Atualizado em 24/04/2020

Para as duas entidades, a paralisação do varejo, que deveria se encerrar nesta quarta-feira (22) em São Paulo, significa a não circulação de R$ 1 bilhão por dia, acarretando enorme prejuízo para a economia e pondo em risco a maior parte dos empregos e da renda dos trabalhadores.

Segundo a nota (ver abaixo), o objetivo é evitar que os efeitos da pandemia do coronavírus SARS-CoV-2, que já afetam a saúde de milhares de pessoas no Brasil, não se perpetuem na economia.

A Facesp e a ACSP manifestaram apoio quando da implementação das medidas restritivas às atividades empresariais, mas alertam agora sobre o risco de desorganização do sistema econômico, com o fechamento de empresas, aumento do desemprego, perda de renda e impactos sociais negativos.

As entidades colocaram-se à disposição das autoridades para colaborar para o planejamento de uma saída organizada do isolamento com informações e posições, embora o governo paulista esteja tomando graves decisões sem ouvir a sociedade.

"As sucessivas prorrogações do isolamento agravam o cenário de incertezas, o que está levando a um aumento da demissão de trabalhadores. A Facesp e a ACSP cobram dos governantes mais diálogo e transparência nas decisões para reduzir a incerteza dos empresários e a ansiedade da população", diz a nota.

Dia das Mães

Comemorado no segundo domingo de maio, o Dia das Mães neste ano será no dia 10.  Com a quarentena, o varejo do Estado perderá a segunda melhor data de vendas, só superada pelo Natal.

As pequenas e microempresas responsáveis pela grande parcela de itens de vestuário, categoria mais vendida no Dia das Mães, serão as mais prejudicadas.

Desde o início do isolamento, as vendas no varejo paulista caíram 65% em relação ao mesmo período do ano passado.

Na quinta-feira (23), Doria propôs adiar a comemoração para agosto, lembrando que foi seu pai que inventou a data, durante reunião virtual do Comitê Empresarial Econômico, que reuniu 328 empresários.

O assessor econômico da Fecomércio-SP, Altamiro Carvalho, questiona a eficácia da proposta, ressaltando que em agosto as empresas vão estar mais descapitalizadas e os consumidores com a renda mais apertada e com medo de ir às compras por causa do desemprego.

Já para Alfredo Cotait, Presidente da ACSP,  a "proposta não faz sentido" porque o comércio acumularia a comemoração do Dia das Mães com a do Dia dos Pais.

Cotait criticou a sugestão ter sido feita pelo governador sem ouvir primeiro as entidades que representam o varejo.

“É uma maluquice, estamos quase quebrados e não sei se em agosto teremos condição de comemorar o Dia das Mães".

Cotait defende a flexibilização gradual do comércio em cidades menores, onde a doença ainda não chegou.

Nabil Sahyoun, Presidente da Alshop (Associação de Lojistas de Shoppings), reforça a tese de que os lojistas precisam voltar a abrir as lojas.

”Não adianta jogar essa data para agosto. Hoje já temos mais de 40 shoppings em funcionamento e até o dia 30 vão ser mais de 100 shoppings no País. Se São Paulo perder essa data será difícil de recuperar porque a venda terá sido captada pelos shoppings que estarão abertos".

O Presidente da Alshop insiste na reabertura dos shoppings a partir do dia 30 no Estado de São Paulo e diz que pretende continuar conversando e negociando para isso.

Retomada

João Doria tinha prometido anunciar na quarta-feira (22) um plano para futura retomada gradual das atividades no Estado de São Paulo. É um plano que nasce atrasado e guiado pelo cálculo político que indica que os ventos não sopram mais a favor de sua quarentena.

Centenas de milhares de negócios estão fechados por decreto do Governador, e o desemprego disparou. Milhões estão bloqueados de seu ganha-pão.
 
O Governo Doria demorou a compreender o prejuízo que causou por não ter iniciado a quarentena conjuntamente com um plano de retomada estabelecido.

O inexperiente governador reagiu às buzinas inoportunas do fim de semana passado, vazou o factoide de que anunciaria um plano, e correu para elaborar um rascunho, emprestando elementos do confinamento de Wuhan, ainda plenamente em vigor – ao contrário do noticiado pelas agências estatais da comunista China.

Segundo Doria, "Esse planejamento é feito com muito cuidado e com muito zelo. Os detalhes só serão anunciados no dia 8 de maio se todas as circunstâncias permitirem".

O incipiente plano apresentado impossibilita uma eventual flexibilização antes de 11 de maio, data decretada arbitrariamente, repetindo o erro de estabelecer quarentena por dias predeterminados, independentemente da evolução dos fatos.

Covid-19 em São Paulo

Cerca de 600 cidades paulistas tiveram atividades econômicas paralisadas, em cumprimento a decreto do Governador João Doria, antes que se registrassem óbitos causados pela Covid-19 – mais de 500 não tinham sequer um caso da doença.

Dados da quarta-feira (22), apontam que apenas 7 municípios do Estado possuem mais que dez óbitos atribuídos ao coronavírus: São Paulo (778), Osasco (32), Guarulhos (28), São Bernardo do Campo (20), Santos (19), Santo André (14) e Sorocaba (12).

Por sua vez, apenas 15 dos 645 municípios paulistas teriam mais de 100 "casos confirmados", a maioria em conurbações da Grande São Paulo: São Paulo, Barueri, Osasco, Guarulhos, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Taboão da Serra, Mauá, Carapicuíba, Campinas, Santos, São José dos Campos e Mogi das Cruzes.

