A carta Severity of SARS-CoV-2 Reinfections as Compared with Primary Infections, publicada no site da NEJM em 24 de novembro, é subscrita pelos pesquisadores Laith J. Abu-Raddad e Hiam Chemaitelly, do Weill Cornell Medicine de Doha, e pelo Ministro de Saúde Pública do Qatar, Roberto Bertollini.

A primeira onda de infecções no Qatar ocorreu entre março e junho de 2020. No final, cerca de 40% da população tinha anticorpos detectáveis contra o SARS-CoV-2, o vírus da covid-19. O país enfrentou mais duas ondas de janeiro a maio de 2021, desencadeadas pela introdução das variantes Alpha e Beta.

"Usando bancos de dados federados nacionais que capturaram todos os dados relacionados ao SARS-CoV-2 desde o início da pandemia, investigamos o risco de doença grave (levando à hospitalização para cuidados agudos), doença crítica (levando à hospitalização em uma unidade de terapia intensiva [UTI]) e doença fatal causada por reinfecções em comparação com infecções primárias no conjunto nacional de 353.326 pessoas [...] com  infecção confirmada entre 28 de fevereiro de 2020 e 28 de abril de 2021, após exclusão de 87.547 pessoas com registro de vacinação", informa a correspondência.

De 1.304 reinfecções identificadas, 413 (32%) foram causadas pela variante sul-africana Beta; 57 (4,5%) pela variante inglesa Alpha; 213 (16%) pelo vírus original de Wuhan; e 621 (47,5%) não foram sequenciadas.

O tempo médio entre a primeira infecção e a reinfecção foi de 277 dias (179 a 315).

As reinfecções tiveram 90% menos chances de resultar em hospitalização ou morte do que as infecções primárias. Quatro reinfecções foram graves o suficiente para levar à hospitalização para cuidados agudos. Nenhuma levou à internação em uma UTI e nenhuma terminou em óbito. As reinfecções eram raras e geralmente com sintomas leves.
† As reinfecções foram combinadas com até cinco infecções primárias de acordo com o sexo, faixa etária, nacionalidade e semana de teste. A amostra final, portanto, inclui pessoas com reinfecção que foram pareadas com cinco ou menos pessoas com infecção primária.
Gravidade das reinfecções por SARS-CoV-2 em comparação com as infecções primárias na população do Qatar. † As reinfecções foram combinadas com até cinco infecções primárias de acordo com o sexo, faixa etária, nacionalidade e semana de teste. A amostra final, portanto, inclui pessoas com reinfecção que foram pareadas com cinco ou menos pessoas com infecção primária.

"É necessário determinar se essa proteção contra doença grave na reinfecção dura por um período mais longo, análoga à imunidade que se desenvolve contra outros coronavírus sazonais, que induzem imunidade de curto prazo contra reinfecção leve, mas imunidade de longo prazo contra doenças mais graves com reinfecção. Se fosse esse o caso com o SARS-CoV-2, o vírus (ou pelo menos as variantes estudadas até o momento) poderia adotar um padrão de infecção mais benigno quando se tornasse endêmico", concluem os pesquisadores.

"Quando você tem apenas 1.300 reinfecções entre tantas pessoas e quatro casos de doença grave, isso é bastante notável", disse à CNN John Alcorn, especialista em imunologia e professor de pediatria da Universidade de Pittsburgh, nos EUA.

Contudo, a própria pesquisa de Alcorn sobre imunidade natural mostra que os níveis de anticorpos variam significativamente de pessoa para pessoa.

Os cientistas ainda não sabem que nível de anticorpos é protetor, sendo possível que uma pessoa recuperada da infecção pelo vírus da covid-19, ainda que raramente, adoeça novamente por não ter desenvolvido anticorpos suficientes.

"As vacinas ainda são nosso melhor método para chegar ao mesmo lugar que essas pessoas infectadas estão, com certeza", disse Alcorn. "A principal conclusão deste estudo aqui é que há esperança de que, por meio da vacinação e da recuperação da infecção, chegaremos a um nível em que todos tenham algum nível de proteção".

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