população vacinada, eles já não serão 80%, serão menos porque parte das pessoas já terá ultrapassado esse período", Stucchi disse ao jornal paulistano.

Atualização 26/07

Com previsão de chegada de lotes maiores da vacina Comirnaty, da Pfizer / BioNTech, o Ministério da Saúde estuda reduzir o intervalo entre as duas doses.

A previsão da pasta é receber cerca de 63 milhões de doses de vacinas em agosto –  33 milhões da Pfizer, 20 milhões da Coronavac e 10 milhões da AstraZeneca.

"Temos uma previsão de fechar agora o mês de julho com 40 milhões de vacinas, e em agosto, 63 milhões. Então, sim, nós pensaremos em reduzir esse intervalo", disse Rosana Leite, Secretária de Enfrentamento à Covid, nesta segunda-feira (26).

No momento, o Ministério avalia reduzir o intervalo apenas do imunizante da Pfizer.

"A única seria a Pfizer, inclusive isso consta em bula, nas outras não", disse Leite.

Atualização 26/07

Nesta segunda-feira (26), o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, confirmou o objetivo de reduzir o intervalo entre as doses da Pfizer, de 84 para 21 dias, seguindo a recomendação da bula. A adoção de um intervalo 4 vezes maior seguiu experimento do Reino Unido de ampliar a cobertura, ao custo questionável de adiar a segunda dose, o que tem se mostrado um equívoco.

É importante notar que o conceito de "vacinado" difere entre autoridades sanitárias. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, por exemplo, uma pessoa só é considerada vacinada após decorridos mais de 14 dias após a 2º dose ou dose única.

A implicação é que todas as infecções, internações e mortes causadas pelo vírus registradas nesses países antes desse prazo são atribuídas aos "não vacinados", aumentando artificialmente a efetividade das vacinas e ocultando o real nível de proteção obtido com apenas uma dose dos imunizantes.

De acordo com a Public Health England, cerca de 17% das 105.598 infecções pela variante indiana (Delta) relatados em toda a Inglaterra nas quatro semanas até 19 de julho foram entre pessoas "totalmente vacinadas" – as infecções na população inoculada com os imunizantes da AstraZeneca e da Pfizer somente são contabilizadas em "vacinados" se ocorreram, respectivamente, há mais de 104 e 98 dias após a 1ª dose.

Já a matéria Governo do DF revela número de óbitos por covid entre vacinados, relata que as autoridades sanitárias do Distrito Federal divulgaram os números de óbitos de forma mais transparente, diferenciando entre parcialmente e totalmente vacinados. Os dados sugerem a urgência da administração da 2ª dose.

Em 2021, o vírus já causou cerca de 5.200 óbitos no Distrito Federal.

711 pessoas parcialmente imunizadas morreram de covid-19.

Entre a população totalmente imunizada, foram registrados 263 óbitos.

“A gente vem observando que é um número muito representativo e demonstra que a necessidade da segunda dose é o que determina a imunidade e a proteção maior dos moradores do Distrito Federal para que não desenvolvam sintomas mais graves da doença”, enfatizou o Dr. Osnei Okumoto, Secretário de Saúde do Distrito Federal, em coletiva de imprensa realizada no dia 21 de julho.

Atualização 29/07/2021

Israel será o primeiro país a oferecer uma dose de reforço da vacina da Pfizer-BioNTech para pessoas com mais de 60 anos.

“As descobertas mostram que há um declínio na imunidade do corpo ao longo do tempo. O objetivo da dose suplementar é aumentá-la novamente e, assim, reduzir significativamente as chances de infecção e doenças graves. […] Peço a todos os idosos que receberam a segunda dose, que busquem a suplementar”, disse o Primeiro-Ministro Naftali Bennett em entrevista coletiva. Segundo Bennett, o Presidente Isaac Herzog será o primeiro a receber o reforço, na sexta-feira (30).

