Na quinta-feira (3), o Falcon 9 lançou 49 satélites Starlink na órbita pretendida, com um perigeu de aproximadamente 210 quilômetros acima da Terra, e cada satélite entrou em voo controlado.

A SpaceX lança seus satélites em órbitas baixas para verificações iniciais do sistema antes de movê-los para uma órbita mais alta – em caso de falhas nos testes, o satélite será rapidamente desorbitado pelo arrasto atmosférico.

Na sexta-feira (4), os satélites foram impactados por uma forte tempestade geomagnética quando ainda estavam em órbita baixa. O fenômeno é provocado por uma interação entre um fluxo de partículas carregadas originadas de explosões no Sol e o campo magnético da Terra.

"Essas tempestades fazem com que a atmosfera se aqueça e a densidade atmosférica em nossas baixas altitudes de implantação aumente. De fato, o GPS a bordo sugere que a velocidade de escalada e a gravidade da tempestade fizeram com que o arrasto atmosférico aumentasse até 50% mais do que durante os lançamentos anteriores", explica nota da SpaceX.

Cada satélite Starlink pesa aproximadamente 260 kg e possui um design plano.

A empresa comandou os satélites em um modo de segurança onde eles voariam como uma lâmina, buscando minimizar o arrasto, mas a maioria não conseguiu elevar sua órbita.

"Análises preliminares mostram que o aumento do arrasto nas baixas altitudes impediu que os satélites saíssem do modo de segurança para iniciar as manobras de elevação da órbita, e até 40 dos satélites voltarão ou já entraram na atmosfera da Terra. Os satélites em deórbita apresentam risco zero de colisão com outros satélites e, por projeto, desaparecem após a reentrada atmosférica – o que significa que nenhum detrito orbital é criado e nenhuma parte do satélite atinge o solo. Essa situação única demonstra o grande esforço que a equipe Starlink fez para garantir que o sistema esteja na vanguarda da mitigação de detritos em órbita", conclui a nota da SpaceX.

A Agência Espacial do Reino Unido concordou que não há risco em terra, uma vez que os satélites foram construídos sem metais densos e com estrutura que deve queimar completamente. Já a Nasa não comentou o ocorrido.

Em dezembro, o governo chinês apresentou uma reclamação sobre a SpaceX ao Escritório da ONU para Assuntos do Espaço Exterior, após seus astronautas a bordo da Estação Espacial da China realizarem manobras evasivas para evitar satélites Starlink em duas ocasiões distintas.

A constelação da SpaceX em janeiro era formada por 1.469 satélites Starlink.

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