O Primeiro-Ministro António Costa dirigiu-se na noite desta quinta-feira (12) ao país sobre a real situação da pandemia de covid-19 em Portugal.

Além da suspensão, a partir de segunda-feira (16), de todas as atividades letivas presenciais até o período de férias da Páscoa, o Primeiro-Ministro anunciou uma série de medidas para conter a disseminação do novo coronavírus em Portugal, incluindo o fechamento de discotecas e de estabelecimentos similares, redução de um terço da lotação em restaurantes e espaços públicos, limitação de frequência de centros comerciais e serviços públicos, e limitação de visitas a lares de idosos

Navios de cruzeiro poderão continuar a aportar em Portugal, mas apenas para reabastecimento, sendo proibido o desembarque, exceto de residentes.

A proteção do emprego será um dos pontos a ser decidido no Conselho de Ministros, que se reunirá ainda esta noite. António Costa adiantou que serão criados apoios aos trabalhadores de recibos verdes que tenham de interromper suas atividades e às empresas, cujo funcionamento e produção poderá padecer com o surto do novo coronavírus.

Quanto à situação excepcional das famílias que têm de cuidar de crianças afetadas pela suspensão das aulas “iremos criar um mecanismo especial que assegure a remuneração parcial em conjunto com as entidades patronais, de forma a minorar o impacto negativo no rendimento das famílias”, garantiu o Primeiro-Ministro.

Medidas especiais serão também adotadas para "apoiar os profissionais de saúde, de segurança, de serviços de emergência e de outros profissionais que também tendo filhos são imprescindíveis ao funcionamento da sociedade”, acrescentou.

Tempos piores virão

António Costa disse que o pior ainda deverá estar por vir.

"Temos de partir do princípio que esta pandemia, no continente europeu e designadamente em Portugal, não atingiu ainda o seu pico, pelo contrário, está em fase de evolução”, afirmou.

O Primeiro-Ministro admitiu como “muito provável” que nas próximas semanas, “mais doentes venham a ser contaminados, por ventura com mais graves consequências para a sua saúde e para a sua própria vida e que este possa ser um surto mais duradouro” do que originalmente previsto.

A pandemia é "uma situação a todos os títulos excepcional", acrescentou, "nova para todos nós em tempos contemporâneos e que coloca desafios imensos".

O Primeiro-Ministro disse ainda que a responsabilidade de impedir o contágio recai para cada cidadão.

“O primeiro dever de cada um de nós é cuidar do próximo, é evitar como que por negligência, por desconhecimento, ponhamos em risco a saúde do outro”, afirmou.

“Nenhum de nós sabe se é portador de um vírus que involuntariamente estar a passar a outro. É uma enorme responsabilidade que temos de ter no nosso relacionamento social, de forma a podermos enfrentar como comunidade, como partilha, esta ameaça nova que estamos a viver e que só juntos poderemos enfrentar", disse o Primeiro-Ministro. "Esta é uma batalha e uma luta de todos, pela nossa sobrevivência e proteção".

“O apelo que faço a todos é a que tenhamos consciência de que devemos, temos de limitar ao máximo as nossas deslocações, os nossos contatos sociais, o nosso convívio social", disse António Costa.

"Tememos não estar preparados"

"Não estivemos parados e, contudo, como todos os outros, tememos não estar preparados porque não depende só de nós", afirmou a Ministra da Saúde Marta Temido, no final do debate de atualidade pedido pelo CDS sobre a resposta do país ao coronavírus.

A Ministra disse que a linha de saúde 24, com um novo 'call center', estará capacitado para responder a duas mil chamadas simultâneas, e recusou que o Governo tenha errado ao não introduzir mais cedo restrições a viagens.

"As restrições às viagens tinham um efeito ilusório de nos proteger de um mundo cada vez mais global, passámos a acompanhar viajantes provenientes da China, depois de Itália, provavelmente teremos de pensar no mesmo sistema para outros passageiros de áreas afetadas", afirmou.

A Ministra recusou também que fosse possível regular que cidadãos de áreas onde há mais casos, como Felgueiras e Lousada, tivessem "menos acesso ao Portugal que é de todos".

Quanto à possibilidade de serem realizados mais testes, também pedido por vários partidos, a Ministra garantiu que o aumento de pessoas testados será feito "à medida que as autoridades de saúde o recomendarem".

"É sobretudo o momento de aliar contenção, precaução à mitigação, não deixando nunca de ajudar ninguém, não deixando nunca que alguém fique sozinho em casa isolado, sem pão, sem  água, sem serviços básicos, disso não nos absteremos", assegurou.

Casos confirmados

A Direção-Geral da Saúde atualizou, esta quinta-feira à tarde, o número de infectados de 59 para 78, dos quais 69 estão internados.

Foi o maior aumento de casos em um dia.

A região Norte continua a ser a que regista o maior número de casos confirmados (44), seguida da Grande Lisboa (23) e das regiões Centro (5) e do Algarve (5).

* Com dados e informações da RTP, Jornal de Notícias, Jornal de Negócios

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