Santos Dumont usará pista auxiliar enquanto principal estiver em obras. Ministério da Infraestrutura.
Santos Dumont usará pista auxiliar enquanto principal estiver em obras. Arte: Infraero

As equipes de trabalho atuarão 24 horas por dia, 7 dias  por semana, para recuperação das camadas porosa de atrito e estrutural  da pista. Os trabalhos garantirão a continuidade das operações nas  mesmas condições de segurança atuais, e de acordo com os requisitos  regulatórios demandados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac),  oferecendo melhora no contato com a pista molhada ou seca.

O fechamento da pista principal para as obras é  necessário devido à complexidade da tecnologia aplicada ao pavimento: a camada porosa de atrito não permite emendas e, por isso, inviabiliza a realização dos trabalhos em períodos intercalados.

Pista auxiliar poderá receber voos de aeronaves 3C

Durante  o período das obras, a pista auxiliar poderá receber aeronaves 3C, como  o Embraer E-190, Airbus A318 e Boeing 737-700. Para isso, a pista  recebeu uma reforma de cabeceira e implantação do sistema indicador de  rampa (Precision Approach Path Indicator – PAPI). Com as essas medidas,  companhias aéreas e aviação executiva poderão operar voos, respeitando  restrições de peso e tamanho de aeronaves, e minimizando o impacto para  os 750 mil passageiros e 260 voos que circulam em média no terminal  carioca.

Planejamento

As companhias aéreas  Latam, Gol, Azul e Passaredo e a Associação Brasileira das Empresas  Aéreas (Abear) participaram de discussões sobre o planejamento das  obras. Com as informações, todas puderam se planejar para seguir  operando no Santos Dumont ou transferir suas operações para o Aeroporto  Internacional do Galeão.

A Azul vai estrear seus 34 voos diários na ponte aérea Congonhas-Santos Dumont, dia 29 de agosto, voando sem concorrentes -- a pista auxiliar do aeroporto comporta a operação de suas aeronaves Embraer E195 e E190.

Período das obras

A decisão de manter as obras entre os meses de agosto e setembro também observa questões meteorológicas. Considerando a baixa incidência de chuvas na capital carioca entre esses meses, a probabilidade de interrupções nas obras da pista também é reduzida. Desde o início do ano, todo o planejamento da obra tem sido discutido com as companhias aéreas que operam no terminal.

Manutenções e capacitações durante a recuperação da pista

Durante  o período de obras na pista principal, o Aeroporto Santos Dumont vai realizar serviços de manutenção e capacitação de profissionais.  Equipamentos como elevadores, escadas rolantes, raio-x e pontes de  embarque passarão por revisões e ajustes.

Em outra frente, a  Infraero fará o treinamento de gerenciamento de risco de fauna para  bombeiros de aeródromo e fiscais de pátio, aproveitando a flexibilidade  nas escalas de trabalho a partir da redução nas operações. Já a área de  segurança irá aplicar os cursos de atendimento ao cliente para os  agentes de proteção da aviação civil, responsáveis pela operação dos  raios-x e detectores de metal; além de um treinamento sobre permanência  em área de manobras de aeronaves.

Histórico

A  última vez que a pista do aeroporto passou por manutenção semelhante  foi em 2009. À época, o Santos Dumont seguiu operando normalmente,  também por meio da pista auxiliar. A expectativa é de que a atual  recuperação da pista dure em torno de 10 anos, até uma nova manutenção.

Voos transferidos

Durante a obra, o Aeroporto Internacional Tom Jobim - Rio Galeão deve  receber 6 mil voos que passariam pelo Santos Dumont, incluindo todas as  viagens das companhias Gol e Latam. Segundo a concessionária Rio  Galeão, o aeroporto internacional receberá 767 mil passageiros a mais no  período, o que representa um acréscimo de 73% em sua movimentação  normal.

A Latam vai oferecer transporte terrestre gratuito entre o Santos Dumont  e o Terminal 1 do Galeão no período das obras. Os clientes poderão  embarcar, por ordem de chegada, em ônibus que partirão de hora em hora.  Para usar o serviço, será preciso apresentar documento pessoal com foto  válido para embarque, além do localizador do voo, da reserva ou do  cartão de embarque.

A Gol também vai oferecer transporte gratuito entre os dois  aeroportos e alerta que podem ocorrer pequenos ajustes no horário de  partida dos voos transferidos para o Galeão.

A Azul manterá no Santos Dumont, entre os dias 24 e 31 de agosto, os  voos entre o Rio de Janeiro e as cidades de Campos dos Goytacazes, no  norte fluminense, e São José dos Campos e Ribeirão Preto, no interior  paulista, além de voos para o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.  Entre os dias 1º e 21 de setembro, além destes, a companhia vai retomar a  ligação Rio-Vitória. Todos os outros voos da Azul serão transferidos  para o Galeão.

