Atualização 10/02:  O capitão do MS Westerdam anunciou aos passageiros que está previsto o navio atracar em Laem Chabang, Tailândia, na próxima quinta-feira (13).

A Holland America reiterou na segunda-feira (10) que o navio não está em quarentena e que não há casos ou suspeitas de coronavírus a bordo.

"Também recebemos uma carta do Instituto Nacional Holandês de Saúde Pública e Meio Ambiente, afirmando que eles têm total confiança em todos os nossos relatórios médicos e na qualidade de nossa equipe e serviços médicos no Westerdam. Essa avaliação foi feita em conjunto com o Ministério da Saúde da Holanda", disse a operadora.

Os passageiros do MS Westerdam desembarcarão em Laem Chabang e serão transferidos para Bangkok para sua viagem de volta para casa.
Atualização 11/02: Temendo que alguns passageiros a bordo de Westerdam possam estar infectados com o novo e mortal coronavírus, o Ministro da Saúde Pública da Tailândia, Anutin Charnvirakul, ordenou às autoridades portuárias que não permitam o desembarque. A declaração foi confirmada por outras autoridades tailandesas.

O navio chegou a ser escoltado pela embarcação de guerra Bhumibol  Adulyadej em águas tailandesas, segundo relatos de passageiros.
Atualização 12/02: O navio está em rota para o Camboja.

"Vamos começar imediatamente a navegar para Sihanoukville, no Camboja", disse o capitão do MS Westerdam, Vincent Smit. "Haverá uma breve inspeção sanitária a bordo pelas autoridades cambojanas que ocorrerá pouco antes de chegarmos". O navio deve chegar ao Camboja às 21h desta quarta-feira, horário de Brasília (7h da manhã de quinta-feira, horário local).

Os membros da tripulação organizaram uma cerimônia de despedida para os passageiros cantando ao som do hit de 1979, We Are Family.

Entre os passageiros estão 650 dos EUA, 271 do Canadá, 127 do Reino Unido e 91 da Holanda, com um número menor de pessoas da Austrália, Alemanha, China e outros países.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde  (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, agradeceu pelo Twitter a acolhida da embarcação pelo governo do Camboja.

"Meus sinceros agradecimentos ao governo do Camboja e ao Primeiro-Ministro Hun Sen por abrir caminho para o cruzeiro Westerdam atracar em Sihanoukville em breve. Esse é um ato de solidariedade  bem-vindo em tempos nos quais o mundo dispõe de uma janela de oportunidade para frear o Covid-19 evitando o estigma e o medo",  escreveu Ghebreyesus.

O MS Westerdam partiu de Cingapura em 16 de janeiro para uma viagem de 30 dias e passou pela Tailândia, Vietnã e Camboja antes de parar por seis horas em Hong Kong no sábado, 1º de fevereiro.

Em Hong Kong, teriam embarcado entre 800 e 1.100 pessoas para um cruzeiro de 14 dias visitando Taiwan e Japão, juntando-se a 687 passageiros que seguiam viagem.  Não fica claro se houve troca de parte da tripulação, atualmente a bordo com 802 trabalhadores, e se pessoas sairam do navio durante a parada na cidade.

No domingo (2), o navio de cruzeiro foi impedido de entrar nas Filipinas devido a uma proibição temporária de entrada de viajantes da China, Hong Kong e Macau.

O presidente Rodrigo Duterte tomou a decisão depois que a primeira morte por coronavírus fora da China ocorreu nas Filipinas.

"Esta é obviamente uma situação em rápida evolução e também ficamos surpresos com a decisão das autoridades locais de que não poderíamos atracar em Manila como havia sido confirmado anteriormente", disse um porta-voz da Holland America, operadora do navio. "Esta decisão não se aplica apenas à Holland America Line e continuamos a trabalhar para oferecer a melhor experiência possível aos nossos clientes nessas circunstâncias incomuns e em rápida evolução".

