Segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), instituição privada referência mundial em geração de conhecimento para a citricultura, a produtividade média para a safra 2019/20 é estimada em 1.051 caixas de 40,8kg por hectare, a mais alta já registrada desde o início da série histórica (1988/89),  superando a antiga melhor marca, de 1.033 caixas por hectare, obtida na  safra 2017/18. Em relação à safra 2018/19, que produziu 756 caixas por hectare, a produtividade é 39% maior.

Fonte: IBGE (1988-89 a 2014-15), Fundecitrus (2015-16 a 2019-20)

Entre os setores do cinturão citrícola, o Sudoeste apresenta a maior produtividade, com 1.227 caixas  por hectare e 2,42 caixas por árvore, mantendo sua posição com índices acima da média. Os maiores incrementos da produtividade são observados nos setores Noroeste (regiões de São  José do Rio Preto e Votuporanga) e  Norte (regiões de Bebedouro,  Altinópolis e Triângulo Mineiro), com 128% e 78% respectivamente. O Centro apresenta crescimento de 47% e o  Sul, 22%.

De acordo com o gerente-geral do Fundecitrus, Juliano Ayres, os  números refletem as condições climáticas favoráveis e a incorporação de tecnologia e informação pelos citricultores.

“O clima é uma questão conjuntural, pontual. A produtividade tem de ser avaliada de forma estrutural. Ela resulta de uma série de fatores, como os viveiros protegidos, o preparo do solo e os tratos culturais, especialmente nutrição e irrigação, os estudos das melhores regiões para o plantio, a densidade dos pomares e a adequação das combinações de copa-porta-enxertos e o controle da CVC [clorose variegada dos citros] e do greening”, explica Ayres.

A expectativa é que sejam colhidas quase 390 milhões de caixas nesta safra, volume 20% maior que  a média dos últimos 10 anos.

“80% dos pomares foram renovados e houve maior controle das  doenças e  pragas", destaca Vinícius Trombin, coordenador de pesquisa da  Fundecitrus.

Em relação ao ano passado, a área plantada com  laranja passou de 401.470 hectares para 395.764, uma redução de 1,4%. O  total de árvores, agora em 195,27 milhões, aumentou em aproximadamente 862 mil plantas, o equivalente a 0,44%, o que indica a continuidade do  cenário que vem sendo observado nos últimos anos, de redução mais  acentuada da área do que das árvores, decorrente da erradicação de pomares de baixa densidade e plantios de pomares mais adensados.

A  densidade média dos pomares implementados em 2018 é de 643 árvores por hectare, contra 672 em 2017 e 655 em 2016, o que sinaliza uma  estabilização da tendência de elevação da densidade de plantio.

A  área de pomares abandonados passou de 5.115 hectares em 2018 para 3.148 hectares em 2019. As regiões que concentram cerca de 80% dos pomares abandonados são: Limeira (28%), Brotas (18%), Votuporanga (15%), Matão  (11%) e Bebedouro (7%).

"Na safra 2019/2020 verificou-se  um conjunto de resultados que mostra uma tendência positiva de nossa  citricultura, como a adoção dos mandamentos no manejo do greening  impactando na dinâmica de expansão, diminuição de pomares abandonados,  um leve crescimento de novos plantios e aumento da produtividade". Lourival Carmo Monaco, Presidente do Fundecitrus

Consumo internacional em queda

Segundo  o coordenador metodológico da Pesquisa de Estimativa de Safra (PES), o professor da USP e da FGV e conselheiro da Markestrat Marco Fava Neves, o consumo de suco vem caindo  em mercados importantes, como Estados Unidos e União Europeia, e aumentando em mercados emergentes. Contudo, esse crescimento não  compensa a queda porque no emergente predomina o chamado néctar, um preparado de suco e açúcar diluido em água, que utiliza baixa quantidade  de fruta na sua formulação.

Para Fava Neves, o suco de laranja  vem se nacionalizando. “Embora não exista nada dizendo que o consumo  internacional vai aumentar, o estoque das indústrias divulgado  recentemente pela CitrusBR é relativamente baixo, em torno de 200 mil toneladas de suco”, argumenta. “E devemos considerar que o mercado  interno de suco 100% fresco envasado representou o processamento de 22  milhões de caixas de laranja em 2018, que foi um ano de crise".

Empregos

Em junho, o setor de agropecuária foi o segundo que mais gerou empregos, com saldo positivo de 22.702 contratações no mês. As atividades dentro do agro que mais se destacaram foram o apoio à agricultura, laranja e soja. São Paulo foi o estado que mais teve expansão de vagas.

* Com informações do Fundecitrus e da Revista Citricultor.