Embarque e Desembarque

No embarque, carros particulares, de aplicativo, ou táxis podem parar brevemente no Terminal 2 do Galeão. Já ônibus, micro-ônibus e vans devem ir apenas ao Terminal 1.

No desembarque, somente táxis cadastrados poderão buscar passageiros nas saídas. Carros particulares deverão parar no estacionamento de um dos terminais e veículos de aplicativo no estacionamento do Terminal 2. Ambos estacionamentos são pagos.

Lojistas

A queda na circulação de passageiros no Santos Dumont preocupa  lojistas e vendedores do aeroporto e do Shopping Bossa Nova Mall, que  fica ao lado do terminal.

Gerente de uma loja de óculos, Robert Alves teme que o faturamento anual  seja prejudicado. "Vai impactar diretamente no nosso dia a dia", disse  Alves. "Estamos vendo a possibilidade de conseguir parcerias com outras  lojas para dar descontos."

Funcionário de um quiosque de bebidas no aeroporto, Marcelo Matias disse  que sua escala de trabalho pode ser mudada para compensar a redução no  número de clientes. "Estamos pensando em fazer escala 12 por 36 porque o  público vai cair bastante", informou Matias.

*  Com informações da INFRAERO e da Agência Brasil.

Atualização: 24/08/2019:

Transferência eleva movimento no Galeão, mas sem transtornos

Santos Dumont fica praticamente vazio com a transferência de voos para o Galeão - Tomaz Silva/Agência Brasil
Santos Dumont fica praticamente vazio na manhã deste sábado (24) com a transferência de voos para o Aeroporto Internacional Tom Jobim (AIRJ/Galeão). Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil

Akemi Nitahara - Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro
24/08/2019 - 14:01

No primeiro dia de obras na pista principal do Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro,  que ficará quase um mês praticamente fechado, o Aeroporto Internacional  Tom Jobim – RioGaleão, na Ilha do Governador, registrou aumento significativo na movimentação de passageiros, mas não foram registrados transtornos.

Enquanto isso, no Santos Dumont, que só vai operar pela pista  auxiliar com alguns voos da Azul e da Passaredo, o movimento era  praticamente nenhum.

A engenheira Monique Soares seguia na manhã de hoje (24) para Brasília e o voo da Gol foi transferido do Santos Dumont para  o Galeão. Ela disse que foi informada da mudança com antecedência e  aproveitou o ônibus disponibilizado pela companhia aérea para fazer o  traslado entre os terminais. “Com antecedência eles ligaram e mandaram e-mail avisando. Eu moro no Flamengo, então é um pouco ruim, mas, com essa opção de ter o ônibus para deslocar os passageiros, não ficou tão ruim, porque a  gente não teve que custear. Tem ônibus de uma em uma hora, então,  sanou-se o problema.”

Um táxi do Flamengo até o Santos Dumont custa em torno de R$ 15 e,  para o Galeão, sobe para R$ 50. No transporte por motorista de  aplicativo, o mesmo trajeto custa cerca de R$ 10 até o Santos Dumont e  R$ 40 até o Galeão.

Os taxistas que trabalham no Santos Dumont reclamaram da baixa no  fluxo de passageiros. Segundo Antônio Carlos, integrante da Cooperativa  AeroDumont, que opera no aeroporto, a perda pode chegar a 60%.  

“Está complicado: vamos ter que segurar na rua, com aplicativo de táxi. No Galeão, a gente só pode subir para deixar passageiro e pegar se for pedido por aplicativo. Lá, no horário do rush, vai aumentar muito a demanda, e quem trabalha na rua vai para lá também. Não temos como fazer um acordo com eles porque lá é consórcio, aqui é direto com a Infraero”.

Aeroporto Internacional Tom Jobim (AIRJ/Galeão). Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil
Aeroporto Internacional Tom Jobim nesta manhã (24). Foto:Tomaz Silva/Agência Brasil

Os lojistas do Galeão já sentiram a diferença no aumento do movimento.

Segundo Beatriz Souza Santos, atendente de uma lanchonete no saguão de embarque, a expectativa é de aumento substancial nas vendas enquanto  durarem as obras no Santos Dumont. “Deu para perceber o aumento, sim.  Entre as 8h e as 10h o movimento era muito fraco, hoje teve um aumento, creio eu, de 50%. Estamos trabalhando a todo vapor,  está bastante movimentado, sempre tem alguém entrando, comprando”.

Em nota, a assessoria de imprensa do aeroporto internacional informou  que a operação segue normalmente, “com movimentação maior devido ao  início da transferência dos voos para o RioGaleão, mas sem imprevistos  até o momento”.