O Ministério da Saúde instalou na sexta-feira (13) uma sala de situação para monitorar e acompanhar os casos de hepatite aguda de causa a esclarecer.

A iniciativa tem como objetivo apoiar a investigação de casos da doença notificados em todo Brasil, bem como o levantamento de evidências para identificar possíveis causas.

A sala, que vai funcionar todos os dias da semana, conta com a participação de técnicos do Ministério, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), além de especialistas convidados.

“A criação dessa sala de situação é muito importante para monitoramento constante e direcionamento das decisões e ações de forma rápida, coordenada e oportuna”, informou o Secretário de Vigilância em Saúde substituto do Ministério da Saúde, Gerson Pereira.

No último dia 9, a pasta publicou a Nota Técnica n° 13/2022, com orientações para secretarias estaduais e municipais de saúde sobre a notificação, investigação e fluxo laboratorial de casos prováveis de hepatite aguda de etiologia desconhecida em crianças e adolescentes. A sala de situação irá atualizar periodicamente as orientações.

Desde os primeiros relatos de casos, o Ministério da Saúde tem atuado emitindo comunicado de risco para a Rede Nacional de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (RENAVEH) e para os Centros de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), orientando a notificação imediata de possíveis casos, conforme a Portaria GM/MS nº 420, de 2 de março de 2022.

No último dia 10 de maio, o Ministério da Saúde participou de reunião com grupo de especialista junto à Organização Mundial de Saúde (OMS) e com representantes de oito países (Reino Unido, Espanha, EUA, Canadá, França, Portugal, Colômbia e Argentina) nas áreas técnicas de emergências em saúde pública, infectologia, pediatria e epidemiologia para discutir as evidências disponíveis, até o momento.

O CDC americano emitiu um alerta de saúde em 21 de abril, após notificado, em novembro de 2021, que um "conjunto de crianças" tinha sido diagnosticado com infecções por adenovírus 41 e hepatite.

Foram identificados nove pacientes pediátricos internados entre outubro de 2021 e fevereiro de 2022. Dois desses doentes precisaram de um transplante de fígado.

"Essas crianças compareceram a provedores de saúde em diferentes áreas do Alabama com sintomas de uma doença gastrointestinal e graus variados de lesão hepática, incluindo insuficiência hepática", disse a Saúde Pública do Alabama (APH) em um comunicado de 15 de abril.

Além dos nove casos no Alabama, todos em crianças entre 1 e 6 anos, dois foram identificados na Carolina do Norte, disseram funcionários do Departamento de Saúde.

As autoridades estão investigando também a ligação entre casos de hepatite pediátrica e adenovírus.

Embora tenha havido relatos anteriores de crianças imunocomprometidas com adenovírus 41 em desenvolvimento de hepatite, o adenovírus 41 "não é conhecido por ser uma causa de hepatite em crianças saudáveis", disse o CDC.

A agência americana apontou ainda que "casos de hepatite pediátrica em crianças que testaram negativo para os vírus da hepatite A, B, C, D e E foram relatados no início deste mês no Reino Unido, incluindo alguns com infecção por adenovírus".

Autoridades britânicas disseram que "não há ligação" entre os casos e as vacinas covid.

Enquanto adenovírus e hepatite compartilham sintomas, como diarreia e náusea, a hepatite é muito mais preocupante e tem sintomas únicos.

Os adenovírus normalmente fazem seu curso sem precisar de intervenção médica. Não há tratamento específico para adenovírus.

A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ser causada por uma infecção viral, medicamentos, suplementos de ervas, intoxicação e várias condições médicas. Às vezes leva à internação e pode até precisar de um transplante de fígado.

Para diferenciar entre sintomas de adenovírus e de hepatite, os pais devem ficar atentos a fortes dores abdominais, febre, urina de cor escura ou fezes de cor clara. O sintoma mais revelador é a icterícia, uma coloração amarela na pele ou no brancos dos olhos.

No domingo (8), o CDC americano disse que estava investigando 109 casos de hepatite grave em crianças, e ainda não podia explicar o surto. Os casos, 90% dos quais necessitaram de internação e cinco deles fatais, ocorreram em 25 Estados americanos – 14% das crianças afetadas precisaram de transplantes de fígado.

No levantamento realizado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, atualizado às 16h deste sábado (14), estão sendo monitorados 44 dos 47 casos notificados em 11 Estados. Três casos foram descartados para a doença.

  • Espírito Santo (1)
  • Goiás (1)
  • Maranhão (1)
  • Mato Grosso so Sul (3)
  • Minas Gerais (7)
  • Paraná (2)
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  • Rio de Janeiro (6)
  • Rio Grande do Sul (3)
  • Santa Catarina (3)
  • São Paulo (14)

* Com informações do Ministério da Saúde

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