A economia criou 546.000 empregos em outubro, mas muitos americanos não estão voltando a trabalhar.

No mês passado, o emprego nos Estados Unidos ainda estava 2,8% abaixo do nível pré-pandêmico, que se traduz em 4,2 milhões de empregos perdidos. Além disso, o número de pessoas que não estão na força de trabalho, mas que querem um emprego permanece cerca de 850.000 maior do que antes da pandemia

A maior parte da recuperação do emprego está concentrada em poucos estados, e as taxas de vacinação não parecem ter relação.

Os estados com as taxas de vacinação mais altas –  Massachusetts, Maine e Vermont – recuperaram tantos empregos quanto estados com taxas abaixo da média, como West Virginia, Alabama e Mississippi.

O economista Orphe Divounguy, do Illinois Policy Institute, observa que nos estados em recuperação o influxo de americanos durante a pandemia alimentou a oferta de trabalho e a demanda por moradias, o que resultou em maior crescimento do emprego e mercados habitacionais mais aquecidos.

"Os americanos mudam-se para lugares onde podem conseguir mais com menos", escreve Divounguy em artigo publicado no City Journal.

"Restrições severas durante a pandemia e um declínio no número de migrantes internacionais prejudicaram estados como California, New York, Hawaii e Illinois, apesar de suas taxas de vacinação superiores. Os altos custos de moradia e um declínio na qualidade das amenidades, apesar da carga tributária exorbitante, também levaram os residentes desses estados a se mudarem", explica Divounguy.

"A tributação e as políticas de gastos também influenciam. O apoio do governo federal significou que as finanças da maioria dos estados se recuperaram rapidamente. Onze estados, incluindo Arizona, Iowa, New Hampshire, Missouri, Montana e Wisconsin, reformaram seus sistemas de imposto de renda para reduzir a carga tributária geral dos residentes. Eles cortaram impostos para proporcionar alívio aos residentes e para impulsionar suas economias", acrescenta o economista.

Mas despesas com a dívida pública e os custos de aposentadoria dos funcionários restringiram estados como Connecticut, Illinois e New Jersey.

"Eles tiveram problemas para prevenir a falência de negócios, fornecer incentivos fiscais adicionais para empresas com falta de dinheiro e evitar cortes nas folhas de pagamento do governo estadual e local – todos fatores que prejudicam a demanda por mão de obra, avalia Divounguy, ressaltando que "o número de vagas por trabalhador desempregado é menor nesses estados".

O economista entende que os efeitos contínuos da pandemia e as aposentadorias precoces podem ter retardado a recuperação dos empregos.

"Em Illinois, os custos de aposentadoria de funcionários públicos representam agora quase 27% do orçamento do estado, com os custos de aposentadoria quase dobrando em termos reais desde 2010. Apesar dos aumentos de impostos, os custos de aposentadoria estão drenando dólares de infraestrutura, bem-estar e educação".

"Os Estados podem ajudar os americanos a voltarem ao trabalho reduzindo as barreiras à entrada e a burocracia desnecessária, diminuindo o custo de novos investimentos e mudando as prioridades orçamentárias para enfocar os investimentos públicos que aumentam o potencial econômico", conclui Divounguy.

New York City

Para David Solomon, CEO do Goldman Sachs, os líderes da cidade de New York não podem tomar sua posição como destino de negócios global como certa e que impostos mais altos ameaçam torná-la menos atraente para as empresas e seus funcionários.

Em uma entrevista ao Financial Times, Solomon advertiu que "não é garantido para qualquer centro urbano que tenha um lugar permanente no mundo".

“New York tem que estar ciente de que existem outras boas escolhas, e tem que se certificar de que se mantém superatrativa”, disse Solomon. “No final do dia, os incentivos são importantes, os impostos são importantes, o custo de vida é importante”.

A pandemia fez com que alguns residentes de New York se mudassem para estados com impostos mais baixos, como a Flórida, em meio a tensões de longa data sobre como a cidade cobra impostos de quem ganha mais.

O Goldman Sachs, que tem cerca de 43.000 funcionários, está sediado em New York, mas vem se expandindo internamente em áreas como West Palm Beach, Flórida e Dallas, Texas – dois estados onde as principais taxas de impostos sob as mudanças propostas por Biden seriam de 51,4 por cento .

“Acreditamos nessa flexibilidade, dando às pessoas escolhas em termos de onde querem morar”, disse Solomon.

Atualização 03/12/2021

O Bureau of Labor Statistics (BLS) reportou nesta sexta-feira (3) que os Estados Unidos adicionaram apenas 210 mil empregos em novembro, contra a expectativa de 550 mil.

Com as contratações de novembro, o número de pessoas empregadas permanece em torno de 4 milhões, ou 2,6%, abaixo do nível pré-pandemia em fevereiro de 2020.

O número de pessoas que não estão na força de trabalho e que desejam trabalhar era de 5,9 milhões em novembro (+849.000 desde fevereiro de 2020). Esses indivíduos não foram contabilizados como desempregados porque não procuraram trabalho ativamente durante as 4 semanas antes da pesquisa ou não estavam disponíveis para trabalhar.

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