Com o novo protocolo, os pacientes que procuram atendimento nas unidades de saúde com sintomas de coronavírus são medicados e orientados a permanecer em isolamento domiciliar. Caso os sintomas não apresentem melhora, o paciente é orientado a retornar à unidade e, após avaliação médica, pode ser encaminhado de ambulância para internação em um Hospital Municipal de Campanha (HMCamp).

Notavelmente, o tempo de internação é bastante curto se observado o grande número de altas, que são de fato um retorno para o tratamento domiciliar.

A primeira internação no HMCamp do Anhembi ocorreu no dia 11 de abril. Naquela data, o hospital provisório contava com 326 leitos. No dia 16, completada a primeira fase, o hospital passou a dispôr de 823 leitos de baixa complexidade e 64 leitos de estabilização. As obras no Pavilhão Norte/Sul para acomodar 913 leitos estão em fase final.

O HMCamp do Anhembi, com 1.800 leitos, deverá empregar mais de 2.100 profissionais.

O HMCamp Anhembi está operando com menos de 20% da capacidade instalada e menos de 10% da capacidade total. Fonte: Boletins dos Hospitais Municipais de Campanha do Pacaembu e do Anhembi
O HMCamp Anhembi está operando com menos de 20% da capacidade instalada e menos de 10% da capacidade total. Fonte: Boletins dos Hospitais Municipais de Campanha do Pacaembu e do Anhembi

A Sala de Estabilização é equipada com recursos para tratamento de pacientes mais graves. No HMCamp Anhembi foram instalados 64 leitos de estabilização. A utilização da estrutura montada tem sido igualmente muito baixa.

Fonte: Boletins dos Hospitais Municipais de Campanha do Pacaembu e do Anhembi
Fonte: Boletins dos Hospitais Municipais de Campanha do Pacaembu e do Anhembi

O curto tempo de permanência no HMCamp sugere que os pacientes apresentam sintomas leves e podem ser tratados em casa.

Fonte: Boletins dos Hospitais Municipais de Campanha do Pacaembu e do Anhembi
Fonte: Boletins dos Hospitais Municipais de Campanha do Pacaembu e do Anhembi

O aumento da ocupação do HMCamp Anhembi foi acompanhado de um factoide espalhado em redes sociais sobre uma "fila de ambulâncias".

A Secretaria Municipal da Saúde prontamente comentou sobre a fila de 10 (dez) veículos.

“Ontem (sábado), um total de 159 pacientes, foram admitidos no Hospital Municipal de Campanha do Anhembi e em alguns momentos formou-se uma fila na área de internação”, explicou em nota. “O aumento do número de casos de Covid-19 na cidade de São Paulo tem elevado a ocupação dos Hospitais Municipais de Campanha”.

O motivo para o aumento da demanda foi a mudança de protocolo de internação no espaço, que passou a receber pacientes de casos ainda menos graves. O que estão fazendo no hospital ainda precisa ser esclarecido.

“Se a pessoa está com um pouco de febre, está com uma oxigenação baixa, e tem os sintomas há alguns dias, eu consigo mandar para o hospital de campanha. Antes, eles exigiam a tomografia do paciente, e a gente não faz o exame aqui. Agora, não exigem mais e eu consigo pedir a vaga no sistema”, afirmou uma coordenadora da zona leste. “Mas, para caso mais grave, eu deveria encaminhar ao Pronto Atendimento de São Mateus. Nos últimos dias, está demorando para sair a transferência”, reporta o Estadão.

Considerando que não é realizado qualquer tipo de teste para confirmar infecção por coronavírus SARS-CoV-2, o procedimento de enviar um doente para uma instalação designada para acomodar pacientes com uma doença altamente contagiosa deveria receber a atenção das entidades médicas.  

Fonte: Boletins dos Hospitais Municipais de Campanha do Pacaembu e do Anhembi
Fonte: Boletins dos Hospitais Municipais de Campanha do Pacaembu e do Anhembi

Os hospitais de campanha do Anhembi e do Pacaembu recebem apenas pacientes encaminhados de unidades da rede pública da cidade.

Indústria da Covid

Ao menos 108 espaços foram ou ainda estão sendo transformados em hospitais de campanha pelos governos estaduais e municipais. Um levantamento feito pelo Estadão indica que, somadas as empreitadas de 19 Estados e do Distrito Federal, serão instalados cerca de 14 mil leitos em hospitais temporários.

* Com dados e informações da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo, Estadão

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