“Creio que deveríamos excluir os fertilizantes dos regimes de sanções, a exemplo do que ocorre com os alimentos”, propôs a Ministra Tereza Cristina, na qualidade de Presidente da Junta Interamericana de Agricultura, aos participantes da Mesa Redonda sobre Insumos para Sistemas Agroalimentares Sustentáveis – entre eles, o Secretário de Agricultura dos EUA Tom Vilsack, ministros da Agricultura e representantes de países americanos, e dirigentes da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

“Temos que encontrar meios de evitar que medidas destinadas a punir comportamentos específicos, aplicadas por um grupo de países, acabem por afetar as cadeias alimentares mundiais", disse Tereza Cristina.

"Não podemos, sob o pretexto de solucionar um problema, criar um outro ainda maior, agravando a situação da fome que, segundo a FAO, já afeta a mais de 800 milhões de pessoas em todo o mundo”, acrescentou.

Para a Ministra, as restrições à compra de fertilizantes provenientes da Rússia e da Bielorrússia, importantes fornecedores mundiais, como forma de pressionar politicamente os dois países, desestabilizará a oferta dos insumos agrícolas.

Tereza Cristina explicou que a consequência será uma menor oferta global dos insumos, o que elevará seus preços, afetando a produção mundial de alimentos, reforçando a tendência inflacionária e ameaçando a segurança alimentar.

“Devido ao fornecimento altamente concentrado em poucos países, o mercado mundial de fertilizantes é muito sensível a choques de oferta. E o potencial de desestruturação do comércio destes produtos com a atual crise global é significativo”, disse a Ministra, ressaltando que a disponibilidade dos insumos impacta os preços das commodities agrícolas.

Atualização 18/03/2022

Os preços dos fertilizantes atingiram um novo recorde, à medida que as vendas da Rússia (um dos maiores produtores mundiais) são interrompidas, e o gás natural caro na Europa reduz a produção.

Cotação da ureia em New Orleans, EUA
Cotação da ureia em New Orleans, EUA

Atualização 04/04/2022

Os Estados Unidos aumentaram suas compras de petróleo russo em 43% entre 19 e 25 de março, de acordo com dados da Administração de Informações sobre Energia (EIA). Apesar da proibição da Casa Branca de importações de energia da Rússia, os EUA continuam a comprar até 100.000 barris de petróleo russo por dia.

* Com informações da Agência Brasil

Leitura recomendada:

Veja também: