Falando em uma conferência de imprensa com a Primeira-Ministra sueca Magdalena Andersson, Guterres enfatizou que "uma ação rápida e decisiva" era necessária para evitar a escassez de alimentos, ou seja, "levantar as restrições à exportação, alocar excedentes e reservas para populações vulneráveis e abordar os aumentos dos preços dos alimentos para acalmar a volatilidade do mercado".

"Mas deixe-me ser franco: não há uma solução eficaz para a crise alimentar sem reintegrar a produção de alimentos da Ucrânia, bem como dos alimentos e fertilizantes produzidos pela Rússia nos mercados mundiais, apesar da guerra", disse Guterres.

Ele enfatizou que a ONU está fazendo tudo o que pode para promover o diálogo sobre o assunto. Segundo Guterres, duas equipes da ONU estão trabalhando para garantir um “pacote” que garantiria a “exportação segura” de alimentos produzidos na Ucrânia, juntamente com alimentos e fertilizantes russos através do Mar Negro para os mercados globais, especialmente para “países em desenvolvimento".

Na terça-feira (31), a Secretária-Geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Rebeca Grynspan, visitou Moscou, com "discussões construtivas" sobre as exportações de alimentos e fertilizantes com o Primeiro-Ministro russo Andrey Belousov. Ela então viajou para Washington para discutir o mesmo assunto.

As declarações de Guterres ocorreram quando o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, emitiu um aviso de que o mundo estava agora “potencialmente à beira de uma crise alimentar muito profunda” que, segundo ele, foi causada por “restrições ilegais” impostas à Rússia. Peskov também culpou as autoridades ucranianas pela implantação de minas nos portos do Mar Negro que tornaram a navegação insegura.

O mercado global de alimentos sofreu uma disrupção devido à intervenção militar russa na Ucrânia, já que a Rússia é o maior exportador mundial de fertilizantes e de gás natural, e os dois países respondem por cerca de 30% dos embarques globais de trigo.

Enquanto o Ocidente acusou a Rússia de causar um aumento nos preços dos alimentos ao continuar sua operação militar, Moscou sustenta que a verdadeira causa da crise são as sanções ocidentais “politicamente motivadas” contra o país.

Atualização 08/06/2022

O Presidente da Ucrânia disse que o mundo está à beira de uma “terrível crise alimentar” e que “milhões de pessoas podem morrer de fome” se o bloqueio russo aos portos ucranianos do Mar Negro se mantiver.

“Não podemos exportar o nosso trigo, o nosso milho, o nosso óleo de sementes e outros bens que costumavam ter um papel estabilizador no mercado global”, disse Zelensky.

A Rússia respondeu que está nas mãos da Ucrânia resolver o problema da exportação de cereais.

O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, viajou para a Turquia para negociar a criação de corredores marítimos para escoar os cereais ucranianos.

“Já explicamos que os cereais podem ser transportados livremente para o seu destino. A Rússia não está colocando obstáculos. É o Sr. Zelensky que tem de dar a ordem, se ainda mandar em alguma coisa por lá, para permitir que os navios estrangeiros e ucranianos vão para o Mar Negro”, disse o diplomata russo.

Atualização 09/06/2022

A Turquia considera que o plano da ONU sobre as exportações marítimas de grãos ucranianos é viável e implementável, disse o Ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, após as negociações de 8 de junho com seu homólogo russo Sergey Lavrov.

O chefe da diplomacia russa disse que, de acordo com o lado turco, a Ucrânia estava pronta para remover as minas de seus portos marítimos ou garantir uma passagem segura para navios a fim de exportar grãos.

Logo após a reunião entre os dois diplomatas, o embaixador ucraniano em Ancara, Vasily Bodnar, disse à CNN Turk que Kiev concordaria em reativar as exportações marítimas de grãos apenas em troca de garantias de segurança, como armamentos anti-navio e a participação das forças navais de países terceiros na proteção de suas águas. Ele enfatizou que não houve acordos sobre a questão entre a Ucrânia, a Turquia e a Rússia.

De acordo com especialistas, a declaração do diplomata ucraniano significa que Kiev não está realmente preocupado com a crise alimentar, abertamente expressando a intenção de explorar a questão da exportação de grãos exclusivamente para receber mísseis anti-navio ou forças navais ocidentais a fim de enfraquecer a frota russa do Mar Negro.

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