O Comitê de Política Monetária (Copom) ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por um lado, o processo de recuperação econômica dos efeitos da pandemia pode ser mais lento do que o estimado, produzindo trajetória de inflação abaixo da esperada.

Por outro, novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que piorem a trajetória fiscal, ou frustrações em relação à continuidade das reformas, podem pressionar os prêmios de risco do país.

O risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária.

Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • No cenário externo, novos estímulos fiscais em alguns países desenvolvidos devem promover uma recuperação mais robusta da atividade ao longo do ano. A presença de ociosidade, assim como a comunicação dos principais bancos centrais, sugere que os estímulos monetários terão longa duração. Contudo, riscos inflacionários nessas economias podem tornar o ambiente desafiador para países emergentes;
  • No cenário interno, indicadores mostram uma evolução mais positiva do que a esperada, mas a incerteza sobre o ritmo de crescimento da economia ainda permanece acima da usual;
  • Os preços internacionais das commodities continuaram em elevação, com impacto sobre as projeções de preços de alimentos e bens industriais;
  • As diversas medidas de inflação subjacente apresentam-se no topo do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação.
No cenário básico, com trajetória para a taxa de juros extraída da pesquisa Focus e taxa de câmbio partindo de R$ 5,40/US$, e evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC), as projeções de inflação do Copom situam-se em torno de 5,1% para 2021 e 3,4% para 2022. Esse cenário supõe trajetória de juros que se eleva para 5,50% a.a. neste ano e para 6,25% a.a. em 2022.

Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude. O Copom ressalta que essa visão continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções de inflação.

* Com informações do Banco Central do Brasil (BCB)

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