A exposição reúne três instalações – Sensing Streams 2022, Optical Walls e Gold Rush, além da seção Rhizomatiks Archive & Behind the Scenes, uma coleção de dispositivos criados pelo grupo japonês ao longo de seus 15 anos de atividade.

Durante a mostra, o público poderá vivenciar experiências de interação, imersão e contemplação. Começando pela instalação 'Sensing Streams 2022 - Invisible, Inaudible' – desenvolvida por Daito Manabe, um dos fundadores do Rhizomatiks, em colaboração com o músico japonês Ryuichi Sakamoto, compositor de trilhas sonoras vencedoras do Oscar e BAFTA, a obra detecta ondas eletromagnéticas presentes no local, incluindo aquelas vindas dos smartphones, e torna visíveis e audíveis as diferentes frequências usando uma tela de LED de mais de 10m². O visitante é convidado a interagir com a obra, mudando a frequência e o comprimento de onda com um controlador manual.

“Nos dias atuais, quando as ondas eletromagnéticas se tornaram parte essencial de nossa infraestrutura, esta obra nos torna conscientes de um fenômeno que geralmente passa despercebido – o fluxo, ou fluxos, de uma infinidade de ondas eletromagnéticas –, ao mesmo tempo em que reflete nosso envolvimento ativo através de telefones celulares e smartphones”, explica Daito Manabe.

Fenômenos complexos

Na instalação Optical Walls, criada pelo engenheiro Yoichi Sakamoto em colaboração com a empresa química Mitsui Chemicals, um jogo de luzes de LED atravessa as lentes dispostas em uma sala escura enevoada criando um espaço segmentado pela luz. A iluminação difusa neste ambiente cria paredes de luz que pairam no ar e remete à imagem de portas se abrindo.

“Na natureza existem fenômenos surpreendentemente complexos a partir das ferramentas mais simples. Por exemplo, a órbita da Terra ao redor do Sol está sobre um eixo fixo e inclinado, que dá origem às estações do ano e a um conjunto mercurial de flutuações ambientais. Embora frequentemente esquecida no decorrer da vida cotidiana, esta inclinação de apenas 23,5 graus gera uma variação verdadeiramente notável neste planeta que chamamos de lar. Nossa instalação trata justamente sobre princípios enganosamente simples como esse. No fundo, é composta puramente de um punhado de fontes de luz rotativas que exploram o papel da difusão em superfícies planas. Utilizando materiais fabricados pelo homem, Optical Walls demonstra as leis fenomenológicas da natureza e um deslumbrante efeito caleidoscópico”, explica Yoichi Sakamoto.

Corrida do ouro moderna

Gold Rush – Visualization+Sonification of OpenSea Activity é focada no universo digital, em especial no movimento dos NFTs e da CryptoArt, e provoca uma reflexão sobre os desafios da corrida do ouro moderna. O trabalho audiovisual surgiu das pesquisas do coletivo em seu CryptoArt Experiment, plataforma desenvolvida pelo Rhizomatiks como um mercado para a compra de CryptoArt.

NFT é uma espécie de certificado digital, estabelecido via blockchain, que define originalidade e exclusividade a bens digitais. Sigla para "Non-fungible Token" (token não fungível), os NFTs têm chamado a atenção após somas milionárias terem sido usadas para comprar esse tipo de ativo na Internet.

Na fronteira entre economia, tecnologia e arte, Gold Rush é um registro das 24 horas anteriores e posteriores ao dia 11 de março de 2021, data em que a obra Everydays: The First 5.000 Days, do americano Beeple, foi vendida pela casa de leilões britânica Christie's por quase 70 milhões de dólares – um marco para a história das NFTs. Buscando refletir sobre a estética do NFT, que possui regras, lógica e estrutura diferentes das que são encontradas no mercado de arte, Daito Manabe tornou visível os dados da transação comercial.

Para a diretora cultural da Japan House São Paulo e curadora da exposição, Natasha Barzaghi Geenen, “essa obra não chama a atenção apenas para um assunto tão atual quanto os NFTs, criptomoedas e blockchains, mas dá visibilidade para o dinamismo das relações virtuais e suas tantas possibilidades”.

A exposição apresenta ainda colaborações, trabalhos, registros de pesquisas e seus desenvolvimentos e outros projetos do Rhizomatiks no Japão e no mundo. Vídeos, dispositivos e documentos revelam os bastidores da produção do coletivo japonês.

Japan House São Paulo
Exposição O que não se vê – Rhizomatiks
Endereço: Avenida Paulista 52, Bela Vista – São Paulo/SP
Período: 12 de julho a 2 de outubro de 2022
Horário: Terça a sexta-feira, das 10h às 18h; Sábados, das 9h às 19h; Domingos e feriados, das 9h às 18h. Fechada às segundas-feiras, sem exceção.
Entrada Gratuita