Os militantes de Azov são neonazistas e Ottawa tinha que saber disso, disse Efraim Zuroff, do Centro Simon Wiesenthal, à imprensa canadense.

Simon Wiesenthal foi um sobrevivente do Holocausto que ficou famoso depois da Segunda Guerra Mundial pelo seu trabalho na perseguição e captura de nazistas.

O diretor do Centro Simon Wiesenthal em Israel condenou as tropas canadenses por treinarem combatentes neonazistas na Ucrânia, dizendo que era responsabilidade de Ottawa garantir que essas coisas não acontecessem.

"O governo canadense não fez sua devida diligência", disse Efraim Zuroff ao Ottawa Citizen na quarta-feira (13). "É responsabilidade do Ministério da Defesa canadense saber exatamente quem eles estão treinando".

"Não há dúvida de que há neonazistas de diferentes formas na Ucrânia, sejam eles no regimento Azov ou em outras organizações", acrescentou.

Fontes da defesa reconheceram que o brasão usado pelo soldado ucraniano em fotos militares canadenses é a insígnia da unidade da SS da Ucrânia que lutou pelos nazistas.

As outras fotos mostram tropas ucranianas com insígnias ligadas à unidade de Azov.

Os militares canadenses reconheceram a autenticidade das fotos, informou o Ottawa Citizen. No entanto, as Forças Armadas Canadenses (Canadian Armed Forces – CAF) negaram ter a obrigação de vetar os soldados que estava treinando.

A Ucrânia é responsável por vetar seu próprio pessoal, disse a capitã Véronique Sabourin ao jornal. Todos os militares canadenses que treinavam tropas ucranianas foram informados sobre como reconhecer insígnias "associadas ao extremismo de direita", e se suspeitassem de tais laços ou "visões racistas" os estagiários seriam removidos. No entanto, "Não há ônus da prova sobre a CAF para demonstrar isso além de uma dúvida razoável".

O governo Trudeau apoia vocalmente a Ucrânia desde 24 de fevereiro, quando a Rússia enviou tropas para o país vizinho em uma missão para "desmilitarizar e desnazificar" o governo em Kiev. Governos e imprensa do Ocidente começaram a insistir que as alegações sobre o "Batalhão Azov" e outras unidades dos militares ucranianos com "simpatias" nazistas eram "desinformação russa".

“Não é propaganda russa, longe disso”, disse Zuroff ao Citizen. “Essas pessoas são neonazistas”.

Zelensky exibe vídeo de organização neonazista ucraniana no parlamento grego
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O Canadá gastou estimados US$ 800 milhões no treinamento de tropas ucranianas desde o golpe de estado de 2014, no qual nacionalistas apoiados pelo Ocidente derrubaram o governo democraticamente eleito do país. Os combatentes neonazistas foram uma operação instrumental de mudança de regime, e o chamado batalhão, regimento ou unidade Azov foi usada para suprimir a dissidência depois do golpe, tendo sido incorporada ao exército ucraniano.

A CAF lançou a Operação UNIFIER em resposta a pedidos do novo governo ucraniano. A intenção era ajudar a Ucrânia a permanecer soberana, segura e estável.

Até 31 de janeiro deste ano, 33.346 candidatos das Forças de Segurança da Ucrânia (SBU) participaram do treinamento fornecido através de 726 séries de cursos abrangendo todas as linhas de esforço desde o início da missão em setembro de 2015. Este número inclui membros da Guarda Nacional da Ucrânia (NGU). Até o momento, a CAF forneceu treinamento para 1.951 membros da NGU.

Em 2017, a força-tarefa do Canadá produziu um relatório sobre o Batalhão Azov, reconhecendo suas ligações com a ideologia nazista. “Vários membros do Azov se descreveram como nazistas”, alertaram os oficiais canadenses.

Em junho de 2018, autoridades canadenses, incluindo militares, se reuniram com líderes da unidade Azov. Apesar de saber das ligações neonazistas, os funcionários não denunciaram a unidade. Em vez disso, estavam preocupados que a imprensa pudesse expor detalhes do encontro, de acordo com documentos da Defesa Nacional. Os canadenses se permitiram ser fotografados com membros da unidade, que Azov usou para fins de propaganda.

Naquele mesmo ano, o Congresso dos EUA proibiu o uso de fundos americanos para fornecer armas, treinamento e outras assistências ao Batalhão Azov por causa de suas ligações com a extrema-direita e neonazistas. A ONU e a Anistia Internacional acusaram a unidade de violações dos direitos humanos.

Alguns grupos judeus têm observado com preocupação como jornalistas têm idolatrado a unidade e inventado desculpas para suas ações, apontando que há apenas alguns neonazistas na organização, o que é totalmente falso. Não apenas o regimento segue rigidamente a ideologia nazista como tem a simpatia de membros de outros regimentos do exército ucraniano.

A Otan recentemente usou uma rede social para destacar mulheres nas forças armadas da Ucrânia, mas teve que retirar a propaganda depois que usuários apontaram que elas estavam usando insígnias afiliadas aos nazistas.

Propaganda de guerra da OTAN. Faltou remover o símbolo nazista Black Sun do uniforme.
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Atualização 16/04/2022

"Um dos jornalistas mais proeminentes da Polônia, Konstanty Gebert, disse que está deixando o que muitos consideram como o jornal de registro do país depois que exigiu que Gebert descrevesse o controverso Batalhão Azov da Ucrânia como 'extrema-direita' em vez de 'neonazista'", escreveu neste sábado (16) Glenn Greenwald.

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