Sergey Ryabkov acredita que a luta pelo domínio internacional estava se intensificando bastante antes do início da pandemia, mas "infelizmente, o coronavírus não conseguiu neutralizar esse processo, pelo contrário, apenas o amplificou e acelerou".

Ryabkov entregou um relatório sobre o futuro da política externa russa na sede da agência de notícias TASS em Moscou.

"As divisões que podem resultar em grandes conflitos internacionais –  potencialmente globais –, divididas entre as principais potências, estão se aprofundando. A ameaça de uma guerra nuclear não foi eliminada", diz Ryabkov.

Com o abandono dos principais tratados sobre armas e a influência de organismos internacionais como a ONU em declínio, "a força militar está desempenhando um papel cada vez mais importante nas relações internacionais", reconheceu o diplomata. Os principais players devem trabalhar juntos para obter uma resposta diplomática a esse desafio, se quiserem evitar o pior cenário, acrescentou.

"Os EUA continuam uma série de exercícios que envolvem a simulação de ataques nucleares limitados, particularmente – como ficou conhecido recentemente – em alvos na Rússia. Condenamos tais ações", postou recentemente Ryabkov em rede social.

New START

A Rússia e os Estados Unidos são partes do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), que deve expirar em 2021.

De acordo com uma reportagem da AP News, na sexta-feira (17), o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, e o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, discutiram o destino do novo acordo START de 2010, bem como possíveis acordos futuros para limitar as armas nucleares.

Lavrov reiterou o desejo de Moscou de estender o New START de fevereiro de 2021 até 2026 e esclareceu que dois dos novos sistemas de armas da Rússia estariam cobertos pelo tratado e que o país está aberto à negociação de um novo tratado que limitaria outros sistemas de armas russos atualmente em desenvolvimento.

Ironicamente, durante as negociações os americanos exigiram que armas hipersônicas não fossem incluidas no New START, mas mudou de posição agora que a Rússia implantou essa arma e os Estados Unidos não.

De acordo com o artigo da APNews, Ryabkov afirmou que a Rússia está disposta a discutir a inclusão dessas armas em um futuro acordo de armas "como parte de um diálogo mais amplo sobre estabilidade estratégica". Em outras palavras, qualquer acordo futuro teria que incluir limites às defesas de mísseis dos EUA.

A Rússia não pode ter um diálogo com os EUA sobre novas armas hipersônicas russas sem uma discussão aprofundada dos projetos hipersônicos dos EUA, seus planos para criar um sistema antimíssil global e usar armas no espaço, disse Ryabkov ao Sputnik na sexta-feira (17).

"Não podemos ignorar esses projetos das forças armadas dos EUA, pois os vemos como altamente desestabilizadores em termos da esfera estratégica", afirmou Ryabkov.

Por sua vez, a China tem receio de entrar em negociações com os Estados Unidos e a Rússia sobre um novo tratado nuclear. Seu arsenal nuclear é dez vezes menor que o dos Estados Unidos e da Rússia, e os americanos não pediram a inclusão nas negociações da França e do Reino Unido, cujos arsenais nucleares têm tamanho semelhante ao da China.

* Com informações da RT, UrduPoint, AllThingsNuclear

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