“Não há uma previsão clara de como o vírus se comportará ainda, mas estou certo de que haverá uma segunda onda e concordo com a opinião sobre a gravidade da doença, por um lado, porque durante o longo isolamento a imunidade das pessoas diminuiu. Por outro lado, existe um número suficiente de pessoas na população que não são suscetíveis ao coronavírus, ou seja, elas não adoecem mesmo se infectadas”, disse Palstev.

Segundo o cientista, a infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) deve ter três ondas e só será possível voltar ao modo de vida habitual no verão (russo) de 2021.

Palstev disse que, historicamente, todas as pandemias virais ocorrem em três ondas. A primeira é bastante forte, a segunda é ainda mais forte e a terceira é menos potente devido à formação de imunidade de rebanho.

O cientista reiterou que, por exemplo, a gripe espanhola ocorreu em três ondas no início do século passado. “Supondo que no verão a incidência diminuiu e há motivos para supor que aumentará no outono, então sim, aí são três temporadas”, disse. “E é possível presumir que só no verão do próximo ano voltaremos ao modo de vida habitual”.

O Prof. Paltsev acrescentou que é possível contrair a infecção repetidamente, citando casos recorrentes na França e na Rússia, "embora haja muito poucos deles", explicou. "Dito isso, ele (o coronavírus) está realmente em mutação, mas em geral apenas os receptores de proteína de sua membrana estão mudando, enquanto mutações que mostrariam que o vírus estaria se tornando mais agressivo não foram detectadas", observou.

Há duas semanas, Areg Totolian, Diretor do Instituto Pasteur de Epidemiologia e Microbiologia de St. Petersburg, e também um membro da Academia Russa de Ciências, disse em entrevista à Interfax que o aumento da incidência de Covid-19 no outono é inevitável, porque o término do período de férias escolares aumentará significativamente a densidade populacional.

Totolian sugeriu que a doença do outono provavelmente afetará mais as pessoas que antes evitavam o contato social e praticavam auto-isolamento.

"Devemos estar moralmente preparados para o fato de que a doença pode ser mais grave no outono. Não porque o vírus mudou, mas porque quem está em casa há muito tempo e não tem contato não ficou doente, mas não recebeu imunização passiva", disse o diretor do Instituto Pasteur. “Mais cedo ou mais tarde essas pessoas sairão do 'bunker' e é possível que adoeçam. Muitos desses casos podem ocorrer”.

Ele acredita que um eventual forte aumento da incidência da doença precisará ser regulamentado por restrições, mas em geral não se deve ter medo de adoecer.

“Quem tiver que adoecer ficará doente. A epidemia vai continuar até que a sociedade como um todo adquira imunidade coletiva", disse Totolyan. "Até o momento, só há duas formas de adquirir imunidade – ou adoecendo ou sendo vacinado".

Na quarta-feira (26), a Vice-Primeira-Ministra Tatyana Golikova disse em uma reunião online entre o Presidente Vladimir Putin e membros do gabinete, que a maioria dos pacientes com coronavírus na Rússia não apresenta sintomas.

“No final de agosto, aqueles que não apresentam sintomas constituem a maioria dos pacientes com Covid-19, e outros 3,2% dos infectados apresentam formas graves da doença”, observou.

Golikova apontou que quase metade dos leitos hospitalares para pacientes com a doença causada pelo coronavírus estavam vagos nas regiões da Rússia.

Nesta quinta-feira (27), o Ministro da Saúde, Mikhail Murashko, disse a repórteres que os hospitais russos estão prontos para fornecer toda a ajuda necessária aos pacientes no caso de uma segunda onda da pandemia do novo coronavírus.

“As instituições médicas estão prontas, porque o período de organização já havia sido concluído de antemão, e um princípio de duplo trabalho foi formado”.

Os dados mais recentes da Rússia indicam 16.700 óbitos por Covid-19 em todo o país.

Sputnik V

Rakhim Khaitov, Imunologista-Chefe Independente do Ministério da Saúde russo, disse a repórteres nesta quinta-feira (27) que a vacina do Gamaleya Research Institute of Epidemiology and Microbiology foi criada com base nas mais recentes conquistas da biologia molecular e aqueles que a recebem começam a desenvolver anticorpos e imunidade mediada por células T.

“Esta não é apenas mais uma vacina, é uma vacina de geração moderna. Foi desenvolvida com base nas mais recentes conquistas da biologia molecular, virologia e imunologia, o que significa que é uma vacina baseada em evidências", afirmou Khaitov. "Já sabemos hoje que a vacina dá uma boa resposta imunológica ou desenvolve anticorpos. Ela também dá uma boa resposta celular e o mais importante é inofensiva. O registro da vacina foi perfeitamente justificado, e acho que será o primeiro medicamento eficaz –  tem tudo [para se tornar um] ".

Khaitov sublinhou que quem critica a vacina não conhece as suas particularidades, embora também haja um grupo de pessoas que rejeita qualquer vacina em geral. "Eles sempre causaram um dano tremendo", observou.

“Acredito que foi a decisão certa registrar a vacina criada pelo centro Gamaleya. Há todos os motivos para considerá-la eficaz. A pesquisa clínica pós-registro começa agora, com 40.000 voluntários, enquanto os grupos de alto risco podem ser vacinados simultaneamente, principalmente médicos e professores. Acho que tudo dará certo. Estou planejando vacinar eu mesmo e também minha família e todos os parentes”, finalizou.

* Com informações da TASS, Interfax

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