Em comunicado, o Copom disse que houve aumento das incertezas no cenário externo, sem citar motivos, mas afirmou que o “caráter acomodatício da política monetária nas principais economias tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes”.

O Comitê sinalizou que haverá interrupção no ciclo de corte dos juros.

“O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”, disse em comunicado.

No final do ano passado, o BCB justificou sua sinalização de maior cautela quanto a eventuais cortes adicionais da Selic neste ano de 2020 em função de um possível aumento da potência da política monetária associado a várias reformas e inovações no mercado de crédito. Contudo, tanto a magnitude quanto o tempo maturação dessas medidas são incertos, vide o caso do Cadastro (im)Positivo.

A CNI avalia que há espaço para outros cortes na taxa de juros,  principalmente se houver avanço na agenda de reformas. "Importantes  avanços para melhorar os fundamentos da economia, como a redução dos  juros, o controle da inflação e a aprovação da reforma da Previdência,  foram feitos em 2019. Mas é preciso fazer ainda mais", afirma Andrade.

Inflação abaixo da meta

O IPCA encerrou 2019 com variação positiva de 4,31%, nominalmente superior à meta de 4,25%, após dois anos consecutivos bastante abaixo da meta.

Mas o índice somente registrou essa variação por conta da alta atípica das proteínas animais no último bimestre do ano.

Da alta de 4,31% do IPCA em 2019, 0,86 p.p. adveio do grupo “carnes”, reflexo do choque de oferta global desfavorável assoviada à febre suína na região Ásia Pacífico.

Sem esse item, o IPCA teria subido cerca de 3,5% no ano passado – variação alinhada às projeções de consenso do mercado, e do próprio BCB, de maio de 2018 a novembro de 2019.

De fato, as medidas de núcleo de inflação, que expurgam os efeitos diretos dos choques de oferta/mudanças de preços relativos, encerraram 2019 com variação em torno de 3% – no piso do intervalo de metas, pelo terceiro ano consecutivo.

Nesse contexto, as projeções para a inflação cheia em 2020 ficaram inalteradas, apontando para uma variação do IPCA em torno de 3,5%, abaixo da meta de 4%.

Considerando as expectativas atuais, temos a perspectiva de quatro anos consecutivos de inflação abaixo da meta (e perto do piso, no caso dos núcleos).

Nem mesmo o reinício do processo de flexibilização da Selic a partir de  julho do ano passado, em conjunto com o forte estímulo de demanda com a liberação de saques do FGTS, foram suficientes para que a inflação projetada para 2020 convirja para a meta, em um regime monetário que ainda é de metas de inflação.

Os custos de curto prazo são óbvios: o desemprego está cerca de 2,5 p.p. acima do nível de equilíbrio, contra uma inflação 0,5 p.p. abaixo da meta neste ano de 2020.

* Com informações do Banco Central, Agência Brasil, Estadão, IBRE/Bráulio Borges

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