Números próximos do real são desconhecidos. Por exemplo, em Barueri, no balanço de quarta-feira (15), o governo estadual dizia que havia por lá 64 casos confirmados, com 4 mortes. O balanço do município do mesmo dia apontava 349 casos e 6 mortes.

A imprecisão da contagem estadual provoca um problema de comunicação entre os moradores do município, que apontam a discrepância com os números estaduais e acusam a cidade de inflar os dados para justificar o fechamento do comércio. Contudo, a defasagem é favorável à narrativa do "achatamento da curva" e do "sucesso da quarentena". Assim como a subnotificação da doença.

Situação em 20/04/2020. Na Suécia não houve lockdown ou confinamento. Escolas, lojas, academias, restaurantes, cafés e bares suecos permanecem abertos.
Situação em 20/04/2020. Na Suécia não houve lockdown ou confinamento. Escolas, lojas, academias, restaurantes, cafés e bares suecos permanecem abertos.

Íntegra da nota da Facesp e ACSP

"São Paulo, 22 de abril do ano 2020A Federação das Associações Comerciais do Estado São Paulo (Facesp) e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) pedem aos governantes para que o comércio seja parcialmente reaberto a partir do dia 1º de Maio, Dia do Trabalho, evidentemente obedecendo às devidas regras de segurança, para evitar que os efeitos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que já afetam a saúde de milhares de pessoas no Brasil, não se perpetuem na economia. Queremos comemorar o Dia do Trabalho trabalhando!

A paralisação do varejo, que deveria primeiramente se encerrar nesta quarta-feira (22), significa a não circulação de R$ 1 bilhão por dia, acarretando enorme prejuízo para a economia e pondo em risco a maior parte dos empregos e da renda dos trabalhadores de modo geral.

A crise que o Brasil atravessa exige grandeza, discernimento e coordenação por parte dos governantes, para que não ocorram contradições, desperdícios ou a imposição de maiores sacrifícios à população do que os inevitáveis, que já são extremamente fortes.

A Facesp e a ACSP manifestaram apoio quando da implementação das medidas restritivas às atividades empresariais, mas alertaram na oportunidade que tais restrições deveriam ter o menor tempo possível de duração, considerando o impacto negativo da medida para as atividades econômicas e, principalmente, sobre os segmentos mais desfavorecidos da população.

Solicitaram medidas do setor público para garantir a sobrevivência das empresas e a manutenção dos empregos, bem como para os que trabalham por conta própria e os informais.

Alertam, agora, mais uma vez, sobre os grandes riscos decorrentes da prorrogação das restrições, tendo em vista as dificuldades enfrentadas por empresas e cidadãos após um mês de isolamento, e advertem para o risco de desorganização do sistema econômico, com o fechamento de empresas, aumento do desemprego, perda de renda e impactos sociais negativos sobre a saúde física e mental da população.

Mais uma vez, as entidades colocam-se à disposição das autoridades para colaborar para o planejamento de uma saída organizada do isolamento com informações e posições, na medida que a condição do setor de saúde permitir.

Os varejistas aplaudem as providências adotadas pelo governo federal para compensar os custos da paralisação das atividades, embora algumas ainda apresentem problemas para a efetiva implementação e não sejam suficientes para compensar as perdas impostas pelo governo do Estado ao funcionamento das empresas.

Lamentam que até o momento não tenham sido atendidos os pleitos encaminhados às autoridades do estado e do município de São Paulo, com relação à suspensão do pagamento dos impostos.

Os empresários desejam pagar seus tributos, mas não têm condições, no momento, por não terem recursos. Não se pode aceitar que o Estado queira, com uma mão, proibir o funcionamento e, com a outra, cobrar o imposto, como se fossem dois entes distintos. Isto coloca em risco milhares de empresas que se tornarão inadimplentes e perderão o acesso ao crédito.

As sucessivas prorrogações do isolamento agravam o cenário de incertezas, o que está levando a um aumento da demissão de trabalhadores. A Facesp e a ACSP cobram dos governantes mais diálogo e transparência nas decisões para reduzir a incerteza dos empresários e a ansiedade da população.

Consideram que, passados mais de um mês do isolamento, parece lógico supor que os governos já dispõem de dados suficientes e exemplos de outros países, que permitam adotar medidas diferenciadas por regiões e setores. Renovam o alerta de que com a nova prorrogação das restrições, a maioria das empresas, especialmente as menores, e grande parcela da população, não têm condições para suportar o prazo fixado, o que pode provocar uma comoção social. Apelam às autoridades que estudem medidas que possam, gradativamente, flexibilizar o isolamento, adotando medidas complementares.

A Facesp e a ACSP desejam externar a preocupação com propostas que vêm sendo debatidas no Congresso, que possam comprometer ainda mais as finanças públicas. Embora, no momento, seja necessário expandir os gastos, é necessário que os recursos sejam bem aplicados, de forma transitória, não em despesas permanentes.

Querem reafirmar a posição de que os custos da pandemia não estão sendo distribuídos com equidade. O setor privado – empresas, trabalhadores, profissionais liberais, por conta própria e informais – está sendo fortemente atingido pelo resultado do empobrecimento do país. Por isso, cobram do setor público, nos três Poderes, e em todos os níveis, sua parcela de contribuição.

As entidades estão certas de que com diálogo e participação de todos, o Brasil vai superar a crise e iniciar um novo ciclo de crescimento econômico e social".

* Com informações da Assessoria de Imprensa da ACSP, Helio Beltrão/Folha de S.Paulo, Estadão

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