O MS Westerdam seguiu então para Kaohsiung, Taiwan.

Na terça-feira (4), depois de três dias no mar, os passageiros foram autorizados a desembarcar por seis horas em Kaohsiung e o navio foi forçado a partir.

No dia seguinte, o navio foi impedido de entrar na capital taiwanesa de Taipei.

A embarcação decidiu seguir para a Ilha Ishigaki, no Japão, mas na quinta-feira (6), o navio não obteve permissão para entrar.

O MS Westerdam voltou para Taiwan, que também rejeitou o pedido de atracação.

A Holland America insistiu na quinta-feira que "o navio não está em quarentena e não há casos conhecidos de coronavírus a bordo".

No entanto, segundo a emissora estatal japonesa NHK, o Primeiro-Ministro Shinzo Abe teria confirmado a existência de um caso suspeito na quinta-feira.

"Baseado na lei de controle de imigração, nós negaremos a entrada de passageiros estrangeiros no país, salvo por razões excepcionais", declarou Abe.

Na data, o Japão já enfrentava o surto no navio Diamond Princess, ancorado na Baía de Yokohama, próxima de Tóquio, com 3.700 pessoas a bordo sob quarentena e 64 casos confirmados de infecção, o segundo maior número depois da China continental.

A medida do governo japonês afetava diretamente o roteiro do cruzeiro do MS Westerdam, que tinha programado paradas em Ishigaki Island, Naha, Okinawa, Nagasaki e Fukuoka (Hakata), todas no Japão. Afetava também o próximo cruzeiro, previsto para partir de Yokohama, em 15 de fevereiro.

Na sexta-feira (7) à tarde, o porto civil de Guam, território americano na Micronesia, se tornou o mais recente a rejeitar o MS Westerdam, mesmo após o Departamento de Estado dos EUA ter pedido ao governo do território para autorizar a entrada do navio.

“Enquanto sentimos por todas as almas a bordo do MS Westerdam, nossa obrigação é proteger o povo de Guam. Embora Guam esteja preparado para lidar com as implicações potenciais do coronavírus, poucas jurisdições podem rastrear, colocar em quarentena ou tratar 1.400 pacientes ao mesmo tempo ”, afirmou o governador Lou Leon Guerrero. "Respeitamos que Guam tenha um dever para com a nação que amamos, mas esse dever não pode comprometer a saúde e a segurança de nosso povo".

Um passageiro do MS Westerdam, o australiano David Holst, postou nas redes sociais: "Agora estamos oficialmente abandonados no mar".

"Nosso cruzeiro acabou, mais ou menos. Nenhum país vai nos aceitar. Mas ainda estamos no mar", escreveu o australiano.

Holst criticou a parada em Hong Kong e o embarque de passageiros, apesar do alerta vermelho do governo local sobre o coronavírus.

Segundo o site Marine Traffic, que fornece posições de navios, o MS Westerdam desde meados de janeiro parou em Cingapura, Tailândia, Camboja, Vietnã, Hong Kong e Taiwan.

De fato, cada um dos países no itinerário do MS Westerdam confirmou casos de coronavírus – Hong Kong registrou 24 casos e uma morte. Trinta casos foram relatados em Cingapura, 25 na Tailândia, 25 no Japão, 16 em Taiwan e 10 no Vietnã. Um caso foi relatado no Camboja e uma morte nas Filipinas. Na Coréia do Sul, que o navio cancelou a visita, 24 casos foram confirmados.

A Holland America afirma que seguiu as diretrizes dos Centros de Doenças e Controle dos EUA no momento em que o navio atracou em Hong Kong.

A operadora também informou que todos os passageiros receberão reembolso integral, além de um crédito de cruzeiro futuro de 100% da tarifa paga.

* Com informações do Daily Mail, David Holst, The Guam Daily Post, New York Post, The Asahi Shimbun

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