O trabalho de preparação biológica começou em fevereiro no Vector Institute, o principal centro de pesquisa em virologia e biotecnologia da Rússia. É baseado em Novosibirsk, a maior cidade da Sibéria. No início de abril, os pesquisadores anunciaram que a vacina havia passado com sucesso em testes com camundongos e furões, com preparações para testes em humanos em pleno andamento.

O início dos testes em humanos não significa que a Rússia receba a vacina Covid-19 imediatamente, já que o teste é uma "coisa muito precisa", explicou à RT Sergey Netesov, ex-diretor geral adjunto da Vector e chefe de seu laboratório por 30 anos, atualmente diretor do laboratório de microbiologia e virologia da Universidade Estadual de Novosibirsk.

"Em princípio, a vacina [russa] para consumo em massa não deve chegar antes de setembro", disse Netesov.

Na primeira fase dos testes, os voluntários devem ficar sob supervisão por pelo menos um mês após a administração da vacina. E pelos próximos 60 dias, eles devem permanecer em contato com os pesquisadores e relatar quaisquer complicações que possam ocorrer. Neste período de 90 dias, a "segurança e potência imunológica" são confirmadas.

Depois disso, são necessárias mais duas fases semelhantes para determinar a dosagem correta e outros fatores importantes. Essas duas etapas podem ser combinadas se "os participantes do teste vierem do epicentro do surto da doença", mas ainda é um processo demorado, explicou Netesov.

Mefloquina

Os farmacêuticos russos acreditam na eficácia dos remédios para malária contra o coronavírus SARS-CoV-2, mas sugeriram que outro medicamento –  a mefloquina – fosse empregado. Eles disseram que o tratamento foi desenvolvido levando em consideração a experiência chinesa e francesa.

A droga, que existe desde os anos 1970, bloqueia o efeito degenerativo que o Covid-19 tem nas células e não permite que o vírus se replique ainda mais, disse a Agência Federal de Medicina Biológica da Rússia (FMBA) em comunicado.

O efeito imuno-supressor da mefloquina impediria a resposta inflamatória causada pela doença.

"A droga de alta seletividade bloqueia o efeito citopático do coronavírus em cultura celular e impede sua replicação e o efeito imunossupressor da mefloquina impede a ativação de uma resposta inflamatória causada pelo vírus. A adição de antibióticos macrolídeos e penicilinas sintéticas não só previne a formação da síndrome bacteriológica viral secundária, mas também aumenta a concentração do agente antiviral no plasma e pulmões", disse Veronika Skvortsova, chefe da FMBA.

Os médicos russos estão trabalhando em "um esquema eficaz e seguro para prevenir a infecção por coronavírus com base na mefloquina, que não apenas superaria o pico de incidência, mas também o controlaria efetivamente no futuro", afirmou a FMBA.

A cloroquina e formulações tem o potencial de levar alguns pacientes à morte súbita.

A Mayo Clinic explica que a hidroxicloroquina bloqueia um dos canais que controlam os sistemas de recarga elétrica do coração. "Essa interferência aumenta a possibilidade do ritmo cardíaco degenerar em batimentos erráticos perigosos, resultando em morte cardíaca súbita".

O Centro Hospitalar Universitário de Nice, França, um dos primeiros hospitais a testar a hidroxicloroquina em pacientes contaminados pelo vírus, encerrou a administração do medicamento após eletrocardiogramas apresentarem anomalias.

* Com informações do RT, Estado de Minas

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