A Starliner OFT-2 (Orbital Flight Test 2) decolou no topo de um foguete Atlas V da United Launch Alliance na noite de quinta-feira (19), dando início a uma missão não tripulada para a Estação Espacial Internacional. Cerca de 22 horas depois, a Starliner começou a realizar uma série de voos sobre a estação, aproximações e recuos projetados para mostrar seus pontos de encontro.

Às 00:28 UTC desta sexta-feira (20), a Starliner finalmente atracou à ISS, ancorando no porto voltado para a frente de seu nó Harmony.

A nave entregou 800 libras de carga para a ISS e “Rosie the Rocketeer”, um manequim equipado com sensores para monitorar o ambiente da cabine que os astronautas experimentarão durante futuros voos.

Contudo, o acoplamento ocorreu mais de uma hora depois do programado.

A NASA e a Boeing visavam atracar a Starliner às 23:10 UTC, mas adiaram para aguardar melhores condições de iluminação e comunicações, e então atrasaram novamente para reiniciar o Sistema de Acoplamento após uma anomalia.

O acoplamento mostrou que a nave pode chegar ao laboratório em órbita – algo que não conseguiu realizar em tentativa anterior.

A missão da nave espacial OFT original, que foi lançada em dezembro de 2019, terminou prematuramente depois que a Starliner sofreu uma série de falhas de software e ficou presa em uma órbita muito baixa para permitir um encontro com a ISS.

A Starliner OFT-2 deveria ter decolado no verão passado, mas verificações revelaram que 13 de 24 válvulas do sistema de propulsão da espaçonave estavam presas. Levou cerca de oito meses para identificar a causa do problema.

O voo da OFT-2 também não foi perfeitamente bem. Um dos propulsores da Starliner apresentou defeito durante sua queima de inserção orbital crítica 31 minutos após a decolagem, disseram autoridades da NASA e da Boeing durante uma coletiva de imprensa pós-lançamento na noite de quinta-feira.

O backup desse propulsor disparou para compensar, mas falhou antes de completar a queima. Um propulsor de backup terciário então entrou em ação, e a Starliner conseguiu entrar na órbita certa para um encontro com a ISS.

"O sistema foi projetado para ser redundante e funcionou como deveria. Agora a equipe está trabalhando no 'porquê' de ter ocorrido essas anomalias", disse Mark Nappi, vice-presidente e gerente de programa do programa de tripulação comercial da Boeing, durante a entrevista coletiva.

Os membros da equipe da missão determinaram que as duas falhas do propulsor foram causadas por uma queda na pressão da câmara.

A Starliner ficará ancorada até o início da próxima semana e se preparará para um voo de volta à Terra na quarta-feira (25), pousando no deserto de New Mexico com o auxílio de pára-quedas.

É um momento monumental para a Boeing, que assinou um contrato multibilionário da NASA em 2014 para transportar astronautas de e para a ISS usando a Starliner.

"Hoje marca um grande marco, fornecendo acesso comercial adicional à órbita baixa da Terra, sustentando a ISS e permitindo o objetivo da NASA de voltar a levar humanos à Lua e, eventualmente, à Marte", disse o astronauta da NASA Robert Hines ao controle da missão da estação ao parabenizar a equipe da Boeing.

"Então, para a Starliner, sua comandante Rosie the Rocketeer, e todos os homens e mulheres que colocaram seus corações e almas neste veículo e nesta missão, bem-vindos à Estação Espacial Internacional", acrescentou Hines.

"A Starliner está linda na frente da estação espacial", disse Hines.
"A Starliner está linda na frente da estação espacial", disse Hines.

A Boeing não é a única empresa que detém um contrato de transporte espacial de tripulação da NASA. A agência americana assinou um acordo semelhante com a SpaceX em 2014. A empresa de Elon Musk já lançou quatro missões tripuladas à ISS para a NASA até o momento. Um dos Crew Dragons está atualmente ancorado na ISS depois de transportar astronautas para a estação em abril.

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