Serão elegíveis à terceira dose pessoas com mais de 60 anos que receberam sua segunda dose da vacina Pfizer há pelo menos cinco meses.

Atualização 08/08/2021

De acordo com dados do Ministério da Saúde de Israel, reportados pela TV israelense neste domingo (8), quatorze pessoas foram diagnosticadas com covid-19 apesar de terem sido inoculadas com uma terceira dose da vacina Pfizer.

Onze dos 14 casos detectados tem mais de 60 anos e os demais são de pessoas imunocomprometidas, informou o Channel 12. Dois pacientes estão hospitalizados.

O número limitado de casos não é suficiente para os médicos tirarem conclusões quanto à efetividade da terceira dose no combate à variante Delta.

Ciência de press release

Um estudo da Universidade de Birmingham, em colaboração com a Public Health England (PHE), divulgado nesta sexta-feira (14) em comunicado, sugere que atrasar a segunda dose da vacina da Pfizer poderia aumentar as respostas de anticorpos após a segunda inoculação em mais de três vezes em pessoas com mais de 80 anos.

O estudo Extended interval BNT162b2 vaccination enhances peak antibody generation in older people (1), ainda não publicado, é o primeiro a comparar diretamente as respostas imunológicas da vacina da Pfizer a partir do intervalo de dosagem de três semanas, testado em ensaios clínicos, e o intervalo estendido de 12 semanas, determinado pelas autoridades britânicas.

"Os pesquisadores da Universidade de Birmingham, trabalhando em colaboração com a Public Health England, disseram que suas descobertas justificavam a controversa decisão do governo do Reino Unido em dezembro de esperar 12 semanas entre a primeira e a segunda doses, em vez dos 21 dias recomendados pelos testes clínicos da Pfizer", escreveu o Financial Times (FT).

“A orientação de priorizar as primeiras doses, de modo a proporcionar um maior impacto à saúde pública e salvar mais vidas, foi considerado bastante ousado na época, mas os dados mostram que valeu a pena”, disse ao FT a Dra. Gayatri Amirthalingam, co-autora do artigo e Epidemiologista Consultora da PHE.

A Dra. Gayatri Amirthalingam também é citada no comunicado de Birmingham.

“As respostas de anticorpos mais altas em pessoas que receberam duas doses da vacina Pfizer usando um intervalo estendido de 12 semanas fornecem evidências adicionais de apoio dos benefícios da abordagem do Reino Unido para priorizar a primeira dose da vacina", disse a consultora da PHE.

Na avaliação do Dr. Peter English, que no passado chefiou o BMA Public Health Medicine Committee, o resultado da pesquisa foi o esperado.

“Como muitos vacinologistas teriam previsto, o pico de resposta de anticorpos foi consideravelmente maior (3,5 vezes mais alto) nos participantes do grupo de intervalo prolongado", escreve o especialista no Science Media Centre.

"O vírus está intimamente relacionado a outros coronavírus sobre os quais sabemos muito; e temos pesquisado vacinas há décadas (e outras vacinas contra o coronavírus há mais de uma década). Embora ainda não tivéssemos observado exatamente como as vacinas contra a SARS-CoV-2 funcionariam, já tínhamos motivos para fazer previsões", explica Peter English.

“Nós sabíamos, por exemplo, que intervalos primários-reforço mais longos geram maior imunidade. Com a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), por exemplo, a orientação diz que se a segunda dose (do regime de duas doses) for dada antes de 6 meses após a primeira dose, é improvável que gere imunidade boa o suficiente, e deve ser repetido pelo menos 6 meses após a primeira dose (2)".

A pesquisa foi financiada conjuntamente pela UK Research and Innovation (UKRI) e pelo National Institute for Health Research (NIHR) e apoiada pela British Society for Immunology.

O experimento envolveu 172 pessoas com idades entre 80-99, que receberam cada uma duas injeções da vacina Pfizer. Do grupo, 73 tiveram um intervalo de 12 semanas entre as doses e 99 um intervalo de três semanas.

