Os patinetes elétricos de aluguel surgiram nos EUA em meados de 2017, tendo sido obrigatório o uso de capacete na California até 19 de setembro de 2018.

Uma equipe de pesquisadores da área de saúde da Universidade da Califórnia, em San Diego, do Scripps Mercy Hospital e do Dell Seton Medical Center, analisou dados de pacientes que haviam sido internados por acidentes no uso de patinetes, ocorridos entre 01/09/2017 e 31/10/2018, atendidos em três centros de trauma – 103 pacientes foram admitidos nestes 14 meses.

Nos primeiros 8 meses, de setembro de 2017 a abril de 2018, foram admitidos um total de 5 pacientes. De maio a agosto (4 meses) foram registrados 38 pacientes. Em setembro foram 15 admissões, e em outubro, outros 45.

Para cada paciente, os pesquisadores levantaram sexo, idade, uso de drogas e álcool, uso de capacete, lesões sofridas no acidente, intervenções cirúrgicas, tempo de internação, e fizeram um tratamento estatístico dos dados.

Principais achados

  • A maioria (62%) dos pacientes tinha entre 20 e 40 anos.
  • Sessenta e sete (65%) eram do sexo masculino.
  • Apenas 2 pacientes usavam capacete no momento do acidente.
  • O teor de alcool no sangue foi medido em 81 (79%) pacientes: 39 (48%) estavam legalmente intoxicados.
  • Dos 60% dos pacientes que tiveram a urina analisada, resultou que 52% estavam sob efeito de alguma substância tóxica (32% maconha; 18% metanfetamina e anfetaminas; 2% cocaina).
  • A taxa de substâncias intoxicantes presentes é notavelmente mais alta do que em estudos anteriores sobre acidentes de bicicleta (15% a 20%) e skate (18% a 28%).
  • As fraturas nas extremidades foram a lesão mais frequente, ocorrendo em 43 pacientes (42%), das quais quatro foram fraturas expostas. As fraturas dos membros inferiores da tíbia/fíbula (30%) e maléolos medial e lateral (14%) foram as mais frequentes. Três pacientes apresentaram fraturas do fêmur e um com fratura pélvica. Fraturas dos membros superiores da clavícula, escápula, rádio e ulna também foram comuns. Entre os pacientes com fraturas de extremidades, 23 necessitaram de cirurgia, sendo a maioria fixações internas de redução aberta e oito necessitando de pinos intramedulares.
  • As fraturas faciais foram a segunda lesão mais comum encontrada nessa população, ocorrendo em 27 pacientes (26%), dos quais oito (30%) apresentaram fraturas de mandíbula.
  • Hemorragia intracraniana (HIC) ocorreu em 19 pacientes (18%). Além disso, 17 pacientes (16,5%) foram diagnosticados com concussão sem HIC.
  • Outras lesões significativas incluíram um hemotórax que requer colocação de tubo torácico, duas lacerações esplênicas, uma lesão renal e uma lesão da coluna cervical de vários níveis.
  • Oito pacientes (8%) necessitaram de internação na UTI.
  • Seis pacientes (7%) necessitaram de transferência para cuidados de longo prazo, enfermagem especializada e instalações de reabilitação.
  • A média do tempo de permanência hospitalar foi de 3 ± 7 dias.
  • A maioria dos pacientes (86%) recebeu alta, dois dos quais (2%) necessitaram de assistência médica domiciliar.

A pesquisa foi publicada no British Medical Journal’s Trauma Surgery & Acute Care Open.

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