"O carnaval de rua nos moldes que eram feitos até 2020, já não aconteceu em 2021 e não vai acontecer em 2022. Eu falo aqui como um prefeito que gosta de carnaval, como um cidadão, mas infelizmente a gente não pode fazer", disse Paes em transmissão ao vivo por rede social.

"Se podemos ter jogos do Flamengo no Maracanã e jogos do Vasco em São Januário, podemos ter desfile da Portela, da Mangueira, do Salgueiro, da Beija-Flor no estádio do samba que é a Marquês de Sapucaí. Basta que os protocolos adotados para o futebol sejam transferidos. Isso também vale para as festas em espaço fechado, onde você tem como estabelecer controle. O carnaval de rua, pela sua própria natureza e pelo aspecto democrático que tem, gera a impossibilidade de exercer qualquer tipo de fiscalização", acrescentou o prefeito do Rio de Janeiro.

O anúncio de Paes ocorre após a cobrança de um fabricante de cerveja, que havia fechado um patrocínio de R$ 39 milhões, pedindo uma decisão definitiva para que houvesse tempo hábil de planejar e montar o evento com 620 desfiles.

O carnaval de rua seria produzido pela Dream Factory, responsável pela folia de rua na cidade há uma década. A empresa foi a única a apresentar uma proposta para executar a organização dos desfiles pela capital.

Paes chegou a oferecer à patrocinadora e aos 506 blocos a alternativa de concentrar os desfiles em três espaços, com distribuição gratuita de ingressos, exigência de comprovação vacinal e testagem prévia. Os locais seriam o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, e um outro local na Zona Oeste, a ser definido; e o Parque Madureira, na Zona Norte. Os blocos carnavalescos rejeitaram a proposta.

O cancelamento dos desfiles dos blocos cariocas acompanha decisão da Prefeitura de Salvador, que confirmou oficialmente na segunda-feira (3) que não haverá carnaval de rua na capital baiana em 2022.

Aglomeração

Em maio de 2021, o Secretário Municipal de Saúde, Daniel Soranz, procurou explicar o motivo de um decreto municipal proibir o funcionamento de boates, danceterias e salões de dança mas liberar rodas de samba na capital.

"Tem de haver distanciamento, não pode aglomerar", explicou Soranz. "Numa boate, é mais apertado", justificou.

Talvez Soranz entenda que nos disputados bailes de salão do carnaval carioca de 2022 não haverá aglomeração, e como todos usarão máscaras de pano o aumento de infecções não será um risco à saúde dos foliões, muitos deles vindos do Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha em busca de turismo sexual.

"Tinha 17 semanas que registrávamos redução dos casos de covid-19. De repente, a gente começa a ter um aumento de novos casos e isso é indicativo de uma nova variante. Toda vez que temos uma nova variante chegando significa que teremos mais casos. Felizmente esses casos não estão gerando aumento de casos graves, óbitos e internações. Claro que isso ainda é precoce, estamos avaliando", disse.

Qualquer semelhança com o Carnaval de 2020 não é coincidência.

* Com informações da Agência Brasil

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