Após uma suspensão de três dias da vacina AstraZeneca devido a preocupações com coágulos sanguíneos, a França retomou o uso em 19 de março, mas com a severa restrição de que não deveria ser usada em pessoas com menos de 55 anos.

Não que a vacina da AstraZeneca não apresente risco de trombose para maiores de 55 anos – na Suécia ela só pode ser usada em maiores de 75 anos. A faixa etária é uma decisão tecnocrata "benefício-risco".

Na época, cerca de 500.000 pessoas com menos de 55 anos já haviam recebido a vacina AstraZeneca, principalmente profissionais de saúde, incluindo o Ministro da Saúde, Olivier Véran, 40, que recebeu sua injeção ao vivo na TV.

O regulador médico Haute autorité de santé (HAS) nesta sexta-feira (9) deve publicar a orientação de que, nesses casos, a segunda dose seja administrada com uma vacina de mRNA, como os imunizantes da Pfizer e Moderna que já estão sendo usados ​​na França.

O HAS é um órgão consultivo, mas o governo francês segue em sua maioria as recomendações do regulador.

Véran, falando na estação de rádio RTL na manhã desta sexta-feira, disse: “Será confirmado hoje, é totalmente lógico.

“É consistente dizer: não recomendamos a vacina AstraZeneca para pessoas com menos de 55 anos. Se você recebeu uma primeira injeção e tem menos de 55 anos, receberá uma segunda injeção de uma vacina de mRNA”.

Jean-Daniel Lelièvre, chefe do departamento de doenças infecciosas do Hospital Henri Mondor em Créteil e Conselheiro-Perito do HAS, disse à France Info:

“No final, a decisão foi relativamente simples".

“Sabemos que uma única dose da vacina não é suficiente para garantir imunidade a longo prazo contra Covid-19. Portanto, uma decisão teve que ser tomada sobre a vacina administrada para a segunda dose. Foi decidido usar uma vacina de mRNA”.

Lelièvre acrescentou que a escolha do HAS surge após parecer da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), “que considerou haver uma ligação muito clara” com os casos de trombose “e a vacina AstraZeneca”.

A principal condição é chamada de trombose do seio venoso cerebral (cerebral venous sinus thrombosis - CVST), uma complicação potencialmente fatal que ocorre no cérebro quando um coágulo de sangue se forma nos seios venosos, impedindo que o sangue seja drenado. Como resultado, as células sanguíneas podem se romper e vazar para os tecidos cerebrais, formando uma hemorragia.

A CVST é uma forma rara de AVC. Afeta cerca de 5 pessoas em 1 milhão a cada ano. Os sintomas incluem dores de cabeça, visão embaçada, desmaios, perda de controle de uma parte do corpo e convulsões.

Nos casos preocupantes, a CVST é combinada com um problema chamado trombocitopenia, em que o paciente também apresenta níveis anormalmente baixos de plaquetas, resultando em hemorragia intensa.

"É claro que existe uma associação com a vacina. O que causa essa reação, porém, ainda não sabemos”, disse o responsável pela estratégia de vacinação da Agência Europeia de Medicamentos, Marco Cavaleri.

Pessoas com mais de 55 anos continuarão a receber a vacina AstraZeneca e aqueles que já tomaram a primeira dose – incluindo o Primeiro-Ministro Jean Castex, de 55 anos – receberão AstraZeneca para a segunda dose.

Na França e na Alemanha, as pessoas vêm cancelando seus agendamentos há algum tempo quando descobrem que foram alocadas para receber a vacina da AstraZeneca.

Atualização 14/04

Duas doses da vacina AstraZeneca Covid-19 apresentaram eficácia de apenas 10% contra infecções leves a moderadas causadas pela variante B.1.351 da África do Sul, de acordo com um ensaio clínico de fase 1b-2 publicado na terça-feira (13) no New England Journal of Medicine. Este é um motivo de grande preocupação, pois as variantes sul-africanas compartilham mutações semelhantes às outras variantes, deixando os vacinados com a vacina AstraZeneca potencialmente expostos a múltiplas variantes.

* Com informações do The Local

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