A equipe mediu os níveis de anticorpos dos receptores contra a proteína spike SARS-CoV-2 e avaliou como as células imunes chamadas células T, que podem ajudar a manter os níveis de anticorpos ao longo do tempo, responderam à vacinação.

O estudo mediu as respostas dos anticorpos 5-6 semanas após a primeira dose da vacina (2-3 semanas após a segunda dose para participantes que receberam o intervalo primário-reforço de 3 semanas mais curto, quando é provável que a resposta do anticorpo tenha atingido o pico); e novamente cerca de 8 semanas depois (cerca de 10 semanas após a segunda dose para aqueles no grupo de intervalo mais curto, e cerca de 2-3 semanas após a segunda dose para aqueles no grupo de intervalo estendido).

Foram analisados também anticorpos para partes do vírus que não estão incluídas nas vacinas, para avaliar se os participantes foram expostos e se tornaram imunes ao vírus. Aqueles com tal imunidade mostraram um pico de anticorpos ainda mais alto, como seria de esperar.

Os níveis máximos de anticorpos neutralizantes, alcançados 2-3 semanas após a segunda dose, foram 3,5 vezes maiores em média no grupo com o intervalo estendido. Porém, o intervalo de 3 semanas gerou células T mais rapidamente do que o intervalo de 12 semanas e atingiu um pico mais alto.

“Espero que os participantes continuem sendo acompanhados, para observar se e com que rapidez os níveis de anticorpos irão diminuir com o tempo. Os autores referem-se a estudos recentes que mostram que, a partir de 43 dias após a vacinação, os níveis de anticorpos caem pela metade a cada 52 dias. Começar de um ponto de partida mais alto no grupo de intervalo estendido provavelmente significará que levará mais tempo antes que os níveis de anticorpos caiam muito para fornecer proteção", comenta o Dr. Peter English.

"As descobertas dos autores de que aqueles no intervalo prime-boost mais curto pareciam ter uma resposta imune celular mais forte é intrigante. Eu me pergunto se é um efeito genuíno do mundo real, ou talvez um artefato de, digamos, o momento dos exames de sangue. Como se costuma dizer, será de interesse avaliar a indução relativa de células plasmáticas de longa vida e células B de memória após cada regime, a fim de avaliar potenciais correlatos celulares da resposta de anticorpos", escreve English.

A equipe descobriu que dentro do grupo de intervalo de três semanas, 60% tiveram uma resposta celular confirmada em duas a três semanas após a segunda dose – embora tenha caído para apenas 15% oito a nove semanas depois.

A proporção de participantes mostrando uma resposta celular no grupo de intervalo de 12 semanas foi de apenas 8% em cinco a seis semanas após a primeira dose, mas aumentou para 30% duas a três semanas após a segunda injeção.

“O significado dessas respostas celulares ainda não está claro”, disse Helen Parry, NIHR Academic Clinical Lecturer na University of Birmingham e autora principal do artigo. “Vamos acompanhar o estudo desses pacientes e ver como os dados de anticorpos e celulares mudam nos próximos seis meses”.

Os autores também ainda não sabem por quanto tempo a resposta aumentada de anticorpos irá durar ou se ela se traduzirá em maior proteção contra infecções e doenças.

Notas

(1) Parry H, Bruton R, Stephens C, et al. Extended interval BNT162b2 vaccination enhances peak antibody generation in older people [preprint]. National Infection Service & University of Birmingham; Received 13 May 2021

(2) Public Health England. Chapter 18a: Human Papillomavirus (HPV). Immunisation against infectious disease (“The Green Book”) 2019; 1-19.

(3) Voysey M, Clemens SAC, Madhi SA, et al. Single Dose Administration, And The Influence Of The Timing Of The Booster Dose On Immunogenicity and Efficacy Of ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222) Vaccine. 2021

* Com informações do Financial Times, University of Birmingham, Science Media Centre

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