O Comitê destacou que os impactos do coronavírus ainda não estão refletidos nos dados mais recentes da atividade econômica brasileira.

“A pandemia causada pelo novo coronavírus está provocando uma desaceleração significativa do crescimento global, queda nos preços das commodities e aumento da volatilidade nos preços de ativos financeiros”, diz o comunicado. "Apesar da provisão adicional de estímulo monetário pelas principais economias, o ambiente para as economias emergentes tornou-se desafiador".

Comunicado do COPOM

Em sua 229ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 3,75% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

  • No  cenário externo, a pandemia causada pelo novo coronavírus está  provocando uma desaceleração significativa do crescimento global, queda  nos preços das commodities e aumento da volatilidade nos preços de  ativos financeiros. Nesse contexto, apesar da provisão adicional de  estímulo monetário pelas principais economias, o ambiente para as  economias emergentes tornou-se desafiador;
  • Dados de  atividade econômica divulgados desde a última reunião do Copom vinham em  linha com o processo de recuperação gradual da economia brasileira.  Entretanto, esses dados ainda não refletem os impactos da pandemia de  COVID-19 na economia brasileira;
  • O Comitê avalia que  diversas medidas de inflação subjacente se encontram em níveis  compatíveis com o cumprimento da meta para a inflação no horizonte  relevante para a política monetária;
  • As expectativas de  inflação para 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus  encontram-se em torno de 3,1%, 3,65% e 3,5%, respectivamente;
  • No  cenário híbrido, com trajetória para a taxa de juros extraída da  pesquisa Focus e taxa de câmbio constante a R$4,75/US$*, as projeções do  Copom situam-se em torno de 3,0% para 2020 e 3,6% para 2021. Esse  cenário supõe trajetória de juros que encerra 2020 em 3,75% a.a. e se  eleva até 5,25% a.a. em 2021; e
  • No cenário com taxa de  juros constante a 4,25% a.a. e taxa de câmbio constante a R$4,75/US$*,  as projeções situam-se em torno de 3,0% para 2020 e 3,6% para 2021.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Por  um lado, o nível de ociosidade pode produzir trajetória de inflação  abaixo do esperado. Esse risco se intensifica caso um agravamento da  pandemia provoque aumento da incerteza e redução da demanda com maior  magnitude ou duração do que o estimado.

Por outro lado, o  aumento da potência da política monetária, a deterioração do cenário  externo ou frustrações em relação à continuidade das reformas podem  elevar os prêmios de risco e gerar uma trajetória da inflação acima do  projetado no horizonte relevante para a política monetária.

Considerando  o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações  disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de  juros em 0,5 ponto percentual, para 3,75% a.a. O Comitê entende que  essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de  variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é  compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte  relevante, que inclui o ano-calendário 2020 e, principalmente, de 2021.

O  Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária  estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O  Copom enfatiza que perseverar no processo de reformas e ajustes  necessários na economia brasileira é essencial para permitir a  recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta, ainda, que  questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de  caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas têm o  potencial de elevar a taxa de juros estrutural da economia. Nessa  situação, relaxamentos monetários adicionais podem tornar-se  contraproducentes se resultarem em aperto nas condições financeiras.

O  Copom entende que a atual conjuntura prescreve cautela na condução da  política monetária, e neste momento vê como adequada a manutenção da  taxa Selic em seu novo patamar. No entanto, o Comitê reconhece que se  elevou a variância do seu balanço de riscos e novas informações sobre a  conjuntura econômica serão essenciais para definir seus próximos passos.

O  Banco Central do Brasil ressalta que continuará fazendo uso de todo o  seu arsenal de medidas de políticas monetária, cambial e de estabilidade  financeira no enfrentamento da crise atual.

Votaram por  essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos  Neto (presidente), Bruno Serra Fernandes, Carolina de Assis Barros,  Fábio Kanczuk, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello,  Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de  Souza.

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